Sábado, Novembro 28, 2009

a decomposição das coisas

somos todos responsáveis pelo que produzimos

3 meses
A lignina, substância que dá rigidez às células vegetais, é um dos componentes mais importantes do papel. Ela não se decompõe facilmente, pois suas moléculas são maiores do que as bactérias que as destroem. Num lugar úmido, o papel leva três meses para sumir e ainda mais do que isso em local seco. Além disso, um papel absorvente dura vários meses. Jornais podem permanecer intactos por décadas.
6 meses
A deterioração de um fósforo de madeira começa com a invasão da lignina — seu principal ingrediente — por hordas de fungos e insetos xilófagos, os que comem madeira. O processo é lento e, em um ambiente úmido, um fósforo não se destrói até que se passe cerca de seis meses.
6 a 12 meses
Os microorganismos, insetos e outros seres invertebrados geralmente transformam a matéria orgânica de forma eficaz. No entanto, o miolo de uma maçã, que se decompõe em uns seis meses em clima quente, pode conservar-se por um ano num lugar mais ameno. Isso porque o orvalho (e a neve nos países frios) dificulta a proliferação dos micróbios e diminui sua capacidade devoradora.

1 a 2 anos
Um cigarro pode demorar de um a dois anos para se decompor, tempo em que as bactérias e fungos digerem o acetato de celulose existente no filtro. Jogar um cigarro sem filtro no campo é menos nocivo, uma vez que o tabaco e a celulose levam quatro meses para sumir. Contudo, se jogado no asfalto, o tempo de vida da bituca é maior.
5 anos
Um chiclete jogado no chão começa a ser destruído pela luz e pelo oxigênio do ar, que o fazem perder a elasticidade e a viscosidade. Como a goma contém resinas naturais e artificiais, além de açúcar e outros ingredientes, o processo pode durar até cinco anos. A pulverização do chiclete é mais rápida se ele grudar no sapato de algum distraído.
10 anos
Os metais, em princípio, não são biodegradáveis. Uma lata de aço se desintegra em uns dez anos, convertendo-se em óxido de ferro. Em dois verões chuvosos, o oxigênio da água começa a oxidar as latas feitas de aço recoberto de estanho e verniz. Já uma lata de alumínio não se corrói nunca. E boa parte dos refrigerantes é vendida em latas de alumínio.

mais de 100 anos
As boas qualidades do plástico — sua durabilidade e resistência à umidade e aos produtos químicos — impedem sua decomposição. Como esse material existe há apenas um século, não é possível determinar seu grau de biodegradação, mas estima-se que uma garrafa de plástico demoraria centenas de anos para desaparecer.

4000 anos
O vidro não se biodegradará jamais. Sua resistência é tamanha, que arqueólogos encontraram utensílios de vidro do ano de 2000 a.C. Por ser composto de areia, sódio, cal e vários aditivos, os microorganismos não conseguem comê-lo. Um recipiente de vidro demoraria 4.000 anos para se desintegrar pela erosão e ação de agentes químicos.

O que há no lixo composição aproximada do lixo recolhido na coleta seletiva da cidade de São Paulo. A coleta seletiva representa 0,8% do total produzido: 12.000 toneladas por dia, o maior volume do País. Desse valor,
87% vai para quatro aterros sanitários da metrópole.
Plástico 7%
Metais 10%
Vidro 13%
Matéria orgânica e resíduos 20%
A HISTÓRIA DAS COISAS
clicka AQUI

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

SÉCULO XXI




Quinta-feira, Setembro 10, 2009

velha roupa colorida

following your dreams deviantart
"Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer
....e o passado é uma roupa que não nos serve mais
e precisamos todos, todos rejuvenescer."

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Por quem os sinos dobram




Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
Cê sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida e que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado, é...
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais
É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo no fundo do peito que não era nada daquilo
Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais.
"para Francisco, Raul e Amigos"
Por Quem Os Sinos Dobram
Composição: Raul Seixas

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Do fundo do fim do mundo
Vieram me perguntar
Qual era o anseio fundo
Que me fazia chorar.
E eu disse, "É esse que os poetas
Têm tentado dizer
Em obras sempre incompletas
Em que puseram seu ser".

F. Pessoa
http://www.scribd.com/doc/4934981/fernando-pessoainedito

do devir

"...Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, ..."
Heráclito de Éfeso (aprox. 540 a. C.)
filósofo pré-socrático, o "obscuro, "pai da dialética"
“Heráclito afirmava que somente o devir ou a mudança é real. O dia se torna noite, o inverno se torna primavera, esta se torna verão, o úmido seca, o seco umedece, o frio esquenta, o quente esfria, o grande diminui, o pequeno cresce, o doente ganha saúde, a treva se faz luz, esta se transforma naquela, a vida cede lugar à morte, esta dá origem àquela”.
O mundo, dizia Heráclito, é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário.
A luta é a harmonia dos contrários, responsável pela ordem racional do universo. Nossa experiência sensorial percebe o mundo como se tudo fosse estável e permanente, mas o pensamento sabe que nada permanece, tudo se torna contrário de si mesmo. O logos é a mudança e a contradição.”
Marilena Chauí
Pausa para a Filosofia
leituras:


Anseio


Me deixem aqui em paz,
Ao sol e à vida,
Não preciso nem comida,
Me deixem só aqui no meu instante
Vago e tímido elefante.
Feliz em minha preguiça.
Não preciso nem justiça.
MILLOR DEFINITIVO -
a bíblia do caos
Il. Iriszagocs

Domingo, Agosto 02, 2009


Sábado, Agosto 01, 2009

um conto fantástico


O Horla - a obra prima de Guy de Maupassant
Margens do Sena,
Paris 1882, óleo sobre tela 96 x 161 cm
Museu do Chiado Lisboa, Portugal

