quarta-feira, junho 06, 2007

Desejos

Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos,
e que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo ainda que você seja tolerante;
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem,
não amadureça depressa demais
e sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo também, que você plante uma semente
por mais minúscula que seja,
e que acompanhe o seu crescimento
para que você saiba de quantas muitas vidas
é feita uma árvore.
Desejo por fim que você sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher,
tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
não tenho mais nada a desejar.

Victor Hugo


só um abraçinho.....


...desse tamanho!

terça-feira, junho 05, 2007

domingo, junho 03, 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Reminisção

Vai-se falar da vida de um homem; de cuja morte, portanto. Romão – esposo de Nhemaria, mais propriamente a Drá, dita também a Pintaxa – ímpar o par, uma e outro de extraordem. Escolheram-se, no Cunhãberá, destinado lugar, onde o mal universal cochila e dá o céu um azul do qual emergir a Virgem. Sua história recordada foi longa: de tigela e meia, a peso de horror. O fundo, todavia, de consolo. Esse é um amor que tem assunto. Mas o assunto enriquecido – como do amarelo extraem-se idéias sem matéria. São casos de caipira.
Foi desde. Parece até que iam odiar-se, moço e moça, no então. Divulgue-se a Dra: cor de folha seca escura, estafermiça, abexigada, feia feito fritura queimada, ximbé-ximbeva; primeiro sinisga de magra, depois gorda de odre, sempre própria a figura do feio fora-da-lei. Medonha e má; não enganava pela cara. Olhar muito para ponta de faca, faz mal. Dizia-se: - “Indicada.”
Romão, hem, gostou dela, audaz descobridor. Pois – por querer também os avessos, conforme quem aceita e não confere? Inexplica-o a natureza, em seus efeitos e visíveis objetos; ou como o principal de qualquer pergunta nela quase nunca se contém. Romão, meão, condiçoado, normalote, pudesse achar negócio melhor. Mas ele tinha em si uma certa matemática. E há os súbitos, encobertos acontecimentos, dentro da gente.
De namoro e noivado, soube-se pouco também da sem graça cerimônia ou maneira, de que se casaram, padrinhos Iô Evo e Ia Ó e quiçá os de Romão e Drá anjos entes. Aquilo o povo assistiu com condolência? Tais vezes, a gente ao alheio se acomoda – preto no branco, café na xícara. Cunhãberá via-os não via, sem pensar em poder entender: anotava-os.
Mas o casal morou na Rua-dos-Altos onde Romão estava bom sapateiro. Para fora, deviam de ser moderados habitantes. Era um silêncio quase calado. Comparem-se: o vagalume. , sua luzinha química; fatos misteriosos – a garça e o ninho por ela feito. Iam, consortes, para os anos que tendo de passar.
Se como o nem faro e cão – mas num estado de não e sim, rodavam antas voltas – juntos, pois. A Drá contra a ocasião de querer-bem se tapava, cobreando pelos cabelos, mas mãos um pedaço de pedra. Ela não perdoava a Deus. – “Padece o que é...” – deduzia Ia Ó. Da dor de feiúra, de partir espelho. Iô Evo disse: que tomava culpa, de ter testemunhado.
Romão, hem, se botava de nada? Não o deixava ela, enxerente, trabalhar nem laser; ralhava a brados surdos; afugentou os de sua amizade. Romão amava. Decerto ela também, se sabe hoje, segundo a luz de todos e as sombras individuais. O estudo do mundo.