8 de maio.
Que dia lindo! Passei a manhã toda deitado na relva, na frente de casa, sob o enorme plátano que a encobre toda. Gosto desta região, de viver aqui, pois aqui estão velhas recordações, aquelas raízes profundas e delicadas que prendem o homem ao solo onde seus antepassados nasceram e morreram, que o ligam às idéias e costumes do lugar e também, à comida às expressões locais, ao cheiro da terra do próprio ambiente.
Adoro a casa onde cresci. Das janelas, vejo o Sena, correndo ao lado do jardim, no outro lado da estrada, quase atravessando minhas terras, o grandioso e extenso Sena, que vai a Rouen e a Havre, apinhado de barcos que passam para lá e para cá.
Lá embaixo, à esquerda, está a grande cidade de Rouen, com seus telhados azuis e pontiagudas torres góticas. Estas últimas são incontáveis, largas ou estreitas, dominadas pela espiral da catedral e cheias de sinos que tocam no ar azul de belas manhãs, enviando até minha casa seu doce e distante tinido, canção de metal que a brisa impele em minha direção, ora forte, ora débil, conforme a intensidade do vento.
Como a manhã estava agradável!
Lá pelas onze horas, uma longa fila de barcos puxados por um rebocador do tamanho de uma mosca, que mal conseguia resfolegar enquanto soltava espessa fumaça, passou em frente a meu portão.
Depois de duas escunas inglesas com a bandeira vermelha ondulando ao vento, passou um magnífico barco brasileiro de três mastros, todo branco, muito limpo e lustroso.
Saudei-o, sem saber bem por que, a não ser que a visão do navio deu-me grande prazer.
12 de maio.
Tenho estado um pouco febril nos últimos dias e sinto-me doente, ou antes, desalentado. De onde vêm essas misteriosas influências que transformam a alegria em desânimo e a autoconfiança em acanhamento? Poder-se-ia quase dizer que o ar, o ar invisível, está cheio de forças incompreensíveis, cuja presença misteriosa tem de suportar.
Acordo com a melhor disposição, sentindo vontade de cantar. Por quê?
Desço até a beira da água e, de repente, depois de andar um pouco, volto para casa infeliz, como se uma desgraça estivesse esperando por mim. Por quê?
Seria um calafrio que me passou pela pele e abalou meus nervos, deixando-me desanimado? Seria a forma das nuvens, a cor do céu ou dos objetos ao redor de mim tão inconstante, que perturbou meus pensamentos, quando passaram diante de meus olhos?
Quem sabe? Tudo o que nos cerca, tudo o que vemos sem olhar, tudo o que tocamos sem querer, tudo o que manejamos sem sentir, tudo o que encontramos sem ver claramente, tem rápida, surpreendente e inexplicável influência sobre nós e nossos sentidos e, através destes, em nossas idéias e até em nosso coração.
Como esse mistério do Invisível é profundo! Não podemos compreendê-lo com nossos sentidos miseráveis, olhos incapazes de perceber o que for muito grande ou muito pequeno, esteja muito perto ou muito longe: nem os habitantes de uma estrela, nem os de uma gota de água. Nem com ouvidos que nos enganam, pois os transmitem as vibrações do ar em notas sonoras. São fadas que realizam o milagre de mudar essas vibrações em sons e, por meio dessa metamorfose, fazem surgir à música que transforma o silencioso movimento da natureza... Nem com o sentido do olfato, menos aguçado que o de um cão... Nem com o sentido do paladar, que mal percebe a idade do vinho
Como seria bom se tivéssemos outros órgãos que realizassem outros milagres ao nosso favor! Quantas coisas novas poderíamos descobrir a nossa volta!
16 de maio.
Positivamente, estou doente! E estava tão bem no mês passado! Estou com febre, horrivelmente febril, ou melhor, em um estado de debilitação febril, que faz a alma sofrer tanto quanto o corpo. Tenho, continuamente, a horrível sensação de perigo iminente, o receio de alguma futura desgraça ou da morte próxima. Pressentimento que é, sem dúvida, o acesso de uma doença ainda desconhecida, que germina na carne e no sangue.
17 de maio.
Acabo de consultar o médico, pois não conseguia mais dormir. Ele disse que o pulso estava rápido, os olhos, dilatados, os nervos, à flor da pele, mas que não encontrou sintomas alarmantes.
Devo tomar algumas duchas e brometo de de potássio.
25 de maio.
Nenhuma mudança! Meu estado é realmente estranho. Quando a noite se aproxima, sou invadido por uma incompreensível sensação de intranqüilidade, como se a noite escondesse alguma catástrofe ameaçadora. Janto às pressas e então procuro ler, mas não compreendo as palavras e mal distingo as letras. Caminho de um lado para outro da sala, acabrunhado por uma sensação confusa de medo irresistível, medo do sono e medo da cama.
Lá pelas dez horas subo ao quarto.
Assim que entro dou duas voltas à chave e ponho a tranca na porta. Tenho medo... De quê? Até a pouco, não tinha medo de nada... Abro os armários e olho embaixo da cama.
Escuto... O quê? Não é estranho que uma simples sensação de mal-estar, a má circulação, talvez a irritação de um filamento nervoso, uma ligeira congestão, um pequeno distúrbio no imperfeito e delicado funcionamento de nosso mecanismo vivo, possa transformar o mais despreocupado dos homens em melancólico e em covarde o mais valente?
Vou para a cama e espero o sono como um homem que espera o carrasco. Com medo, espero sua chegada, o coração bate e as pernas tremem e todo o corpo tem calafrios debaixo do calor das cobertas, até que adormeço de repente, como alguém que mergulhasse em uma poça de água estagnada a fim de afogar-se.
Não o sinto vir como antigamente, este traiçoeiro sono que está perto de mim, vigiando-me e que vai agarrar-me pela cabeça, fechar meus olhos e aniquilar-me. Durmo... Bastante tempo... Talvez duas ou três horas... Então um sonho... Não... Um pesadelo apossa-se de mim. Sinto que estou na cama, dormindo... Sinto e sei disso... E sinto também que alguém se aproxima, olha-me, toca-me, sobe em minha cama, ajoelha-se sobre meu peito, toma meu pescoço entre as mãos e o aperta... Aperta com toda a força a fim de estrangular-me.
Luto, dominado por aquela terrível sensação de impotência que nos paralisa durante os sonhos. Tento gritar... Mas não consigo. Quero mover-me... Não consigo. Faço os mais violentos esforços, respiro fundo, para tentar virar-me e derrubar essa criatura que está me esmagando, me sufocando... Não consigo!
E, então, acordo de repente, tremendo e banhado em suor.
Acendo uma vela e descubro que estou sozinho. Depois dessa crise, que acontece todas as noites, finalmente caio no sono e durmo em paz até de manhã.
2 de junho.
Meu estado de saúde piorou. O que está acontecendo comigo?
O brometo não está adiantando de nada e as duchas não produzem resultado.
Às vezes, a fim de ficar bem cansado, embora já esteja bastante fatigado, vou dar um passeio na floresta de Roumare. Costumava pensar que o ar fresco, leve e suave, impregnado do cheiro de ervas e folhas, instilaria sangue novo em minhas veias e daria nova energia a meu coração. Enveredava por uma larga estrada de caça e então seguia na direção de La Bouille, por uma estreita trilha entre duas fileiras de árvores de uma altura descomunal, que formavam um espesso teto de um verde quase negro entre o céu e eu.
Um repentino arrepio percorreu-me a espinha, não de frio, mas um estranho arrepio de agonia.
Apressei o passo, apreensivo por estar sozinho na floresta, estupidamente amedrontado sem razão, por causa da completa solidão. De repente pareceu-me estar sendo seguido, que havia alguém nos meus calcanhares, perto, bem perto de mim, próximo o bastante para tocar-me.
Voltei-me precipitadamente, mas estava só. Nada vi atrás de mim, exceto a larga trilha reta, vazia, cercada de altas árvores, horrivelmente vazia; à minha frente também se estendia a perder de vista, parecendo sempre à mesma, terrível. Fechei os olhos. Por quê? Comecei a rodar como pião, bem depressa. Quase caí e abri os olhos: as árvores dançavam ao meu redor e a terra girava.
Fui obrigado a sentar-me. E, então, que idéia estranha! Não sabia de mais nada. Saí para a direita e voltei à avenida que me conduzira ao centro da floresta.
2 de junho.
Passei uma noite horrível. Vou partir por algumas semanas, pois sem dúvida uma viagem me fará bem.
2 de julho.
Voltei completamente curado e ainda fiz ótima viagem. Fui ao Mont-Saint-Michel, que ainda não conhecia.
Que vista, quando se chega a Avranches como eu, quase no fim do dia! A cidade está sobre uma colina e fui conduzido ao jardim público, nos limites da cidade. Dei um grito de assombro! Uma enorme baía estendia-se diante de mim, até onde os olhos alcançavam, entre duas colinas que a neblina impedia de serem vistas. No meio dessa imensa baía, sob um claro céu dourado, erguia-se uma estranha colina, sombria e pontiaguda, no meio da areia. O sol acabara de se pôr e, no horizonte ainda flamejante, aparecia o contorno do fantástico rochedo com um fantástico monumento em seu cume.
Quando raiou o dia, fui para lá. Como na noite anterior, a maré estava baixa e vi diante de mim a admirável abadia, cada vez mais próxima. Depois de andar algumas horas, alcancei a enorme massa de rochas sobre a qual se localiza a cidadezinha, dominada pela grande igreja. Depois de subir a rua íngreme e estreita, entrei no mais admirável edifício gótico já construído para Deus na terra, grande como uma cidade, cheio de salas de teto baixo que parecem enterradas sob abóbadas e de grandiosas galerias sustidas por delicadas colunas. Entrei nessa gigantesca jóia de granito, leve como renda, coberta de torres, com esguios campanários de escadas em caracol, que erguem as estranhas cabeças eriçadas de quimeras, de demônios, de animais fantásticos, com flores monstruosas, para o céu azul durante o dia e negro à noite, e são ligados por arcos finamente entalhados. Quando cheguei ao ponto mais alto da abadia, disse ao monge que me acompanhava:
- Padre, como devem ser felizes aqui!
Ao que responde:
- Venta muito, monsieur!
Começamos a conversar, enquanto assistíamos à subida da maré, que corria pela areia, e parecia cobri-la com uma couraça de aço.
O monge contou-me histórias, todas as velhas histórias do lugar, lendas, nada mais que lendas.
Uma delas impressionou-me bastante. Os camponeses, aqueles que fazem parte do lugar, dizem que à noite podem-se ouvir vozes nas areias e depois duas cabras balindo, uma com voz forte, a outra com voz fraca.
As pessoas incrédulas afirmam que é apenas o grito das aves do mar, que às vezes parecem balidos e, outras, lamentos humanos.
Todavia, pescadores que se atrasaram para voltar juram ter encontrado um velho pastor vagando, entre uma maré e outra, pelas areias ao redor da cidadezinha. Traz a cabeça totalmente coberta por um manto e é seguido por um bode com cara de homem e uma cabra com cara de mulher, ambos com longos cabelos brancos, falando sem parar e discutindo em uma língua desconhecida. Calam-se de repente e começam a balir a plenos pulmões.
- Acredita nisso? – perguntei ao monge.
- Não sei ao certo – retrucou.
Continuei:
- Se existem outras criaturas na terra além de nós, como ainda não as conhecemos e por que vocês ainda não as viram?
Como é que eu ainda não as vi?
Respondeu:
- Será que vemos a centésima milésima parte do que existe?
Olhe aqui, aí está o vento, a maior força que existe na natureza, que derruba homens e edifícios, destrói penhascos e joga grandes navios contra os rochedos, o vento que mata, que assobia, que suspira, que....... Já o viu?
Pode vê-lo? Apesar disso, no entanto, ele existe!Calei-me diante desse raciocínio tão simples.
Aquele homem era um filósofo ou, talvez, um tolo.
Não saberia dizer qual, exatamente, por isso fiquei quieto. O que dissera, eu já havia pensado muitas vezes.
3 de julho.
Dormi mal. Certamente há alguma influência febril aqui, pois meu cocheiro está sofrendo exatamente como eu. Ontem, quando voltei para casa, notei que estava muito pálido e lhe perguntei:
- O que tem Jean?
- Não consigo repousar, e as noites devoram meus dias. Desde que partiu monsieur, parece que estou enfeitiçado.
Entretanto, os outros criados estão todos bem. Estou com muito medo de ter outro ataque
.
4 de julho.
Estou de novo doente, pois meu antigo pesadelo voltou. A noite passada, senti alguém se inclinando sobre mim e sugando minha vida por entre meus lábios.
Sim, estava sugando-a de minha garganta, como uma sanguessuga. Depois, levantou-se, saciado, e acordei tão cansado, esmagado e fraco que não conseguia mover-me. Se isso continuar por mais alguns dias, viajarei novamente.
5 de julho.
Será que estou louco? O que aconteceu a noite passada é tão estranho que perco a cabeça só de pensar!Trancara a porta, como faço todas as noites, e, tendo sede, bebi meio copo de água, notando, por acaso, que a garrafa de água estava cheia até o gargalo.
Fui para a cama e passei por um de meus sonhos terríveis, do qual acordei cerca de duas horas depois, com um choque ainda maior. Imagine um homem adormecido sendo assassinado e que acorda com uma faca no pulmão e cuja respiração está arquejante coberto de sangue, que não consegue mais respirar, está quase morrendo e não compreende... Aí está.
Tendo recuperado os sentidos, senti sede novamente, por isso acendi uma vela e fui até a mesa onde estava a garrafa de água.
Ergui-a e avirei sobre o copo, mas nada saiu.
Estava vazia! Completamente vazia!
A princípio não consegui entender absolutamente nada.
Mas, de repente, tive uma sensação tão horrível que precisei sentar-me, ou melhor, caí numa cadeira! Saltei da cadeira e olhei à volta, sentei-me de novo, tomado de espanto e medo, em frente à garrafa de cristal.
Encarava-a, tentando adivinhar, e minhas mãos tremiam.
Alguém bebera a água, mas quem? Eu? Eu, sem dúvida.
Só poderia ter sido eu. Nesse caso era sonâmbulo. Vivia, sem saber, a misteriosa vida dupla que nos faz pensar que talvez existam duas criaturas dentro de nós ou que um ser estranho, incompreensível e invisível, anima nosso corpo cativo que o obedece como a nós e mais do que a nós, quando nossa alma está entorpecida.
Quem entenderá minha terrível agonia? Quem entenderá a emoção de um homem, são de espírito, completamente acordado, cheio de bom senso, que procura através do cristal de uma jarra um pouco de água que desapareceu enquanto dormia?
Fiquei nessa posição, até o dia surgir, sem me arriscar a voltar para a cama.
6 de julho.
Estou ficando louco.
Mais uma vez todo o conteúdo da jarra de água foi tomado durante a noite... Ou melhor, eu o bebi!
Mas será que sou eu? Sou eu? Quem poderia ser? Quem? Oh, meu Deus!
Estou ficando louco? Quem me salvará?
10 de julho.
Acabo de passar por surpreendentes experiências.
Decididamente, estou louco! Todavia...A 6 de julho, antes de ir para a cama, coloquei vinho, leite, água, pão e morangos sobre a mesa. Alguém bebeu, eu bebi toda a água e um pouquinho do leite, mas o vinho, o pão e os morangos não foram tocados.
Em 7 de julho, repeti a mesma experiência, com os mesmos resultados, e em 8 de julho não deixei água nem leite, e nada foi tocado.
Por fim, 9 de julho, deixei sobre a mesa apenas água e leite, tomando o cuidado de envolver os frascos em musselina branca e de amarrar as tampas. Esfreguei os lábios, a barba e as mãos com grafita e me deitei. Um sono irresistível se apossou de mim, seguido de um terrível despertar. Não me movera, não havia marcas de grafita nos lençóis.
Corri até a mesa. A musselina ao redor dos frascos estava intacta. Desamarrei as tampas, tremendo de medo. Toda a água fora bebida, assim como o leite! Meu Deus! Preciso partir imediatamente para Paris.
Paris, 12 de julho.
Devo ter perdido a cabeça nos últimos dias.
Devo ser joguete de minha imaginação exacerbada, a menos que seja realmente sonâmbulo ou que tenha estado sob o poder daquelas influências até agora sem explicação, chamadas sugestões. Em todo caso, meu estado mental chegava às raias da loucura, e vinte e quatro horas em Paris bastaram para restaurar meu equilíbrio.
Ontem, depois de resolver alguns negócios e fazer algumas visitas que instilaram em minha alma ar novo e revigorante, terminei a noite no Théâtre-Français.
Estava sendo apresentada uma peça de Alexandre Dumas, filho, e sua imaginação ativa e poderosa completou minha cura. É certo que a solidão é perigosa para as mentes ativas. Precisamos de homens que saibam pensar e conversar. Quando ficamos sozinhos por muito tempo, povoamos o espaço com fantasmas.