Todo tempo o atazanava, demais de cenhosa, caveirosa, dele, aquela mulher mandibular.. Vês tu, ou vê você? Romão punha-se devoção, com pelejos de poeta, ou coisa ou outra, um gostar sentido e aprendido, preciso, sincero como o alecrim.
Tinhava-se, a Drá. Seus filhos não quiseram nascer. Romão imutava-se coitado. Disso ninguém dava razão: o atamento, o fusco de sua tana cegueira? Sapateiro sempre sabe. Ou num fundo guardasse memória pré-antiquissima. Tudo vem a outro tempo.
Então, quando deles no diário ninguém mais se espantava, de vez, houve. Sortiu-se a Dra, o diabo às artes, égua aluada, e com formigas no umbigo. Em malefaturas, se perdeu, por outro, homem vindiço, mais moço. O povo, vendo, condenava-a; de pena do Romão – a tragar borras. Ele, não, a quem o caso de mais perto tocava. E a Iô Evo disse: que bom era ela crer, que valia, que dela gostavam ...Romão olhava em ponto, pisava curto, tinham receio de sua responsabilidade.
Nem o moço de fora a quis mais. Desrazoável, mesmo assim, a Dra de casa se sumiu, com seus dentes de morder. Romão esperou, sem prazo. Se esforçava, nesse eixar-se, trincafiava, batia sola. Seguro que, por meio de Ia Ó, pediu que ela tornasse.
Drá voltou, empeçonhada, trombuda, feia como os trovões da montanha. Romão respeitava-a, sem ralar-se nem manzelar-se, trocando pesares por prazeres, fazendo-lhe muita fidelidade. Fez-lhe muita festa. De por aí, embora, serena ela se aquietou, em desleixo e relaxo. Nem fazia nada, de cabeça que dói. Só empestava. Vivia e gemia – paralelamente. Chamou-a então Pintaxa o bufo do povo.
Foi, e teve ela uma grande doença, real, de que escapou pelo Romão, com seus carinhos e tratos. Sarou e engordou, desestragadamente, saco de carnes e banhas, caindo-lhe os cabelos da cabeça, nos beiços criado grosso buço, de quase barba. Era bem a Pintaxa, a esta só consideração. Cunhãberá jurou-a por castigada. Romão queria vê-la chupar laranjas, trivial, e se enfeitar sem ira nem desgosto. Ele envelhecia também. Os dois, à tarde, passeavam. Quem espera, está vivendo.
Depois, ele se enfermou, à-toa, de mal de não matar. A Drá alvoroçou o ligar. Ela chorava, adolorada: teve, de de em si, notícia, das que não se dão. Pedia socorro.
O povo e o padre no quarto, o Romão onde se prostava, decente, chocho, em afogo, na cama. Ele estava tão cansado; buscava a Dra com os olhos. Que quis falar, quis, pôde é que foi não. Iá Ó passava um lenço, limpava-lhe a cara, a boca. IÔ Evo mandou o ter coragem, somente.
Dando-se, no Cunhãberá, o fato de inaudimento.
Romão por derradeiro se soergueu, olhou e viu e sorriu, o sorriso mais verossímel. Os outros, otusos, imaginânimes, com olhos emprestados viam também, pedacinho de instante: o esboço, vislumbrança ou transparência, o aflato! Da Drá, num estalar de claridade, nela se assumia toda a luminosidade, alva, belíssima, futuramente... o rosto de Nhemaria.
Romão dormido caiu, hem, inteiro como um triângulo, rompido das amarras. Ele era a morte rodeada de ilhas por todos os lados. Mentiu que morreu. Deu tudo por tudo.
A Drá esperançada se abraçou com o quente cadáver, se afinava, chorando pela vida inteira. Todo fim é exato. Só ficam as flores.



João Guimarães Rosa
Tutaméia: terceiras histórias Conto: Reminisção - pg.81

sexta-feira, maio 25, 2007

Biblioteca Nacional

Com um patrimônio superior a 9 milhões de publicações, a Fundação Biblioteca Nacional foi considerada pela Unesco como a 8ª maior biblioteca do mundo

A Fundação Biblioteca Nacional (BN) é uma das mais antigas instituições públicas brasileiras. Foi instalada oficialmente no Rio de Janeiro em 1810, a partir do acervo da Real Biblioteca de Portugal, trazido pela corte do príncipe regente Dom João, em 1808. É hoje a maior fonte de pesquisa em livros, jornais e periódicos do país e tem a função de ser a depositária da memória bibliográfica e documental do Brasil. Toda obra publicada no país precisa ter pelo menos um exemplar arquivado na BN. Com um patrimônio superior a 9 milhões de itens foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como a 8ª maior biblioteca do mundo.


No site da Biblioteca nacional, você pode "folhear" a obra de Alexandre Rodrigues Ferreira.
que possui farta documentação (ilustrada com desenhos aquarelados) sobre a fauna e a flora do país, durante sua expedição pelas capitanias de Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, nos anos de 1783 e 1792.
Além de outras obras.

quarta-feira, maio 23, 2007

Sound of silence


Hello darkness, my old friend,
Ive come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of
A neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one deared
Disturb the sound of silence.

Fools said i,you do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon God they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the signs said, the words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls.
And whisperd in the sounds of silence.
Paul Simon and Garfunkell

quarta-feira, maio 16, 2007

"Justo a mim, me coube ser eu!"


Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço. Minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado. Toda vez que minha avó paterna me dizia que o molde em que fui feita fora quebrado quando nasci, eu achava que ela estava me elogiando.
Acreditava que somente eu era "única" no mundo. Aos poucos, fui percebendo meu engano.Primeiro, porque, em vez de me tornar diferente, o fato de ser uma criatura única era o que me igualava a todos os seres humanos.
Entendi que é parte da nossa condição humana sermos indivíduos exclusivos. Dela ninguém escapa. Em segundo lugar, porque essa exclusividade -recebida com meu nascimento- não me foi dada assim de mão beijada. Nem veio pronta nem tinha um manual. Ela se parece com aquelas massinhas de modelar que, quando a gente ganha, ganha só a massa, não a forma, e o resultado é sempre o fruto de um longo processo de faz e desfaz.Cedo percebi que jamais teria sossego e que teria muito trabalho. Típico presente de grego, uma armadilha. Encontrei eco para o meu espanto nas palavras da Mafalda, a famosa personagem de Quino, o cartunista argentino, no momento em que ela diz: "Justo a mim me coube ser eu!". Ser quem só a gente mesmo pode ser é quase uma desolação. Quem eu sou e deverei ser? Minha individualidade é um mistério.
Quantas vezes eu não preferi ser outra pessoa! Se não, pelo menos pensei se não seria melhor ter nascido em outra família, em outra época, com outra situação financeira, outra cara, outro corpo, outro temperamento. Ainda mais porque, aparentemente, sempre soube resolver a vida dos outros muito melhor do que a minha própria.
Para ser sincera, quando penso que o meu "eu" está aberto, o que sinto mesmo é um grande alívio. Se eu tivesse nascido pronta, não teria conserto. E se não houvesse remédio para os meus erros e uma chance para os meus fracassos? E se eu não pudesse mudar de ponto de vista, de gosto, de planos, de opinião? E se eu não tivesse escolhas nem alternativas?Mas também vejo um lado sombrio em ser um projeto aberto: o de nunca ter certeza, sobretudo de antemão, de ter tomado a atitude certa, de ter feito a escolha mais apropriada -aquela em que não me traio. Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço.
Aí, a tentação de pegar carona na escolha dos outros ou no estilo de vida deles é grande, mas minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado, que ele é exclusivo.Levei muito tempo para entender que minha exclusividade não está simplesmente em mim, na minha cor de olhos ou nos meus talentos mais especiais. Ela está sempre lançada adiante de mim como um desafio, como um destino a que tenho de chegar, como uma história que tem de ser vivida. Minha exclusividade -eu mesma- virá apenas quando eu puder afirmar que a história que vim realizando só eu -e ninguém mais- poderia tê-la vivido.É a isso que a personagem Amparo, no filme de Almodóvar "Tudo Sobre Minha Mãe", se refere quando afirma que ela é tanto mais autêntica quanto mais perto estiver daquilo que projetou para si mesma. Fala com orgulho e alegria, revelando, assim, que desvendou o mistério que envolve o problema de ser quem somos: autenticar nossa biografia.
Avaliá-la. Onde estou, senão no rastro da história que venho deixando atrás de mim, naquilo que vim fazendo e dizendo? Onde estou, senão nessa biografia que realizo e atualizo a cada instante por meio das minhas decisões e do meu empenho?
Hoje não importa mais se sou diferente dos outros, mas se faço alguma diferença neste mundo.
Este texto é de autoria de Dulce Critelli, ela é professora de filosofia da PUC-SP, é autora dos livros "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia -Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana.

terça-feira, maio 15, 2007

sexta-feira, maio 11, 2007

quinta-feira, maio 10, 2007

Era um vez...