Pelos bulevares, voltei ao hotel muito bem-humorado. No meio dos empurrões da multidão, pensava, não sem uma ponta de ironia, em meus terrores e conjeturas da semana anterior, porque acreditara (sim, acreditara) que uma criatura invisível vivia debaixo de meu teto. Como nosso cérebro é fraco, como se assusta à toa e é induzido a erro por um pequeno fato incompreensível!Em vez de dizer apenas: "Não entendo porque não conheço a causa", imaginamos imediatamente mistérios terríveis e forças sobrenaturais.
14 de julho.
Festa da República. Passeei pelas ruas, entusiasmado com os fogos e as bandeiras, como uma criança. Ainda assim, é tolice ficar alegre em data marcada, obedecendo a um decreto do governo. O populacho é um imbecil rebanho de carneiros, de uma paciência estúpida ou com uma revolta feroz.Digam-lhe: "Divirtam-se", e o povo se diverte.
Digam-lhe: "Vão lutar com o vizinho", e o povo vai e luta.
Digam-lhe: "Votem pelo imperador", e o povo vota pelo imperador.
Então lhe digam: "Votem pela República", e o povo vota pela República. Os que dirigem o povo também são estúpidos, só que, ao invés de obedecer aos homens, obedecem aos princípios que só podem ser estúpidos, estéreis e falsos, pela simples razão de serem princípios, isto é, idéias consideradas como certas e imutáveis, neste mundo, onde não se tem certeza de nada, já que a luz é uma ilusão, já que o barulho é uma ilusão.
16 de julho.
Ontem vi uma coisa que me deixou muito preocupado.Jantava em casa de minha prima, Mme. Sable, cujo marido é coronel no 76° Batalhão de Caçadores, em Limoges.
Estavam lá duas jovens, uma delas casada com um médico, Dr. Parent, especialista em doenças nervosas e que dá muita atenção às notáveis manifestações causadas pela influência do hipnotismo e da sugestão.
Contou-nos com alguns detalhes os maravilhosos resultados obtidos por cientistas ingleses e médicos da escola de Nancy, e os fatos que expôs pareceram-me tão estranhos que me declarei completamente incrédulo.
- Estamos prestes a descobrir um dos mais importantes segredos da natureza, isto é, um dos mais importantes segredos nesta terra, pois certamente existem outros, de outra espécie de importância, lá em cima, nas estrelas
- disse ele.
- Desde que o homem começou a pensar desde que conseguiu expressar e anotar os pensamentos, tem-se sentido próximo a um mistério inacessível os seus sentidos incompletos e imperfeitos.
- Procura, então, suprir a ineficiência dos sentidos por meio do intelecto. Enquanto o intelecto manteve-se em um estágio rudimentar, as aparições dos espíritos invisíveis assumiam formas comuns, embora assustadoras.
Daí surgiu a crença popular no sobrenatural, as lendas das almas penadas, fadas, gnomos, fantasmas, posso mesmo dizer, a lenda de Deus, pois nossa concepção do artífice-criador, seja qual for a religião que no-la transmitiu, é certamente a mais vulgar, estúpida e inacreditável invenção que já saiu do cérebro amedrontado dos seres humanos.
Nada é mais verdadeiro do que o dito de Voltaire: "Deus criou o homem à Sua imagem, mas o homem pagou-lhe na mesma moeda".
Entretanto
- continuou o Dr. Parent -, há cerca de um século, os homens parecem pressentir algo novo. Mesmer e outros os conduziram a uma trilha inesperada e, principalmente nos últimos dois ou três anos, conseguimos resultados realmente surpreendentes.
Minha prima, também muito incrédula, sorriu, e o Dr. Parent disse-lhe:
- Gostaria que eu tentasse fazê-la dormir, madame?
- Sim, certamente.
Ela sentou-se em uma poltrona, e ele começou a olhá-la fixamente, como se quisesse encantá-la. Comecei a sentir-me pouco à vontade, com o coração batendo e uma sensação sufocante na garganta. Vi os olhos de Mme. Sable tornarem-se pesados, a boca crispar-se e o peito arfar. Em dez minutos estava dormindo.
- Fique atrás dela - disse-me o médico.
Sentei-me atrás dela. Pôs um cartão de visitas entre as mãos dela e lhe disse:
- Isto é um espelho. O que vê nele?
Ela respondeu:
- Vejo meu primo.
- O que ele está fazendo?
- Torcendo o bigode.
- E agora?- Está tirando uma fotografia do bolso.
- Fotografia de quem?
- Dele mesmo.
Era verdade. A fotografia fora-me entregue no hotel aquela noite.
- Como é a foto?
- Ele está em pé, com o chapéu na mão. Enxergava, pois, naquele cartão, naquele pedaço de papelão branco, como se olhasse através de um espelho. As jovens ficaram assustadas e exclamaram:
- Chega! Já chega!
-Mas o médico ordenou a Mme. Sable:
- Levante-se amanhã às oito horas, vá visitar seu primo no hotel e peça-lhe cinco mil francos emprestados que seu marido está precisando e que exigirá da senhora quando partir para a próxima viagem.
Depois disso, o médico acordou-a. Na volta ao hotel, fui meditando sobre essa curiosa sessão. Enchia-me de dúvidas, não quanto à absoluta e sincera boa-fé de minha prima, pois a conhecia como a uma irmã desde criança, mas quanto a um possível truque da parte do médico. Não teria, talvez, um espelho escondido na mão, mostrando à jovem adormecida, ao mesmo tempo em que mostrou o cartão?
Os mágicos fazem coisas desse tipo.
Cheguei ao hotel e fui para a cama. Esta manhã, mais ou menos às oito e meia, o criado de quarto acordou-me e disse-me:
- Mme. Sable pede para vê-lo imediatamente, monsieur.
Vesti-me às pressas e fui recebê-la.
Sentou-se um tanto preocupada, de olhos baixos e, sem erguer o véu do chapéu, disse-me:
- Caro primo, vim pedir-lhe um grande favor.
- Que favor, minha prima?
- Não quero pedir-lhe, mas tenho de fazê-lo. Preciso urgentemente de cinco mil francos.
- O quê? Você?
- Sim, eu, ou melhor, meu marido pediu-me para consegui-los.
- Fiquei tão atônito que gaguejava as respostas. Perguntava-me se ela não estaria zombando de mim, juntamente com o Dr. Parent, se tudo não seria apenas uma bem ensaiada farsa. Olhando-a atentamente, entretanto, todas as minhas dúvidas desapareceram. Estava trêmula de desgosto, pois essa atitude lhe era penosa, e percebi que a garganta lhe travava os soluços. Sabia que era muito rica, por isso continuei:
- Como? Seu marido não tem cinco mil francos à disposição? Vamos, pense. Tem certeza de que ele a encarregou de consegui-los? Hesitou alguns segundos, como se fizesse grande esforço de memória e respondeu:
- Sim... Sim, tenho certeza.
- Ele lhe escreveu?
Hesitou novamente e refletiu.
Percebi a tortura de seus pensamentos. Não sabia.
Sabia apenas que tinha de conseguir comigo cinco mil francos emprestados para seu marido. Assim, mentiu:
- Sim, escreveu-me.
- Rogo-lhe que me diga quando ele o fez. Não falou sobre isso ontem.
- Recebi a carta hoje pela manhã.
- Pode mostrá-la para mim?
- Não... Não... Continha assuntos íntimos... Coisas muito pessoais... Queimei-a.
- Então seu marido está endividado?
Hesitou mais uma vez e murmurou:
- Não sei.Disse-lhe sem cerimônia:
- No momento não posso dispor de cinco mil francos, cara prima.
Deu um grito, como se estivesse sentindo alguma dor e disse:
- Oh, suplico-lhe, rogo-lhe que os consiga para mim...Parecia perturbada e juntava as mãos como a implorar-me! Sua voz mudou de tom. Chorava e gaguejava inquieta e dominada pela ordem irresistível que recebera.
- Por favor, imploro-lhe... Se soubesse o que estou sofrendo... Preciso do dinheiro hoje.
Fiquei com pena:
- Você terá daqui a pouco, juro.
- Obrigada, obrigada. Agradeço-lhe muito.
- Lembra-se do que aconteceu em sua casa ontem à noite?
- continuei.
- Sim.
- Lembra-se de que o Dr. Parent fez você dormir?
- Sim.
- Muito bem então. Mandou que viesse procurar-me esta manhã e pedisse cinco mil francos emprestados. Neste momento, você está obedecendo a essa sugestão. Refletiu por alguns momentos e respondeu:
- Mas é como Se meu marido precisasse deles...
Durante uma hora tentei convencê-la, sem conseguir. Quando se foi, procurei o médico. Estava de saída, ouviu-me com um sorriso e disse:
- Acredita, agora?
- Sim, não tenho outra saída.
- Vamos à casa de sua prima. Ela já estava meio adormecida em uma espreguiçadeira, vencida pelo cansaço. O médico tomou-lhe o pulso, observou-a por algum tempo, com a mão erguida em frente aos olhos dela. Sob a irresistível influência de sua força magnética, fechou os olhos. Quando adormeceu, o médico disse:
- Seu marido não precisa mais dos cinco mil francos. Deve, portanto, esquecer que os pediu emprestado a seu primo e, se ele tocar no assunto, não entenderá de que se trata.
Acordou-a. Peguei a carteira e disse:
- Aqui está o que me pediu esta manhã, cara prima.
Ficou tão surpresa, que não me atrevi a insistir. Contudo, tentei fazê-la lembrar-se do que acontecera. Negou energicamente, achando que me divertia às suas custas e, no fim, quase perdeu a paciência.Pronto! Acabo de chegar e não consegui almoçar, pois essa experiência deixou-me completamente abalado.
19 de julho.
As pessoas a quem contei essa aventura riram-se de mim. Não sei mais o que pensar. Diz o sábio: "Pode ser!”
21 de julho.
Jantei em Bougival e passei a noite em um baile de barqueiros. Decididamente, tudo depende do local e do ambiente. Seria muita tolice acreditar no sobrenatural quando se está na Île de la Grenouilliére... Mas, e no Mont-Saint-Michel?... E na Índia? Somos terrivelmente influenciados pelo que nos rodeia. Na semana que vem, voltarei para casa.
30 de julho.
Voltei ontem para casa. Tudo vai bem.
2 de agosto.
Nada de novo. O tempo está esplêndido e passo os dias a olhar o Sena.
4 de agosto.
Desavenças entre os criados. Alegam que à noite os copos são quebrados nos armários. O criado acusa o cozinheiro, que acusa a costureira, que acusa os outros dois. Quem é o culpado? Só alguém muito esperto poderia dizer.
6 de agosto.
Desta vez não estou louco.
Eu vi... Eu vi... Não posso mais duvidar... eu o vi!
As duas horas, em pleno sol, passeava entre as roseiras... entre as rosas de outono que começam a cair. Quando parei para olhar um géant de bataille, com três rosas esplêndidas, vi perfeitamente a haste de uma das rosas perto de mim inclinar-se, como se uma mão invisível a forçasse a quebrar-se, como se estivesse sendo colhida! Então, a flor ergueu-se, seguindo a curva que a mão teria feito ao levá-la até a boca e permaneceu suspensa no ar, sozinha e imóvel, terrível mancha vermelha, quase diante de meus olhos. Em desespero, corri para agarrá-la. Nada achei, ela desaparecera! Fiquei com muita raiva de mim mesmo, pois um homem sério e razoável não deveria ter tais alucinações.
Mas seria uma alucinação? Voltei-me para olhar a haste e encontrei-a imediatamente, na roseira, quebrada de pouco, entre duas rosas que continuavam no galho. Voltei para casa, bastante perturbado, pois estou certo agora, como certo estou da alternância entre o dia e a noite, de que existe perto de mim uma criatura invisível, que vive a leite e água, pode tocar objetos, pegá-los e mudá-los de lugar, sendo, portanto, dotado de natureza material, embora seja imperceptível a nossos sentidos. Vive como eu, debaixo de meu teto...
7 de agosto.
Dormi tranqüilamente. Ele bebeu a água da garrafa, mas não perturbou meu sono.
Pergunto a mim mesmo se não estarei louco.
Agora mesmo, passeando ao sol à beira do rio, tive dúvidas quanto a minha sanidade. Não dúvidas vagas como as que tive ultimamente, mas dúvidas absolutas e precisas.
Já vi gente louca e conheci alguns loucos que são inteligentes, lúcidos, até mesmo perspicazes em tudo, exceto em um ponto. Falavam prontas, clara e profundamente sobre todos os assuntos, até que, de repente, a mente ia de encontro aos escolhos de sua loucura, partia-se ali e se dispersava e debatia naquele mar furioso e terrível, cheio de ondas agitadas, de neblina e pés-de-vento, que se chama Loucura.
Com certeza eu deveria pensar que estava louco, completamente louco, se não estivesse consciente, não conhecesse perfeitamente meu estado, não o analisasse com a mais completa lucidez. De fato, devo ser apenas um homem racional, sofrendo uma alucinação. Deve ter surgido em minha mente algum distúrbio desconhecido, um dentre aqueles que os fisiólogos modernos tentam observar e confirmar.
Esse distúrbio deve ter causado profunda brecha na minha mente e na seqüência lógica das idéias. Fenômenos semelhantes acontecem nos sonhos que nos levam a imaginar coisas irreais, sem nos causar surpresa, porque o aparelho de verificação, nosso órgão de controle está adormecido, enquanto a faculdade da imaginação está acordada e ativa.
Não é possível que uma das imperceptíveis unidades do teclado cerebral tenha ficado paralisada em mim? Alguns homens perdem a lembrança de nomes próprios, de verbos ou números, os simplesmente de datas, como conseqüência de algum acidente.
A localização de todas as variações de pensamento já está estabelecida atualmente. Por que, então, seria surpreendente se minha faculdade de controlar a irrealidade de algumas alucinações estivesse temporariamente adormecida?
Pensava em tudo isso, enquanto andava pela beira da água. O sol brilhava intensamente sobre o rio e tornava a terra agradável, enchendo-me de amor pela vida, pelas andorinhas cuja agilidade sempre encanta meus olhos, pelas plantas à beira do rio, de cujas folhas o farfalhar é um prazer aos ouvidos. Aos poucos, entretanto, uma indefinível sensação de mal-estar se apossava de mim. Parecia que uma força desconhecida estava me entorpecendo e detendo, impedindo-me de seguir adiante e chamando-me de volta. Senti aquele penoso desejo de voltar que nos oprime quando deixamos um doente querido em casa e somos tomados por um pressentimento de que piorou.
Assim, voltei contra a minha vontade, certo de que encontraria alguma má noticia à espera, talvez uma carta ou telegrama. Não havia nada, e fiquei mais surpreso e inquieto do que se tivesse tido outra visão fantástica.
8 de agosto.
Ontem, passei uma noite horrível. Não se mostra mais, porém, sinto-o perto de mim vigiando-me, olhando-me, penetrando-me, dominando-me, e mais temível quando se oculta dessa forma do que se manifestasse sua presença constante e invisível através de fenômenos sobrenaturais. Entretanto, consegui dormir.
1 de agosto. Nada, mas estou com medo.
10 de agosto. Nada. O que acontecerá amanhã?
11 de agosto. Nada ainda.
Não consigo ficar em casa com este medo pairando sobre mim e estes pensamentos na cabeça. Vou embora.
2 de agosto.
Dez horas da noite. O dia todo tentei partir e não consegui. Gostaria de realizar este simples e fácil ato de liberdade - sair -, entrar em meu carro e partir para Rouen...
E não consigo. Por que razão?
13 de agosto.
Quando somos atacados por certas doenças, todas as molas de nosso corpo parecem estar quebradas, todas as nossas energias, destruídas, todos os nossos músculos, relaxados. Nossos ossos amolecem como carne, e o sangue vira água.
Estou tendo essas sensações em minha existência moral de modo estranho e angustioso. Não tenho mais força, coragem, autocontrole, nem mesmo o poder de exercer minha vontade. Não tenho mais vontade de nada, mas alguém a tem por mim e eu lhe obedeço.
14 de agosto.
Estou perdido. Alguém possui minha alma e a domina. Alguém ordena todos os meus atos, todos os meus movimentos, todos os meus pensamentos.
Não sou mais nada, exceto espectador escravizado e amedrontado de tudo o que faço. Quero sair, não posso. Ele não quer, e assim permaneço trêmulo e perplexo, na poltrona onde ele me mantém sentado. Desejo apenas levantar-me e me animar, mas não posso! Estou preso à cadeira, e esta adere ao chão de tal maneira que não existe força capaz de mover-nos.De repente, sinto que devo, preciso ir ao fundo do quintal colher morangos e comê-los, e lá vou eu. Colho os morangos e como-os! Meu Deus! Meu Deus! Deus existe?
Se existe, libertai-me! Salvai-me! Socorrei-me! Perdão! Piedade! Misericórdia! Salvai-me! Quanto sofrimento! Que tormento! Que horror!
15 de agosto.
Então era desse modo que minha pobre prima se encontrava, e era controlada, quando veio pedir-me os cinco mil francos emprestados. Estava sob o poder de uma estranha vontade que entrara dentro dela, como outra alma, como outra alma parasita e dominadora. Será que o mundo está para acabar?
Mas quem é ele, este ser invisível que me governa?
Este ser irreconhecível, este pirata de raça sobrenatural?
Existem, então, seres invisíveis!
Por que não se manifestaram desde o começo do mundo, precisamente como fazem comigo?
Nunca li nada parecido com o que acontece em minha casa. Oh, se pudesse deixá-la, se pudesse ir embora, fugir e nunca mais voltar! Estaria salvo, mas não posso.