Tudo era bem normal lá em Santantônio da Lamparina.
As crianças iam para a escola enquanto os pais trabalhavam. Todos riam, se divertiam e às vezes ficavam bem tristes também. Tomavam banho, soltavam pum e tinham coceira no pé, como toda gente em qualquer parte.
Só tinha um detalhe, mínimo, insignificante, que deixava tudo com cara de esquisito e diferente: lá, o dia era escuro como a noite, e quando era noite era noite também.
Os moradores estavam acostumados. Viviam à sombra da Lua, estudavam à luz de abajur, sabiam brincadeiras de escuro: gato-mia, cabra-cega, detetive....
Os mais velhos diziam que lá sempre foi assim e que, se é assim, assim será até o fim. Sentiam-se cansados de imaginar como seria viver num lugar claro e diferente. Os mais jovens sonhavam e diziam que conhecer o Sol era o maior desejo que tinham no mundo, no universo. Um desejo infinito.
Por que ninguém pensava em se mudar dali? Porque lá havia o mais lindo luar e o mais delicioso banho de mar e um povo com um sonho incomum. Às vezes, coisas assim são suficientes para nos fazer ficar.
Num dia noite, chegou um, chegaram dois e mais três ou cinco equilibristas. Era uma família de artistas! Enquanto uns tocavam, os outros faziam lances incríveis, coisa de especialista!
Há muito tempo o vilarejo não recebia visita tão animada. Os equilibristas estavam acostumados a se apresentar até o Sol raiar e estranharam: já se sentiam cansados e nada de o dia clarear.
- O Sol não vai aparecer?
E foi assim que souberam que em Santantônio da Lamparina o dia era tão escuro como a noite e que já estavam acordados fazia dois dias e meio.
-Daí o nom e da cidade?
-Daí o nome.
-Mas por que é assim?
-Diz meu avô que o avô dele dizia que o seu tataravô ensinou que é assim porque sempre foi assim e assim será até o fim!
Os artistas acharam a aquela explicação meio fraquinha, de quem já cansou de procurar solução.
Avisaram que por cinco dias escuros e quatro noites noites treinariam um novo número exclusivo e então voltariam para o espetáculo de despedida!
Voltaram.
Voltaram com um número arriscado e sensacional de equilíbrio, coragem e precisão já visto em toda história da humanidade!
Precisaram de muita concentração. Foram subindo, um sobre o outro e sobre o outro e sobre o outro e sobre outro ainda... Até que o menino equilibrista mais levinho e muito craque, com o braço bem esticado, atingiu o céu.
Com a ponta do dedo fez um picote. Um pequeno rasgo no céu, por onde passou um facho de luz.
Era mínimo, mas suficiente para iluminar de alegria e expectativa cada santantônio-lamparinense. Podiam saber como era o Sol, a luz e o calor que vinham do céu.
Devagar o rasgo foi aumentando, sozinho, como um furo de meia velha, que vai crescendo até virar um rombo...
E um dia, Santantônio da Lamparina amanheceu toda e completamente iluminada!
Os moradores, que nem tinham venezianas e cortinas, acordaram sobressaltados com tanta luz.
Festejaram até o Sol raiar outra vez.
Até hoje, não se cansam de ver o Sol nascer e depois o Sol se pôr e de novo o Sol nascer e mais uma vez o Sol se pôr. Acham graça, agradecidos.
>:-)

Esse lindinho Conto intitulado “Se assim é, Assim Será?” é de Silvinha Meirelles - revista Nova Escola, ano 13 v.4 Edição Especial, abril de 2007.

Viver não dói????

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque

nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe

é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,

mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,

mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.
Fé é colocar seu sonho à prova!

Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, maio 07, 2007

lembranças

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais...
Hoje me sinto mais forte,
mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei..
Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumpri a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou
conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das
É preciso amor pra poder pulsar
preciso paz pra poder sorrir
preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia,
todo mundo chora
um dia a gente chega
no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
ser feliz...
Conhecer as manhas e as manhãs
sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz

de ser feliz...

Tocando em frente

Almir Sater e Renato Teixeira

sexta-feira, maio 04, 2007

......................................


Poço de sensibilidade

Por entre ruas, entre carros e placas
luzes cheiros e toques
Eu sou um poço de sensibilidadete buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade
Entre veludos e cetins
Fantasias e brinquedos
Desejos e um certo medo
Cheiros e toques
Eu sou um poço de sensibilidade
te buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade
O seu sorriso no meu dia-a-dia
A sua palavra em meu vocabulário
minha professora eu aprendi tudo errado
te buscando na cidade
eu sou um poço de felicidade
Com seu nariz furando o vento
Com um certo ar de autoridade
Eu fico louco, louco de saudade
Sou um cara afortunado
perto de ti eu sou um poço de sensibilidade
Poço de sensibilidade
Ira!

quinta-feira, maio 03, 2007

Canção de outono

" Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo sobre o
própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles que não se
levantarão...
Tu és a folha de outono voante pelo
jardim.
Deixo-te a minha saudade- a melhor parte
de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão... "
Cecília Meireles

Here Comes The Sun


Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun,
here comes the sun
And I say it's all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
It's all right

Here Comes the Sun
The Beatles

terça-feira, maio 01, 2007

quinta-feira, abril 26, 2007

Reason to believe

If I listened long enough to you
Id find a way to believe that its all true
Knowing that you lied straight-faced while
I cried Still I look to find a reason to believe

Someone like you makes it hard to live without
Somebody else
Someone like you makes it easy to give
Never think about myself

If I gave you time to change my mind
Id find a way just to leave the past behind
Knowing that you lied straight-faced while I cried
Still I look to find a reason to believe

If I listened long enough to you
Id find a way to believe that its all true
Knowing that you lied straight-faced while I cried
Still I look to find a reason to believe

Someone like you makes it hard to live without
Somebody else
Someone like you makes it easy to give
Never think about myself

Reason to believe
Rod Stewart

quarta-feira, abril 25, 2007

terça-feira, abril 24, 2007

Casa cheia


por onde andei, de onde vim
deixei pedaços de mim.
Cada um que entra aqui
esquece um pouco de si.
Todos tecem suas teias
virtuais, de vento, de veias.
Há vários nós entre nós:
jamais estamos sós.
Cairo Trindade

segunda-feira, abril 23, 2007

O poder dos livros

"Não há livro tão mau que não tenha alguma coisa de bom."
Miguel de Cervantes Saavedra de Alcala Henares (1547 - 1616).


"O livro é a mais importante e completa fonte de informação, de conhecimento, de prazer e de fruição intelectuais. É um maravilhoso veículo para a força das idéias, a magia do imaginário, o enlevo do poético, para a transcendência da vida, enfim. E por ser tudo isso ele é certamente o mais poderoso de todos os instrumentos de aperfeiçoamento e promoção humana e de transformação social.”

Trecho do ensaio escrito pelo jornalista A. P. Quartim de Moraes.

Dia Mundial do Livro e dia do Direito do Autor

No dia 23 de abril, mais de 100 países participarão do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, que foi lançado pela UNESCO em 1996. Editores, bibliotecas, escolas centros culturais e organizações de autores estão se preparando em todos os continentes para celebrar o dia, exaltando a importância dos livros para a sociedade moderna.

No Brasil, está em andamento a campanha “Dê um livro: incentive a educação e a leitura”, promovida pelo escritório da UNESCO no Brasil, juntamente com vários parceiros, por meio da Internet, com o objetivo de incentivar a troca de livros estimulando a leitura e o intercâmbio de conhecimento entre as pessoas. A idéia é promover a importância do livro como um instrumento de expressão, educação e comunicação.