16 de agosto. Hoje consegui escapar por duas horas, como um prisioneiro que, por acaso, encontra a porta da masmorra aberta. De repente, senti que estava livre e que ele estava muito longe; assim, dei ordens para atrelar os cavalos o mais depressa possível e partir para Rouen. Como é agradável conseguir dizer a um homem que nos obedece:
- Vá... A Rouen!
Mandei parar em frente à biblioteca e pedi que me emprestassem o tratado do Dr. Hermann Herestauss sobre os habitantes desconhecidos do mundo antigo e moderno.
Ao voltar para o coche, pretendia dizer: "Para a estação!", em vez disso gritei... Não disse, gritei, tão alto que os passantes voltaram-se:
- Para casa! - e caí para trás, na almofada do carro, tomado de angústia. Ele voltara a me encontrar e retomara a posse de mim.
17 de agosto.
Ah, que noite! Que noite! E, contudo parece-me que devia alegrar-me.
Li até a uma da manhã! Herestauss, doutor em Filosofia e Teogonia, escreveu na história da manifestação todos esses seres invisíveis que pairam em volta dos homens ou com quem os homens sonham.
Descreve sua origem, domínio, poder, mas nenhum se assemelha ao que me assedia.
Pode-se dizer que, desde que começou a pensar, o homem pressente um novo ser, mais forte, seu sucessor neste novo mundo e que, sentindo sua presença e não conseguindo prever a natureza desse mestre, criaram toda uma raça de seres ocultos, de vagos fantasmas, nascidos do medo.
Depois de ler até a uma da manhã, sentei-me à janela aberta, a fim de refrescar a fronte e os pensamentos, no ar calmo da noite agradável e quente.
Como teria apreciado semelhante noite em outros tempos!
Não havia lua, mas as estrelas lançavam sua luz no céu escuro. Quem habita esses mundos? Que formas, que seres vivos, que animais existem lá em cima? O que sabem os pensadores naqueles mundos distantes que não sabemos? O que podem fazer, e nós não? O que vêem que não conhecemos? Será que um deles, algum dia, atravessando o espaço, aparecerá na Terra para conquistá-la, exatamente como os escandinavos cruzaram o mar a fim de conquistar nações mais fracas do que eles?
Somos tão fracos, tão indefesos, tão ignorantes, tão pequenos, nós que vivemos nesta partícula de lama que gira em uma gota de água!
Adormeci assim, sonhando no fresco ar da noite, e depois de dormir cerca de três quartos de hora abri os olhos sem me mexer, acordado por não sei que confusa e estranha sensação.
A princípio não vi nada, mas de repente tive a impressão de que uma página do livro que ficara aberto sobre a mesa virou-se sozinha. Nenhuma aragem passara pela janela, por isso, surpreso, esperei.
Depois de uns quatro minutos, eu vi, eu vi, sim, vi com meus próprios olhos, outra página levantar-se e cair sobre as outras, como se um dedo a tivesse virado. A poltrona estava vazia, parecia vazia, mas sabia que ele estava lá. Sentado em meu lugar e lendo. Com um pulo, o pulo furioso de um animal selvagem enraivecido, que salta sobre o domador, atravessou a sala para agarrá-lo, estrangulá-lo, matá-lo!
Porém, antes que pudesse alcançá-la, a cadeira virou-se como se alguém tivesse fugido de mim...
A mesa balançou, a lâmpada caiu e se apagou e a janela fechou-se, como se um ladrão tivesse sido surpreendido e fugido noite afora, fechando-a atrás de si.
Então ele fugira. Tivera medo, medo de mim!
Mas, mas... Amanhã, ou mais tarde... Algum dia, conseguirei agarrá-lo e esmagá-lo contra o chão! Às vezes os cães não mordem e estraçalham o dono?
18 de agosto. Estive pensando o dia todo. Sim, vou obedecer-lhe, seguir seus impulsos, realizar seus desejos, mostrar-me humilde, submisso, covarde. Ele é o mais forte, mas há de chegar à hora...
19 de agosto.
Eu sei... Eu sei... Eu sei tudo!
Acabei de ler o seguinte, na Revue du Monde Scientifique: "Curiosa noticia chega-nos do Rio de Janeiro. Loucura, uma epidemia de loucura, comparável à loucura contagiosa que atacou a população da Europa, na Idade Média, está, neste momento, grassando na província de São Paulo. Os habitantes, aterrorizados, abandonam suas casas, dizendo que estão sendo perseguidos, possuídos, dominados como gado humano por seres invisíveis, mas tangíveis, uma espécie de vampiro, que se alimenta da vida deles enquanto estão dormindo, e que, além disso, bebe água e leite, sem aparentemente tocar nenhum outro alimento."O professor Pedro Henrique, acompanhado por vários médicos, foi à província de São Paulo, a fim de estudar a origem e as manifestações dessa surpreendente loucura, no local, e propor ao imperador as medidas que lhe pareçam mais cabíveis para fazer com que a população recupere a razão."Ah! ah! lembro-me agora daquele belo navio brasileiro de três mastros que passou em frente às minhas janelas, subindo o Sena no dia 8 de maio passado! Achei que parecia tão formoso, tão branco e brilhante!
Aquele Ente estava a bordo, vindo de lá, onde sua raça se originou.
E me viu!
Viu minha casa, também branca, e saltou do navio para terra. Oh, céu misericordioso!
Agora sei, posso adivinhar. O reino do homem acabou, e ele chegou. Ele, que era temido pelo homem primitivo, ele, que padres preocupados exorcizavam, que feiticeiras evocavam em noites escuras, sem tê-lo visto aparecer, a quem a imaginação dos senhores provisórios do mundo emprestavam todas as monstruosas ou graciosas formas de gnomos, espíritos, gênios, fadas e almas familiares. Depois dos conceitos imprecisos baseados no medo primitivo, homens mais sensíveis anteviram-no mais claramente Mesmer o pressentiu, e, há dez anos, médicos descobriram, com precisão, a natureza de sua força, antes mesmo que ele a exercesse. Divertiram-se com essa nova arma do Senhor, o domínio de uma vontade misteriosa sobre a alma humana que se tornara escrava.Chamaram-no de magnetismo, hipnotismo, sugestão... sei lá! Vejo-os divertindo-se, como crianças imprudentes, com essa força terrível!
Ai de nós! Ai dos homens!
Ele chegou o... O... Como se chama... O...
Imagino que está gritando seu nome e não consigo ouvi-lo... o... Sim... Está gritando... Estou ouvindo... Não consigo... Ele o repete... o... Horla... ou,... o Horla... Ele chegou!
Ah! O abutre devorou a pomba, o lobo devorou o cordeiro, o leão devorou o búfalo de chifres pontiagudos. O homem matou o leão com a flecha, com a espada, com a pólvora. Mas o Horla fará do homem o que fizemos do cavalo e do boi: objeto, escravo e alimento, só porque é sua vontade. Ai de nós! Contudo, às vezes, o animal revolta-se e mata o homem que o subjugou.
Eu também gostaria de... Serei capaz de... Mas preciso conhecê-lo, tocá-lo, vê-lo! Os cientistas afirmam que os olhos dos animais, sendo diferentes dos nossos, não distinguem os objetos da mesma forma que nós. E meus olhos não conseguem distinguir esse recém-chegado que me oprime.Por quê? Agora me lembro das palavras do monge do Mont-Saint-Michel: "Será que vemos a centésima milionésima parte do que existe? Veja, lá está o vento, a maior força da natureza, que derruba homens e edifícios, desenraiza árvores, faz o mar erguer-se como montanhas de água, destrói penhascos e joga grandes navios contra as ondas. O vento que mata, que assobia, que suspira, que ruge... já o viu? Consegue vê-lo? Contudo, ele existe".
E continuei a pensar: "Meus olhos são tão fracos, tão imperfeitos, que nem mesmo distinguem corpos sólidos, se estes forem transparentes como o vidro! Se não houver um papel prateado atrás de um vidro em meu caminho, colidirei com ele, da mesma forma que um pássaro, voando para dentro de uma sala, bate a cabeça contra a vidraça".
Existem mil coisas que enganam o homem e o induzem ao erro.
Por que haveria de ser surpreendente o fato de não conseguir perceber um corpo desconhecido que a luz consegue atravessar?
Um novo ser! Por que não?
Com certeza estava destinado a vir! Por que deveríamos ser os últimos?
Não o distinguimos mais do que todos os outros criados antes de nós! Isso acontece porque sua natureza é mais perfeita, tem o corpo mais apurado e mais bem acabado que o nosso, tão fraco, de construção tão desajeitada, atravancado de órgãos que estão sempre cansados, sempre tenso como um mecanismo muito complicado, que vive como planta e como animal, nutrindo-se com dificuldade de ar, ervas e carne, máquina animal vitima de doenças, má-formação, decadência; arquejante, mal-regulado, simples e extravagante, originalmente malfeito, obra ao mesmo tempo grosseira e delicada, esboço irregular de uma criatura que poderia tornar-se inteligente e grandiosa.
Somos apenas alguns, tão poucos neste mundo, da ostra ao homem.
Por que não poderia haver mais um, uma vez passada a época que separa as sucessivas aparições de todas as espécies diferentes?
Por que não mais um? Por que não, também, outras árvores com flores imensas e esplêndidas, perfumando regiões inteiras?
Por que não outros elementos além do fogo, ar, terra e água?
Existem quatro, só quatro, amas-secas de seres diferentes! Que pena! Por que não existem quarenta, quatrocentos, quatro mil? Como tudo é pobre, mesquinho e miserável!
Produzido de má vontade, construído irregularmente, inabilmente feito! Ah, o elefante e o hipopótamo, que graça! E o camelo, que elegância! Mas a borboleta, dirão, uma flor voadora? Sonho com uma tão grande como cem universos, com asas cuja forma, beleza, e movimentos não consigo nem mesmo exprimir. Porém a vejo... esvoaça de uma estrela a outra, refrescando-as e perfumando-as com a aragem leve e harmoniosa de seu vôo! E as pessoas lá em cima olham-na quando passa em um êxtase de prazer!
O que está acontecendo comigo? É ele, o Horla, que me persegue e que me faz pensar essas tolices! Está dentro de mim, está se transformando em minha alma. Pretendo matá-lo!
19 de agosto.
Vou matá-lo. Eu o vi! Ontem, sentei-me à mesa e fingi escrever com bastante atenção.
Sabia muito bem que viria rondar-me, bem perto de mim, tão perto que, talvez, conseguisse, tocá-lo, agarrá-lo. E então... Então eu conseguiria a força do desespero. Teria as mãos, os joelhos, o peito, a fronte, os dentes para estrangulá-lo, esmagá-lo, morde-lo, fazê-lo em pedaços.
E o aguardava com todos os sentidos alerta. Acendera as duas lâmpadas e as oito velas de cera sobre a lareira, como se com toda essa luz pudesse descobri-lo.
À minha frente, estava à cama, a velha cama de colunas de carvalho; à direita, a lareira; à esquerda, a porta, fechada cuidadosamente, depois que a deixei aberta algum tempo, a fim de atraí-lo; atrás de mim, estava o guarda-roupa, muito alto, com o espelho diante do qual fazia a barba e me vestia todos os dias e no qual costumava ver-me de relance, da cabeça aos pés, toda vez que passava diante dele.
Fingia estar escrevendo a fim de enganá-lo, pois ele também me vigiava e, de repente, senti... Tinha certeza de que estava lendo por cima de meu ombro, que estava lá, roçando minha orelha.
Levantei-me com as mãos estendidas e virei-me tão depressa que quase caí. Quê! Bem?
Estava claro como se fosse o meio-dia, mas não conseguia ver meu reflexo no espelho!
Estava vazio, claro, profundo, cheio de luz!
Só que minha imagem não estava refletida nele... E eu, eu estava na frente do espelho!
Examinei o grande e claro espelho, de cima a baixo, olhei-o com olhos vacilantes. Não ousei aproximar-me, não me arrisquei a fazer um movimento sequer, sentindo que ele estava ali, mas que novamente me escapara, ele cujo corpo imperceptível absorvera meu reflexo.
Como eu estava amedrontado! E então, subitamente, comecei a ver-me através de uma névoa no fundo do espelho, uma névoa que parecia um lençol de água. Parecia-me que a água escorria mais clara a todo o momento.
Era como o fim de um eclipse. O que quer que ocultasse na imagem não parecia possuir contornos definidos, mas uma espécie de transparência opaca que ia clareando aos poucos.
Afinal, consegui distinguir meu reflexo completamente, como acontece todos os dias quando me olho no espelho.
Eu o vira! O horror dessa visão ficou comigo e, mesmo agora, faz-me tremer.
20 de agosto.
Como poderia matá-lo, se não consegui agarrá-lo? Veneno? Mas ele me veria misturá-lo à água, e então teria nosso veneno algum efeito em seu corpo impalpável? Não... Não há dúvida sobre isso... Então... Então...
21 de agosto.
Chamei um ferreiro de Rouen e encomendei venezianas de ferro para meu quarto, iguais às que alguns hotéis de Paris têm no andar térreo, para impedir a entrada de ladrões, e ele também vai fazer-me uma porta de ferro. Estou parecendo covarde, mas não me importo!
10 de setembro. Rouen, Hotel Continental. Está feito... Está feito... Mas será que está morto?
O que vi deixou-me a mente completamente abalada.Bem, ontem, depois que o serralheiro colocou as venezianas e a porta de ferro, deixei tudo aberto até a meia-noite, embora estivesse esfriando.
De repente, senti que ele estava lá, e uma alegria, uma louca alegria apossou-se de mim.
Levantei-me silenciosamente e andei algum tempo de um lado para outro, para que ele não suspeitasse de nada. Tirei as botas e calcei os chinelos despreocupadamente, fechei as venezianas de ferro, fui até a porta, tranquei-a rapidamente com um cadeado e guardei a chave no bolso.
Percebi de súbito que ele se movia nervosamente a minha volta, que, por sua vez, estava amedrontado e ordenava-me que o deixasse sair.
Quase lhe obedeci.
Em vez disso, entretanto, com as costas contra a porta, abri-a apenas o suficiente para poder sair de costas e, como sou muito alto toquei a esquadria com a cabeça. Estava certo de que ele não tinha conseguido escapar e deixei-o fechado sozinho, completamente sozinho. Que felicidade! Conseguira prende-lo. Então corri para baixo, para a sala de visitas que ficava embaixo do meu quarto. Peguei os dois lampiões e despejei todo o querosene no tapete, na mobília, em toda parte.
Toquei fogo e fugi, depois de trancar cuidadosamente a porta.Escondi-me no fundo do quintal, em uma moita de louros. Como parecia demorar!
Tudo estava escuro, silencioso, imóvel, sem a mais leve brisa, sem uma estrela, somente camadas de nuvens, que não se podia ver, mas que pesavam, oh, como pesavam, em minha alma. esperando, olhando para a casa. Como demorava!
Começava a pensar que o fogo se apagara sozinho, ou que ele o extinguira, quando uma das janelas do andar térreo cedeu sob a violência das chamas e uma longa, suave, acariciante e rubra língua de fogo subiu pela parede branca e envolveu-a até o telhado. O clarão atingiu as árvores, os galhos e as folhas, e um arrepio de medo também os invadiu!
Os pássaros acordaram, um cachorro começou a uivar, e pareceu-me que o dia estava nascendo!
Quase imediatamente, duas outras janelas se arrebentaram e vi que toda a parte de baixo da casa era apenas uma fornalha incandescente. Um grito, horrível, estridente, de partir o coração, um grito de mulher, soou dentro da noite, e duas janelas do sótão se abriram!
Esquecera-me dos criados!
Vi os rostos apavorados e os braços agitando-se freneticamente.
Tomado de pavor, comecei a correr para a cidade, gritando:
- Socorro! Socorro! Fogo! Fogo! Encontrei algumas pessoas que já vinham correndo e voltei com elas.
Nessas alturas, a casa não era mais que uma horrível e imponente pira funerária, monstruosa pira funerária que iluminava tudo, pira funerária onde homens ardiam, e ele também estava sendo queimado.
Ele, ele, meu prisioneiro, o novo Ser, o novo Senhor, o Horla!
De repente, o telhado desabou entre as paredes, e um vulcão de chamas voou até o céu.
Pelas janelas abertas naquela fornalha, vi as chamas disparando e pensei que ele estivesse lá, naquele forno, morto.
Morto? Talvez?... Seu corpo? Não seria seu corpo, transparente, indestrutível pelos meios que conseguiam matar os nossos?
E se ele não estivesse morto?... Talvez só o tempo tenha poder sobre esse Ser Invisível e Terrível.
Qual a razão desse corpo transparente e irreconhecível, esse corpo pertencente a um espírito, se também tem de temer doenças, fraquezas e ruína prematura?
Ruína prematura?
Todo o terror humano tem aí sua origem! Depois do homem, o Horla. Depois daquele que pode morrer todo dia, a toda hora, a todo o momento, de qualquer acidente, veio o que morreria apenas na hora, no dia e no minuto apropriado, porque tocara os limites de sua própria existência!
Não, não...
Sem dúvida, não está morto...
Então...
Então...
acho que terei de me matar!...