Este ano, a UNESCO quer enfatizar o papel vital dos livros não apenas em relação a educação, economia, criação cultural e participação democrática, mas também, como afirmou o Diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, a “importância deles com relação à liberdade de expressão e à salvaguarda e promoção das expressões da diversidade cultural, como principais desafios a serem enfrentados pela Humanidade.” (*)

“Esta ação, que tem uma dimensão ética tanto quanto política”, continua Matsuura, “inscreve-se em uma perspectiva de longo alcance e requer iniciativas concretas e duradouras em favor do livro e da leitura, cujo impacto vai muito além da data simbólica de 23 de abril”. (**)

Entre as iniciativas de promoção do livro que conquistaram sucesso internacional está a “Capital Mundial do Livro”. Madrid foi a primeira cidade a ser proclamada Capital Mundial do Livro, na sexta edição do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Depois vieram Alexandria (Egito, 2002), Nova Deli (Índia, 2003), Antuérpia, 2004), Montreal (Canadá, 2005) e Turim (Itália, 2006). A cidade designada para este ano é Bogotá (Colômbia) . Para 2008, Amsterdam (Holanda) foi anunciada como uma escolha do comitê de seleção, composto por representantes da Associação de Editores Internacionais (IPA), a Federação de Vendedores de Livro Internacional (IBF) e a Federação Internacional de Instituições e Associações de Bibliotecas (IFLA) assim como a UNESCO.

Leia a mensagem Diretor-geral da UNESCO na íntegra (português) (inglês) (francês) (espanhol)

(*) Mensagem do Diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, por ocasião do Dia Mundial do Livro do Direito de Autor. (**) Cervantes, Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega morreram no dia 23 de abril de 1616. Outros escritores proeminentes que nasceram ou morreram em 23 de abril, entre eles Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vellejo.

sábado, abril 21, 2007

“Cada um de nós se define para sempre, num único instante de sua vida - instante esse em que cada qual se encontra para sempre consigo mesmo”.
Jorge Luís Borges

sexta-feira, abril 20, 2007

quinta-feira, abril 19, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

A grandeza de Lobato



"UM PAÍS SE FAZ COM HOMENS E LIVROS"
José Bento Monteiro Lobato
(Taubaté, 18 de abril de 1882— São Paulo, 4 de julho de 1948)
foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.

Enganos


Recomeça...
se puderes, sem angústia e sem pressa
e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro,
dá-os em liberdade,
enquanto não alcances não descanses,
de nenhum fruto queiras só metade"




Miguel Torga (1907-1995)
Poeta e escritor português

terça-feira, abril 17, 2007


............................


Pode parecer promessa mas eu sinto que você é a pessoa
Mais parecida comigo que eu conheço
Só que do lado do avesso
Pode ser que seja engano, bobagem ou ilusão
De ter você na minha
Mas acho que com você eu me esqueço
E em seguida eu aconteço
Por isso deixo aqui meu endereço
Se você me procurar eu apareço
Se você me encontrar
Te reconheço...

Avesso - Ceumar/Alice Ruiz

domingo, abril 15, 2007

Into White


I built my house
From barley rice.
Green pepper walls
And water ice.
Tables of paper wood,
Windows of light
And everything emptyin
'Into white.
A simple garden,
With acres of sky.
A brown-haired dogmouse
If one dropped by.
Yellow Delanie
Would sleep well at night
With everything emptying
Into white.Ooh..
A sad blue-eyed drummer
Rehearses outside;
A black spider dancin'
On top of his eye.
Red legged chicken
Stands ready to strike
And everything emptying
Into white.
I built my house
From barley rice.
Green pepper walls
And water ice
And everything emptyin
'Into white.



Into White
Cat Stevens

sexta-feira, abril 13, 2007

Sonho impossível

"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a torutura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"

Composição: Chico Buarque e Ruy Guerra

quinta-feira, abril 12, 2007

lerolinho.....

Happy day

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo!
E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou
Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...