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Henry René Albert Guy de Maupassant, 05/08/1959 -6/07/1883, foi um escritor, poeta e um dos maiores contistas de todos os tempos. Sua obra é conhecida por retratar situações psicológicas e fazer crítica social com técnica naturalista. Entre 1875 e 1885, produziu a maior parte de seus romances e contos. Escreveu pelo menos 300 histórias curtas, muitas das quais se tornaram mundialmente conhecidas, como Bola de Sebo, O Colar, Uma Aventura Parisiense, Mademoiselle Fifi, Miss Harriett e O Horla considerado por muitos como sua obra prima.


Em 1882, Guy de Maupassant tentou o suicídio. Morreu no ano seguinte, em um manicômio, aos 43 anos de idade. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse, em Paris.







Sexta-feira, Julho 24, 2009

Enquanto a chuva cai...


A chuva cai. O ar fica mole...
Indistinto... ambarino... gris...
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como a bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais,.
Minh'alma sofre e sonha e goza
Á cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados...
Dos sós... - ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer...
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.
É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e migir,
O lamento das quedas-d'água!
Manoel Bandeira

Terça-feira, Julho 14, 2009

Via Láctea

Estava mais angustiado
Que um goleiro na hora do gol
Quando voce entrou em mim
Como um sol num quintal
Aí um analista amigo meu
Disse que desse jeito não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda
Que um encontro casual
Aí um analista amigo meu
Disse que desse jeito não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda
Que uma transa sensual
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite dia
Fazendo tudo e de novoDizendo:
Sim a paixao morando na filosofia
Eu quero gozar no seu céu
Pode ser no seu inferno
Viver a divina comédia humana
Onde nada é eterno
Ora - direis : ouvir estrelas,
Certo! Perdeste o senso
E eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo
Tempo e algum modo de dizer não, eu canto
Enquanto houver espaço , corpo
Tempo e algum modo de dizer não, eu canto
Enquanto houver espaço ,corpo
Tempo e algum modo de dizer não, eu canto
Divina Comédia Humana
Belchior
"Ora (direis) ouvir estrelas!
Certo perdeste o senso!"
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?
"E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918)
escritor, jornalista, poeta brasileiro e membro fundador da ABL.

Sexta-feira, Julho 10, 2009


Terça-feira, Julho 07, 2009

"amar é morar um no outro"

m.quintana
irisz agocs

Quinta-feira, Junho 25, 2009

O REI DO POP

She was more like a beauty queen from a movie scene
I said dont mind, but what do you mean I am the one
Who will dance on the floor in the round
She said I am the one who will dance on the floor in the round
She told me her name was billie jean, as she caused a scene
Then every head turned with eyes that dreamed of being the one Who will dance on the floor in the round
People always told me be careful of what you do
And dont go around breaking young girls hearts
And mother always told me be careful of who you love
And be careful of what you do cause the lie becomes the truth
Billie jean is not my lover
Shes just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son
For forty days and forty nights
The law was on her side
But who can stand when shes in demand
Her schemes and plans
cause we danced on the floor in the round
So take my strong advice, just remember to always think twice(do think twice)
She told my baby,we where dancing still 3:00
Then she looked at me, she show me a photo
My baby cried, cause his eyes where like mine
People always told me be careful of what you do
And dont go around breaking young girls hearts
She came and stood right by me
Then the smell of sweet perfume
This happened much too soon
She called me to her room
Billie jean is not my lover
Shes just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
Billie jean is not my lover
Shes just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son
Billie jean is not my lover
Shes just a girl who claims that I am the one
But the kid is not my son
She says I am the one, but the kid is not my son
She says I am the one, she says he is my son
She says I am the one
Billie jean is not my lover
Billie Jean
Written & composed by Michael Jackson

Terça-feira, Junho 23, 2009

rrrrrrrrrrrr

O livro de Vicki Myron conta a história de Dewey Readmore Books, um gatinho que fora abandonado na caixa de coleta da biblioteca de Spencer, Iowa, nos Estados Unidos no rigoroso inverno de 1988, e foi acolhido com muito carinho pela diretora da biblioteca.
O livro terá adaptação no cinema dentro de dois anos, tendo a atriz Meryl Streep no papel da bibliotecária, segundo o site queridos gatos.
Vamos aguardar!!!
"...Já tinham se passado vinte minutos desde que eu tirara o bichinho de dentro da caixa de coleta. Tive bastante tempo para refletir sobre algumas coisas: a prática, que já fora comum, de manter gatos em bibliotecas, meu plano crônico para tornar a biblioteca mais amigável e atraente, a logística de tigelas, comida e detritos de gato, a expressão confiante na cara do gatinho quando ele se enterrou em meu peito e olhou-me nos olhos. Assim, eu estava mais do que preparada quando alguém finalmente perguntou: “O que faremos com ele?”.
“Bem”, respondi como se o pensamento tivesse acabado de me ocorrer, “talvez pudéssemos ficar com ele.”

Domingo, Junho 21, 2009

http://www.butterflypictures.net/index.html
Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...
Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que,
de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade.
Ele é que faz cair todas as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata.
Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar.
Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar.
Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,
agora um Deus dança em mim!
Nietzsche

Sábado, Junho 20, 2009

Prospero's Books




Prospero’s Books (1991) de Peter Greenaway é uma recriação de "A Tempestade de Shakespeare"

Quarta-feira, Junho 17, 2009

verdades



What if there was no lie
Nothing wrong nothing right
What if there was no time
And no reason or rhyme
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life
What if I got it wrongAnd no poem or song
Could put right what I got wrong
Or make you feel I belong
What if you should decide
That you don't want me there by your side
That you don't want me there in your life
Oooh that's rightLet's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right
Every step that you take
Could be your big
gest mistake
It could bend or it could break
That's the risk that you take
What if you should decide
That you don't want me there in your life
That you don't want me there by your side
Oooh that's right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
How can you know it when you don't even try
Oooh that's right
Oooh thats right
Let's take a breath jump over the side
Oooh let's try
You know that darkness always turns into light
Oooh that's right


What If
Coldplay
Irisz Agocs

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti, quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto, achares uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares;
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais nem pretensioso;
Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
De sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder, e ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
A dar o que for que neles ainda existe;
E a persistir assim quando exausto, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste”!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
E, entre reis, não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra, com tudo o que existe no mundo,
E - o que é mais - serás um Homem, meu filho!

Rudyard Kipling foi um novelista,contista e poeta,Kypling é lembrado pela divulgação e celebração do imperialismo e heroísmo britânico na India. Foi o primeiro escritor inglês a receber o Nobel de Literatura, em 1907. Seus escritos mais populares são THE JUNGLE BOOK (1894) and the JUST SO STORIES,(1902), este último contendo uma coletânea de lindas estórias sobre como os animais se trasnformaram no que são hoje. Nascido em Bombaim na India, é considerado inglês, porque a India, na época, pertencia ao Reino Unido.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Para sempre

"embora um pouco atrasado, para as queridas mamães: verinha, fatima, bernadete, olinda, neuza, milza, cristina, vanessa, thais, carminha, dri, renata.........................
que sejam todos os dias seu dia"





Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.


Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Drummond
il. irisz agocs

Sábado, Maio 09, 2009

a arte surrealista de Vladmir Kusch





http://www.vladimirkush.com/

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida.
Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).
O dinheiro não era nada, o poder não era nada.
Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada.
Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim.
Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.


A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar.
Feliz é quem pode amar muito.

Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.




Hermann Hesse


(Para ler e pensar)

A ave do meu sonho seguiria em busca do amigo...

"A ave sai do ovo.
O ovo é o mundo.
Quem quiser nascer tem que destruir um mundo.
A ave voa para Deus.
E o deus se chama Abraxas!"

Hermann Hesse

(capítulo quinto, Demian)

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Miau

Ode aos gatos
Artur da Távola


"Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso.
Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece.
O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado? Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor? Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo?
Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive à custa dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso. “Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se.
Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.
Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.
A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relacionam-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.
O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega atenção. Desatentos não agradam os gatos. Barulhos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem."


Sexta-feira, Abril 17, 2009

Para gostar de ler

"23 de abril Dia Mundial do Livro"







“ Quem lê exibe nos olhos páginas de brilho e uma discreta crença nos milagres, na força do encantamento. Quem lê puxa o charme e a sardinha para si, e realmente enche os olhos com intermináveis adesivos de novidades e tem sempre um sorriso inusitado para abrir. Adquire autoconfiança e recupera a vivacidade, o lirismo, o mistério.
A realidade interna de quem lê não tem limites e o próprio ato de ler alarga a espiritualidade, propicia felicidade e coloca as respostas e soluções de que o leitor precisa a seus pés.”
"Colcha de Leituras: unindo amores, alinhando leitores” - Jonas Ribeiro
Image: Jean Honoré Fragonard - "boy reading book"- 1776
"Quem sabe ler um pingo é letra! e o mundo uma ervilha!!!!!!!"
"Quem sabe ler um pingo é letra, e o mundo uma ervilha!!!!!!!"
malu

Terça-feira, Abril 14, 2009

Esperança

"Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

Quinta-feira, Março 19, 2009

como uma viagem de trem...

Dia desses, li um livro que comparava a vida
a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques. Quando nascemos ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão conosco a viagem até o fim : Nossos pais. Não é verdade.
Infelizmente em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção,amor e afeto.
Mas isso não impede que durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós: nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa .
Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegar até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar. Essa viagem é assim : cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jámais volta.
Façamos dessa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que ,em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e provavelmente ,precisamos entender isso. Nós mesmo fraquejamos algumas vezes. E, certamente ,alguém nos entendera.
O grande misterio é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: Quando eu descer desse trem sentirei saudades ? Sim.
Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste, separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será dolorido.
Mas me agarro na esperança de que em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de ve-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. E o que me deixará feliz é saber que de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.
Agora nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha perspectiva aumenta, à medida que o trem vai diminuindo a velocidade.. Quem entrará? Quem sairá?
Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também ,como o término de uma história ,de algo que duas ou mais pessoas construiram e que, por motivo ínfimo deixaram desmoronar.
Fico feliz em saber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de "todos os passageiros".
desconheço a autoria

Sexta-feira, Março 13, 2009

o amor quando se revela...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente

sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa - O amor

ilust: http://www.kurthalsey.com/


Quinta-feira, Março 12, 2009

Dia do bibliotecário

Brinque de vestir a bibliotecária


As novas tecnologias chegaram, e novas formas de gerenciamento da informação também!!!

A bibliotecária deixou de ser aquela figura séria que apenas organiza os livros na estante!

O site Librarian Dress Up! ajuda você a quebrar esse estereótipo.

Basta arrastar as roupinhas e mudar o visual!

Este post peguei emprestado do Alessandro no blog:

http://livroseafins.com/2008/02/08/brinque-de-vestir-a-bibliotecaria/

Terça-feira, Março 10, 2009

brincar de viver


Quem me chamou?
Quem vai querer
Voltar pro ninho
Redescobrir seu lugar...
Prá retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar...
Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você
Responde "sim"
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo
Diz "não"...
Você verá
Que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver...
Não esquecer
Ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer..
Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você
Responde "sim"
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo
Diz "não"...
E eu desejo amar
A todos que eu cruzar
Pelo meu caminho
Como eu sou feliz
Eu quero ver feliz
Quem andar comigo...
Vem!
Agora é brincar de viver!
Agora é brincar de viver!...
canção:Guilherme Arantes
ilust. irisz agocs

Terça-feira, Março 03, 2009

Aprendiz de amigo

Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida,
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distancias!

Fernando Pessoa



...Não há tempo consumido
Nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
De amor e tempo de amar.
O meu tempo, e o teu, amada,
Transcendem qualquer medida.
Além do amor não há nada,
Amar é o sumo da vida!
Drummond

Domingo, Março 01, 2009

arte nas mãos

O artista italiano GUIDO DANIELE é conhecido por usar mãos humanas como tela para pintar figuras de animais. Ele começou a desenvolver essa inusitada técnica artística em 2001, depois de pintar a cabeça de um animal na mão de uma modelo. O artista leva de duas a dez horas para completar o trabalho, dependendo do grau de complexidade.



para se amar de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome…Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é…Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.Hoje sei que se chama… Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.Hoje sei que isso é… Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes.Hoje descobri a… Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é…Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.Tudo isso é… Saber viver!!!

Embora esse lindo texto muitas vezes seja atribuído a Charlie Chaplin, não é, e sim de Kim McMillen. Mas, de qualque maneira, poderia sim ter sido escrito pelo grande ator e diretor.

maiores informações aqui:http://charliechaplin.wordpress.com/

site dedicado aos admiradores e pesquisadores da obra do estimado ator e diretor Charlie Chaplin.

RenéMagritte
promisse bird




Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

suedehead

Why do you come here ?
And why do you hang around ?
I'm so sorry I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me ?
When you know, oh Why do you come ?
Why do you telephone ? (Hmm...)
And why send me silly notes ?
I'm so sorry I'm so sorry
Why do you come here
When you know it makes things hard for me ?
When you know, oh
Why do you come ?
You had to sneak into my room 'just' to read my diary
"It was just to see, just to see" (All the things you knew I'd written about you...)
Oh, so many illustrations
Oh, but I'm so very sickened
Oh, I am so sickened now
Oh, it was a good lay, good lay
It was a good lay, good lay
Suedehead-Morrissey
Irissz Agocs

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Amor mais amoroso do que o amor

Para construir a paz é preciso uma ética da amizade


Esta expressão, que parece envolver um pleonasmo ou contradição de termos, me veio à mente ao ler algumas citações de Nietzsche sobre a amizade. Esta semana começou com o 14 de fevereiro, consagrado internacionalmente como “dia da amizade”. O mundo atual fala muito de amor, com acertos e, às vezes, com alguma confusão. Raramente fala de amizade. Entretanto, se queremos aprofundar, cada vez mais, uma cultura de paz, um elemento a ser desenvolvido é uma ética da amizade. Por isso, convido vocês a juntos refletir sobre o papel que temos na vida das pessoas amigas; e estas, em nossa vida pessoal. Já contei aqui, mas sempre gosto de recordar que, uma vez, visitando uma comunidade indígena, entrevistei o mais velho do grupo. Ele aceitou responder minhas perguntas e contar algo de sua cultura. Senti que confiou em mim e se abriu. Marcamos um encontro para o dia seguinte de manhã. Já nos despedíamos, quando ele me perguntou:– Aonde vamos nos encontrar?Respondi:– Posso ir à sua casa. Ele me olhou com simpatia, mas me disse sem qualquer tom de censura:– Quando formos amigos, eu o convidarei para entrar em minha casa.Em nossa sociedade, já não há mais ritos nem respeito ao necessário processo para o aprofundamento de uma relação. Há mais de 50 anos, Saint Exupery escrevia “O Pequeno Príncipe”. Nesta parábola que percorreu o mundo, o principezinho dizia à raposa: “O essencial é invisível aos olhos... Cativar é criar laços. Para ser amigo, é preciso cativar. Isso exige tempo. As pessoas querem comprar tudo pronto nas lojas. Como não existe loja de amigos, as pessoas não têm mais amigos”.A fraternidade e o amor ao próximo são propostas universais. Somos todos irmãos e irmãs e devemos nos relacionar como tal. Já a amizade é uma relação privilegiada e particular entre pessoas que se escolhem como companheiros e parceiros de vida. Colegas se encontram, por acaso, ao estudarem na mesma classe ou trabalharem na mesma firma. Companheiros e camaradas se fazem em torno de uma causa comum. Às vezes, colegas e companheiros se tornam amigos. Mas, este é um processo livre e gratuito. Amigos se elegem para uma aliança de vida que toca verdadeiramente na interioridade de cada um, expressa-se pelo acolhimento interior um do outro e se exercita na capacidade de convívio entre pessoas diferentes. Qualquer pessoa que conhece melhor outra tende a construir logo pontos de identificação comum. “Você é de tal região. Eu também. Temos os mesmos gostos. Sobre tais e tais pontos, temos o mesmo pensamento”. Este caminho é natural, mas é enganoso. Quem entra neste jogo, logo descobre que cada pessoa é radicalmente diferente da outra. Não adianta buscar um mínimo-denominador-comum. Mesmo se há pontos de semelhança, o que pode me aproximar de você com mais profundidade e sinceridade não é o fato de que somos, em muitas coisas, semelhantes e sim a plena aceitação das diferenças, assumidas, não apenas como um respeito distante e sim como um compromisso de caminhar juntos, sabendo que as diferenças podem nos dividir, mas podem também (e isso é a tarefa da amizade) nos unir e permitir que façamos juntos, como dizia alguém: “coisas belas e difíceis”.O segredo da amizade é tornar as pessoas capazes de se sentir unidas uma à outra, não a partir das igualdades e pontos em comum, mas exatamente das diferenças mútuas. Sobre este assunto, os textos que, ultimamente mais me impressionaram são citações de importantes obras de Friedrich Nietzsche. Ele critica a idéia comum de que o amor conjugal seja direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra e denuncia esta pulsão das pessoas quererem se apropriar da outra em nome do amor. Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa também se queixa desse sentimento: “Não só quem nos odeia ou nos inveja nos limita e oprime. Quem nos ama não menos nos limita”. Nietzsche chega a dizer que, na sociedade vigente, o amor sexual é a expressão mais natural do egoísmo humano. De repente, pondera: “Existe no mundo, aqui e ali, uma espécie de dominação do amor, na qual a ambiciosa ânsia que duas pessoas têm uma pela outra dá lugar a um novo desejo e cobiça, a uma elevada sede conjunta de um ideal acima delas. Mas, quem conhece tal amor? Quem o experimentou? Seu verdadeiro nome é amizade” (A Gaia Ciência, I, 14). “A verdadeira amizade nasce quando se tem o outro em grande estima, maior do que a que temos por nós mesmos. Aí procuramos amar, cuidando prudentemente de não cair em uma intimidade que possa ser invasiva e chegar a confundir o eu e o tu” (Humano demasiadamente humano, II, 1).De fato, não existe possibilidade de desenvolver um eu sem o tu. Emanuel Levinas chega a dizer que é o outro que me restitui a mim mesmo e me possibilita ser eu. Por isso, é importante que a amizade não ceda à ânsia natural da identificação, da fusão, da confusão entre o tu e o eu. Martin Buber afirma: “Eu não experiencio o ser humano a quem digo Tu. Entro em relação com ele no santuário da palavra-princípio”. Relações afetivas nas quais as pessoas se tornam emocionalmente dependentes uma da outra e parece que cuidam de manter esta dependência – seja emocional, sexual ou mesmo apenas intelectual – são, de qualquer forma, relações. Podem ser passos que ajudam as pessoas a saírem do seu isolamento selvagem e o seu medo de relacionar-se. Entretanto, se quiserem se tornar verdadeiras e profundas amizades, têm de descobrir o caminho da alteridade, o respeito amoroso da distância mútua, da autonomia fundamental de cada um. Essa arte de fazer acordos na discordância e poder sentir-se unidos nas diferenças é uma dimensão de descoberta do outro e de educação afetiva que possibilita o caminho comum. Mesmo casais e pessoas que vivem o compromisso do amor conjugal ganhariam em assumir o fato de que entre um ser humano e outro, mesmo o mais íntimo e próximo, existe uma distância infinita que não pode ser escamoteada e só será verdadeiramente transposta através de pontes e alianças sinceras e não de transferências afetivas e conquistas baratas. Talvez alguém, lendo esta reflexão, pense que amizade é uma coisa complicada. De fato, como dizia o Riobaldo do “Grande Sertão Veredas”, “viver é muito complicado”, mas vale a pena o esforço porque quem consegue aprofundar este caminho da amizade pode confirmar: é uma alegria imensa, um prazer que nenhum filósofo será capaz de descrever. Nos “Provérbios do Inferno”, diz William Blake: “O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia, o ser humano, a amizade”. Para mim e para muita gente, o caminho do aprofundamento da amizade é uma opção espiritual. Para os cristãos, Jesus Cristo é mediador da nossa relação com Deus e também das nossas relações de amizade. Ele nos faz descobrir o rosto divino presente no outro; e esta outra pessoa (o amigo) nos ajuda a aprimorar e viver com mais intensidade o melhor que existe dentro de nós mesmos.