Florbela Espanca
"Livro de mágoas(1919)"
Rosa meditativa-Salvador Dalí

quarta-feira, abril 11, 2007

terça-feira, abril 10, 2007

Olhos de Fogo

"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu,
os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na
correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios
perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para
ensinar ao hoemem branco a reverência pela sagrada
terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo
do arco-íris..."
Profecia feita a mais de 200 anos por Olhos de Fogo.
uma velha índia Cree

Viver como as Flores


- "Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.
Algumas são indiferentes.
Sinto ódio das que são mentirosas.
Sofro com as que caluniam".
- "Pois viva como as flores!"
- advertiu o mestre.
- "Como é viver como as flores?"
- perguntou o discípulo.
- "Repare nestas flores", continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
"Elas nascem no esterco, entretanto são puras perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.
É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.
Isso é viver como as flores."
desconheço o autor

Quando o amor acenar


"Quando o amor acenar, siga-o
ainda que por caminhos ásperos e íngremes.
E quando suas asas o envolverem, renda-se a ele
ainda que a lâmina escondida sob suas asas possa feri-lo.
E quando ele falar a você, acredite no que ele diz,
ainda que sua voz possa destroçar seus sonhos,
assim como o vento norte devasta o jardim.
Pois, se o amor o coroa, ele também o crucifica.
Se o ajuda a crescer, também o diminui.
Se o faz subir às alturas e acaricia seus ramos mais tenros que tremem ao sol,
também o faz descer às raízes e abala a sua ligação com a terra.
Como os feixes de trigo, ele o mantém íntegro.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torná-lo branco.
Amassa-o, até deixá-lo macio;
e então submete ao fogo
para que se transforme em pão no banquete sagrado de Deus.
Todas essas coisas pode o amor fazer
para que você conheça os segredos do seu coração,
e com esse conhecimento se torne um fragmento
do coração da
Vida."


Khalil Gibran - 1883-1931
Filósofo, prosador e poeta libanes
Desenho de William Blake - O Vendaval dos Amantes, 1824-27

Canção matutina (clika)


simplicidade e amor à verdade

Alguns poetas cantam as estrelas
Outros mistérios abissais
Até há os que ninguém estende
Mas são do grande baralho
Quanto a mim, poeta chinfrim,
Coube cavar o dia-a-dia
Na ilusão de encontrar
Entre o refugo e o cascalho
Uma lasquinha de poesia.
Ulisses Tavares.

segunda-feira, abril 09, 2007

Adiamentos

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível;
mas hoje não…
Não, hoje nada;
hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado;
mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente,
de dentro…
Não, não queiram saber mais nada,
é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente,
lido e práticoSerão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…
O porvir…
Sim,
o porvir…

Álvaro de Campos (1890-1935)
heterônimo de Fernando Pessoa

domingo, abril 08, 2007

Canção agalopada

Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos
Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei
Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo medo do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar
CANÇÃO AGALOPADA -
Zé Ramalho

quarta-feira, março 28, 2007

sexta-feira, março 23, 2007

Camille Claudel

Em Paris, em 1885, a jovem escultora Camille Claudel entra em conflito com sua família burguesa ao tornar-se aprendiz e, depois, assistente do famoso Auguste Rodin.
Quando ela se transforma em amante do mestre (que já é casado), cai em desgraça junto à sociedade parisiense, embora tenha amigos do porte do compositor Claude Debussy.
Depois de quinze anos de tortuoso relacionamento com Rodin, Camille rompe o romance e mergulha cada vez mais na solidão e na loucura. Por iniciativa de seu irmão mais novo, o escritor Paul Claudel, é internada em 1912 num manicômio.

quinta-feira, março 22, 2007

Declaração Universal dos Direitos da Água

A água é um bem natural que deve ser preservado
Em 22 de março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Eis o texto que vale uma reflexão:

1.- A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2.- A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3.- Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4.- O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5.- A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6.- A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.


7.- A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8.- A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9.- A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10.- O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

terça-feira, março 20, 2007

Quase Outono

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no
outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de
merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis,
tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é
romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já
morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)