Esta excelente matéria é de autoria de Marcelo Barros, ele é monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro, extraída da ADITAL Agência de Informação Frei Tito para a América Latina.
vivo tão intensamente o momento presente...
que quase chego atrasada ao momento seguinte...
iriszagocs
r.apoema

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

´pra você


se quiser ver mais do trabalho da artista Irisz Agocs, pode visitar seu Flickr, seu blog e seu website.

o meu olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momentoPara a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia;
tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caieiro

Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

"Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais (…) os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento. "

(Charles Darwin)

você

Não sei...
Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto dura
CoraCoralina
desenho:irisz argocs

If...

irisz agocs

Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

2009













imagens: filme:crianças invisíveis/menino em gaza
A PAZ EM VARIOS IDIOMAS

Abenaki OLAKAMIGENOKA
Afrikaans VREDE
Akan ASOMDWOE
Akkadian SALMU
Alabama ITTIMOKLA
Albanês PAQE
Algonquin WAKI IJIWEBISI
Alsaciano FRIEDE
Amharic SELAM
Árabe SALAM
Aranese PATZ
Armenio ASHKHARH
Assamese SHANTI
Aymara HACANA
Bemba MUTENDEN
Basque (Euzkera) BAKEA
Bavariano FRIDN
Batak PARDAMEAN
Belorusso PAKOJ
Bengali SHANTI
Bhojpuri SHANTI
Bislama PIS
Blackfoot INNAIHTSIIYA
Bosniano MIR
Bretão PEOCH
Búlgaro MIR
Buli GOOM-JIGI
Burmese NYEIN CHAN YAY
Cantonês PENG ON
Carolinian GUNNAMMWEY
Catalão PAU
Cebuano KALINAW
Chamorro MINAGGEM
Checo MIR
Cheyenne NANOMONSETOTSE
Chewa MTENDERE
Chinês HE-PING
Choctaw ACHUKMA
Chontal AYLOBAHA GAFULEYA
Chuuk KUNAMMWEY
Comanche TSUMUKIKATU
Corsican (north) PACE
Corsican (south) PACI
Creole PAIX
Crio PIS
Dari SULH
Dinamarquês FRED
Duala MUSANGO
Egípcio HETEP
Ekari MUKA MUKA
Eslovaco MIER
Esloveno MIR
Esperanto PACO
Esquimó ERKIGSNEK
Estoniano RAHU
Faeroese FRIDUR
Fanagolo KUTULA
Farsi (Persa) SOLH
Fijiano VAKACEGU
Filipino PASENSIYA
Finlandês RAUHA
Flemish VREDE
Fon FIFA
Francês PAIX
Francês (antigo) PAIS
Fresian FRED
Fula JAM
Gaelico-Irlandês SIOCHAIN
Gaelico-Escocês SIOCHAINT
Galiciano PAZ
Alemão FRIEDEN
Gikuyu THAYU
Grego EIPHNH
Greenlandic EQQISAQATIGIINEQ
Guarani PYGUAPY
Gujarati SHANTI
Halaka PEGDUB
Hausa LUMANA
Hawaiano MALUHIA
Hebreu SHALOM
Hindi SHANTI
Hokkien TAI PENG
Holandês VREDE
Hopi I-NU-MU (=peaceful)
Húngaro BEKE
Icelandic FRIDUR
Icelandic(older) FRIDR
Igbo UDO
Ila CHIBANDA
Indonésio DAMAI
Inglês PEACE
Inuktitut ANUSDAKE
Italiano PACE
Japonês HEIWA
Javanês RUKUN
Kannada SHANTI
Kazakh MIR
Kekchi TUKTUQUIL USILAL
Khmer(Cambodjano) SANTEKPHEP
Kinyarwanda AMAHORO
Kirundi AMAHORO
Klingon ROJ
Koasati ILIFAYKA
Coreano PYOUNG-HWA
Kosati ILIFAYKA
Kurdish ASHTI
Kusaiean MIHS
Lakota WOWANWA
Lao MITSUMPUN
Latim PAX
Latvian MIERS
Lingala KIMIA
Lithuanian TAIKA
Lojban PANPI
Luganda EMIREMBE
Magindanain KALILINTAD
Mahican ANACHEMOWEGAN
Malagasi FANDRIAMPAHALAMANA
Malay KEAMANAN (SALAM DAMAI?)
Malgache FANDRIAMPAHALEMANA
Maltês PACIMandarim HA-PIN
Manobo LINEWMaori RONGO
Mapundungun UVCHIN
Maranao DIAKATRA
Marshallese AENOMMAN
Mentaiwan PERDAMIA
MMetis Cree PEYAHTUKE YIMOWIN
Micmac WONTOKODE
Miskito KUPIA KUMI LAKA
Mokilese ONPEK
Mongo BEOTO
Mongolian ENKH TAIVAN (?)
Mossi LAFI
Munsterian ECHNAHCATON
Navajo KE
Nepali SAANTI
Nez Perce EYEWI
Nhengatu TECOCATU
Norueguês FRED
Ntomba NYE
Nyanja MTENDERE
Ojibwe BANGAN (=to be peaceful)
Otomi HMETHO
Palauan BUDECH
Pali NIRUDHO
Papago DODOLIMDAG
Pashto AMNIAT
Pintupi YATANPA
Polonês POKOJ
Ponapean MELELILEI
Português PAZ
Potawatomi ETOKMITEK
Punjabi SHANTI
Pustu SULA
Quechua CASILLA (?)
Rapanui KIBA KIBA
Romanês PACE
Romansch PASCH
Ruanda NIMUHORE
Rundi AMAHORO
Russo MIR
Saa DAILAMA
Sami RAFAIDUHHTIT
Samoano FILEMU
Sanskrit SHANTIH
Sardinian PACHE
Servio MIR
Sesotho KHOTSO
Setswana KAGISO
Shona RUNYARO
Shinhala SAMAYA
Sioux WOOKEYEH
Siswati KUTHULA
Somali NABAD
Espanhol PAZ
Srilankan SAAMAYA
Sueco FRED
Swahili USALAMA (SALAMA?)
Tagalog KAPAYAPAAN
Tamazight(Berber) TALWIT
Tamil SAMADAANAM
Tangut NEI
Tatar DUSLIK
Telugu SHANTI
Thai SANTIPAB
Thiraro MBUKUSHI
Tibetano ZHIDE
Tlingit LI-KEI
Tongan MELINO
Truk KUNAMMWEY
Tsalagi NVWHTOHIYADA
Tswana KHOTSO
Turco PARAHATCYLYK
Twi-Akan ASOMDWEE
Ucraniano MIR
Uighur SAQ
Urdu AMAN
Uzbek TINCHLIK
Verlent PAXTEM
Vietnamita HOA BINH
Welsh HEDD
Wintu MINA
Woleaian GUMUND
Xhosa UXOLO
Yiddish SHULAM
Yoruba ALAAFIA
Yue SAI GAAI OH PIHNG
Zapotec LAYENI
Zulu HULA (UXOLO?)


Se encontrarem em algum idioma que não esteja aqui, comente

Terça-feira, Novembro 18, 2008



"Se você pode sonhá-lo você pode fazê-lo."
(Walt Disney)

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

O Tempo e o rio



O tempo é a
Substância de que sou feito.
O tempo é um rio que me arrebata,
Mas eu sou o rio

Jorge Luis Borges
Pintura: Salvador Dali

Sexta-feira, Outubro 31, 2008

Saci-pererê


A Lenda do Saci data do fim do século XVIII.
Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.
É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificílmente se sabe de onde vem.
Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele, deve jogar cordas com nós em seu caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja.
Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.
Saci-PererêNomes comuns: Saci-Cererê, Saci-Trique, Saçurá, Matimpererê, Matintaperera, etc. Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo, mas em Portugal há relatos de uma entidade semelhante. Este mito não existia no Brasil Colonial. Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas. Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações: Por exemplo, dizem que ele tem as mãoa furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda. Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer. Ele tem o poder de se transformar no que quizer. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Bons Amigos


"Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem
pedir.

Porque amigo não se pede, não se compra, nem se
vende.

Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com
o olhar.

Porque amigo não se cala, não questiona, nem se
rende.

Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o
ombro pra chorar.

Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua
verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o
chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes,
verdadeiros.

Porque amigos são herdeiros da real
sagacidade.

Ter amigos é a melhor
cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm
espinho,

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm
rosas!"

100 Anos sem Joaquim Maria Machado de Assis,

"O melhor" cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta brasileiro!

Ilustração do Projeto Educacional Popular Machado de Assis

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Infinito


"Para ver o mundo num grão de areia

E o céu numa flor silvestre,

Segura o infinito na palma da tua mão

E a eternidade numa hora".

William Blake

Sexta-feira, Julho 18, 2008


broken heart




"Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"

Florbela Espanca

Sexta-feira, Julho 11, 2008

lerolinho

Quinta-feira, Julho 10, 2008

A Arte Surreal de René Magritte

Nietzsche - a construção do Zaratustra

"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem:
uma corda sobre um abismo;
travessia perigosa, temerário caminhar,
perigosos olhar para trás,
perigoso tremer e parar."
Nietzsche "Assim falou Zaratustra", 1883
“A ponte de Heráclito”, 1935 por René Magritte.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão


Drummond

Terça-feira, Abril 15, 2008

Artista do dia

réplica de bicicleta projetado por Da Vinci
"De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que, através de seu espírito e da superioridade desua inteligência, possamos atingir o Céu"
Visari ( século XVI).
Leonardo di ser Piero da Vinci (Anchiano, 15 de Abril (Calendário Juliano) ou 25 de Abril (Calendário Gregoriano) de 1452Cloux, Amboise, 2 de Maio de 1519)
É considerado um dos maiores gênios da história da humanidade

Quarta-feira, Março 12, 2008

Dia do Bibliotecário

Quem disse que os bibliotecários são pessoas obscuras, ignoradas, que passam a vida em uma biblioteca, sem pena e sem glória?
Vejam que interessante este texto escrito por um bibliotecário costarriquenho chamado Alvaro Perez:
"Hoje me encontrei com um colega na Biblioteca Carlos Monge Alfaro. Dizia-me ele que nós, bibliotecários, podemos ganhar dinheiro, pois lidamos com a informação. Por dinheiro referia-se a uma quantidade considerável, não uns centavinhos.
"Disse-lhe que escreveria sobre a vida de bibliotecário famosos, esperando assim encontrar uma relação entre a informação que manejamos e o que poderíamos ganhar como bibliotecários.
"Desafortunadamente, após a investigação, não apareceram como bibliotecários pessoas como Bill Gates, Nelson Rockfeller, Howard Hughes Ford, etc.
"É certo que trabalhamos com informação, mas no mais das vezes não a vinculamos a conhecimento. O conhecimento, como tal, inclui o obsoleto e também aquele que faz a diferença entre uma sociedade e outra, entre uma pessoa e outra.
"Na realidade este tema é bastante amplo e prefiro parar aqui. Tudo é informação, mas informação que se traduza em muito dinheiro, isso é outra coisa.
"O que têm em comum as seguintes pessoas famosas: Casanova, J. Edgar Hoover e Mao Tsé-Tung?
Se a resposta for que eles trabalharam anonimamente em algum momento de suas carreiras, estará parcialmente correta. Em algum momento de suas vidas eles trabalharam em bibliotecas. São bibliotecários famosos, ainda que não como bibliotecários.
"Os bibliotecários são especialistas em localizar, adquirir e armazenar e recuperar informação, mas não é isso o que fazem todos os dias? Muita gente famosa trabalhava em biblioteca ou estava relacionada com sua implantação e desenvolvimento.
"Casanova atuou por 13 anos como bibliotecário no castelo do Conde Waldstein, na Boêmia, provavelmente baseado no lema de que 'os bibliotecários são apaixonados por novelas'.
"Hoover trabalhou como catalogador da Biblioteca do Congresso por cinco anos antes de se transferir para seu emprego mais conhecido, de diretor do FBI.
"Mao passou um tempo na seção de periódicos da biblioteca da Universidade de Beijing antes de ser presidente do Partido Comunista Chinês.
"Os livros têm sido vistos como fontes de idéias perigosas. As longas horas que Marx passou na biblioteca do Museu Britânico são um recorde (visto em número de horas). Esse é um exemplo da influência do bibliotecário e da biblioteca na área política.
"Engels, colaborador de Marx, também trabalhou em bibliotecas.
"Antonio Panizzi, político italiano exilado na Inglaterra, chegou a ser bibliotecário-chefe da biblioteca do museu Britânico. De volta à Itália, foi senador.
"As bibliotecárias servem de ilustração para dizer que atrás de um grande homem há uma grande mulher.
"Nadezhda Krupskaia fundou o sistema bibliotecário soviético. Além disso, escreveu e fez palestras sobre a importância das bibliotecas e da leitura na sociedade socialista. Foi uma figura importante na Revolução Russa, além de esposa de Lenin.
"Também famosa foi Golda Meir, bibliotecária em uma biblioteca pública em Milwualkee e em seguida primeira-ministro de Israel.
"O novelista inglês John Briane também foi bibliotecário em uma biblioteca pública.
"Jorge Luis Borges, que bem merecera o Prêmio Nobel de Literatura, trabalhou como bibliotecário até ser despedido pela ditadura Perón. Mais tarde foi nomeado diretor da biblioteca nacional de seu país (Argentina).
"Outras figuras importantes a citar: o novelista sueco August Strindberg, o multitalentoso Goethe e os irmãos Grimm. O compositor francês Berlioz (30 anos no Conservatório da Biblioteca de Paris) é o melhor bibliotecário artista conhecido.
"E o que dizer da Igreja?
"São Benedito foi importante no desenvolvimento de bibliotecas monásticas, começando com a de Monte Cassino. Mas ele não estava só: ao menos seis papas trabalharam em bibliotecas: Marcelo II (1555), Nicolás V (1447-55), Paulo V (1605-21), Pio II (1458-64), Pio VII (1800-23) e Pio XI (1922-39).
"Os filósofos Hume e Kant eram bibliotecários. Alexander Solzhenitsyn foi bibliotecário na prisão, enquanto cumpria sua sentença por criticar Stalin."


Juan Manoel Pineda, bibliotecário referencista do Instituto Universitário de Córdoba, Argentina
Tradução de Elieser Marques

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

Pedido especial







"Papai do Céu,
me dá um namorado
lindo,(rico) fiel, gentil e tarado...




R.Lee

Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Dia do Livro Didático

27 de fevereiro - Dia Nacional do Livro Didático

O governo brasileiro instituiu o Dia Nacional do Livro Didático para nos lembrar deste importante instrumento de aprendizado. O que seria da gente sem o livro didático? É ele que traz todas as descobertas e o conhecimento do mundo para dentro de nossa cabeça. Graças ao livro didático, aprendemos a cada dia uma nova lição!

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


De tal modo me converti na ficção de mim
mesmo que qualquer sentimento natural que eu
tenho, desde logo, desde que nasce, se me transforma
num sentimento da imaginação - a memória em
sonho, o sonho em esquecer-me dele, o conhecer-me
em não pensar em mim.

Fernando Pessoa

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Vôo




Voa, que há liberdade,
Voa por inteiro,
escuta tua vontade,
Voa em devaneio,
abandona a sanidade,
Voa o vôo do nobre anseio,
e retorna quando der saudade...


Rafael Vecchio

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

PAZ



Ensinamentos Para Um Mundo Melhor




Quando me apresso em corrigir defeitos nos outros, é porque não consegui corrigi-lo em mim mesmo.
Quando cometo atos com a pretensão de convencer o outro, eu duvido de mim mesmo.
Quando vivencio uma luta contra o mundo, estou negando a responsabilidade pelas minhas próprias criações.
Quando me sinto só e isolado, não consegui perdoar.
Quando os fatos se repetem por si mesmos em minha vida, há algo que preciso aprender.
"Posso aprender a estar alerta para meu auto-engano.
Posso aprender a reconhecer os sinais de que estou perdendo minha integridade".

H. P.

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Receita de Ano Novo


Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo,espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar que
por decreto de esperança a partir de janeiro
as coisas mudem e seja tudo claridade,recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro,tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo,eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

O tamanho das pessoas


Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
A Amizade,
O Carinho,
O Respeito,
O Zelo,
E até mesmo o Amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você. E pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoagrande...
...é a sua sensibilidade, sem tamanho...
William Shakespeare
"Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não da minha altura"
Fernando Pessoa

Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Hieróglifos

Este é o meu nome em hieróglifos egípcios.
Veja como fica o seu aqui.

Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Explicação necessária


Se a Bulgária existe, então a cidade de Sófia terá que fatalmente existir. Este é o único ponto no qual parecem assentir os que negam e os que defendem intransigentemente a existência daquele amorável país, desde os tempos antediluvianos até os dias pré-diluvianos de hoje.
Neste livro não se pretende firmar nenhuma verdade definitiva sobre essa imortal controvérsia, em que pese ao número crescente de pseudoviajantes e outros aventureiros que, munidos de documentos irrefutáveis, provam ou tentam provar a cada passo o seu respeitável ponto de vista – escudados muitas vezes no prestígio de assembléias ou conferências as mais internacionais. O autor pessoalmente , e é o que se verá, já teve oportunidade de conhecer e mesmo de entabular conversação com mais de um relutante búlgaro, e até mesmo com uma búlgara, todos de uma reputação acima de ilibada e merecedores da maior estima e simpatia: mas como também já viu de perto alguns fantasmas e até o próprio Diabo, reserva-se o direito de só opinar definitivamente sobre o assunto depois que outros mais abalizados ou afortunados o tenham feito, à luz das novas ciências ou das que porventura ainda estejam por surgir.
Aqui o que se procura é apenas relatar, com o máximo de fidelidade, a experiência pessoal que – quase a contragosto e com o espírito sempre o mais elevado – teve o autor a oportunidade de empreender em torno dessa mirífica e cada vez mais nebulosa disputa geográfica: ou, para dizer com mais exatidão, em torno desse espanto geonomástico, como tão bem o definiu um famoso historiador búlgaro. Se bem ou malsucedida essa experiência, face aos poucos prováveis resultados que dela possam advir para o progresso da astrofísica ou da astrologia, este já é um assunto que por sua natureza escapa aos limites da presente obra, embora sejam eles tão evanescentes e imaginários quanto os do próprio reino da Bulgária.
Entende o autor, apenas que muito mais importante do que ir à Lua é ir ou pelo menos tentar ir à Bulgária – ou, quando menos descobri-la.
Da obra-prima:
"O púcaro búlgaro", foi extraído de "Campos de Carvalho — Obra reunida", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1995, pág. 309

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Gutemberg


Página dupla da 'Bíblia de 42 linhas':

Da Bíblia de 42 linhas de Gutenberg - a primeira obra impressa em série, há cerca de 500 anos -, existem apenas apenas 48 exemplares espalhados pelo mundo. Gutenberg levou vários meses (até um ano e meio, acredita-se) para concluir sua impressão da obra de 1300 páginas. A Bíblia foi impressa em Mainz, na atual Alemanha, por volta do ano 1450. Os exemplares eram vendidos sem encadernação ou ilustrações, o que era feito posteriormente, de acordo com os gostos de seus donos. Assim, cada cópia apresenta características únicas, como anotações, marcas de parágrafos e iluminuras. A figura pertence à Bíblia do espólio da Universidade do Texas. Conserva nas margens as marcas deixadas ao longo dos tempos por monges e escribas, algumas delas com indicação de trechos que deveriam ser lidos em voz alta.

aqui pode ser vista uma versão digitalizada da Bíblia
http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/permanent/gutenberg/

Antes de inventar os tipos móveis tinha sido joalheiro, conhecedor da arte da construção de moldes e da fundição de ouro e prata; por isso conseguiu fazer excelentes tipos, valiosos inclusive artisticamente como trabalho de ourives.Em 1434, Gutenberg se mudou para Estrasburgo onde permaneceu vários anos. Depois de regressar a Mogúncia, Gutenberg se associou com um comerciante que lhe financiou para realizar a impressão da Bíblia.Não se conhece muito sobre os ultimos anos da vida de Gutenberg. Sabe-se que morreu em 3 de fevereiro de 1468.Gutenberg é considerado o inventor dos tipos móveis de chumbo fundido, mais duradouros e resistentes do que os fabricados em madeira, e portanto reutilizavéis que conferiram uma enorme versatilidade ao processo de elaboração de livros e outros trabalhos impressos e permitiram a sua massificação.A imprensa é outra das contribuições de Gutenberg; com anterioridade se tinham empregado, também desde a época de Suméria, discos ou cilindros sobre os quais se tinha lavrado o negativo do texto a imprimir que geralmente era só a rubrica do dono do cilindro e outorgava certeza de autenticidade às tabletas que a levavam. As imprensas na Idade Média eram simples tabelas gordas e pesadas ou blocos de pedra que se apoiavam sobre a matriz de impressão já entintada para transferir sua imagem ao pergaminho ou papel. A imprensa de Gutenberg é uma adaptação daquelas usadas para espremer o suco das uvas na fabricação do vinho, com as quais Gutenberg estava familiarizado, pois Mogúncia, onde nasceu e viveu, está no vale do Reno, uma região vinícola desde a época dos romanos.Depois da invenção dos tipos e a adaptação da prensa vinícola, Gutenberg seguiu experimentando com a imprensa até conseguir um aparelho funcional. Também pesquisou sobre o papel e as tintas. Uns e outras tinham que se comportar de tal modo que as tintas se absorvessem pelo papel sem escorrer-se, assegurando a precisão dos traços; precisava-se que o secagem fosse rápida e a impressão permanente. Por isso, Gutenberg experimentou com pigmentos a base de azeite, que não só usou para imprimir com as matrizes, senão também para as capitulares e ilustrações que se realizavam manualmente- e com o papel de trapo de origem chinesa introduzido na Europa em sua época.O primeiro livro impresso por Gutemberg foi a Bíblia, processo que iniciou o 23 de fevereiro de 1455 e concluiu uns cinco anos depois.Para comprovar a magnificência deste inventor alemão do século XV, realiza-se anualmente, nos EUA, o "Festival Gutenberg" - uma espécie de Feira de demonstrações e inovações nas áreas do desenho gráfico, da impressão digital, da publicação e da conversão de texto - que só comprova que a invenção do mestre Gutenberg consegue, ainda hoje, cultivar seguidores que, da sua experiência-base, tentam superar o invento e adaptar as tecnologias modernas às exigentes necessidades do mundo actual.
Bíblia de Gutenberg

A Bíblia de Gutenberg é o incunábulo impresso da tradução em Latin da Bíblia, por Johann Gutenberg, em Mainz, Alemanha. A produção da Bíblia começou em 23 de fevereiro, 1455, usando uma prensa de tipos móveis. Essa Bíblia é o incunábulo mais importante pois marca o início da produção em massa de livros no Ocidente.Uma cópia completa desta Bíblia possui 1282 páginas com texto em duas colunas; a maioria era encadernada em dois volumes.Acredita-se que 180 cópias foram produzidas 45 em pergaminho e 135 em papel. Elas foram impressas, rubricadas e iluminadas à mão em um período de três anos.

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

"Eu ainda estou aprendendo"


Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano, um dos maiores nomes do Renascimento Caprese, 6 de março de 1475 — Roma, 18 de fevereiro de 1564

Em 1 de Novembro de 1512 - O teto daCapela Sistina, pintado por Michelangelo, é exibido ao público pela primeira vez.

A Arte da Poesia


"Os homens só podem compreender um livro profundo, depois de terem vivido pelo menos, uma parte daquilo que ele contém".


Ezra Pound

Ezra Weston Loomis Pound (30 de outubro de 1885, Hailey, Idaho, EUA – 1 de novembro de 1972, Veneza) foi um poeta, músico e crítico que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo e do Vorticismo.

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Amélia e Magnólia


Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Dia Nacional do Livro




O futuro do livro na era digital











Muitas perguntas rodam no ar ainda sem resposta: o que muda na produção e na comercialização do livro com o avanço dos meios eletrônicos?

A Internet estreita ou alarga o futuro das livrarias? O texto depende ou não do formato que envolve? Veja a seguir qual o futuro do livro na era digital.As discussões sobre o futuro do livro de papel começaram no País há mais de seis anos, logo quando a Internet chegou por aqui. Nesta época, nos Estados Unidos, já se falava no Projeto Gutemberg (1971), uma iniciativa de colocar online, e gratuitamente, títulos de domínio público. Desde então, os famosos ebooks, livros eletrônicos ou livros digitais são acusados de serem os "assassinos" do livro de papel. E não seria para menos.

No site Virtual Books, por exemplo, encontram-se desde clássicos como Romeu e Julieta, tradicionais obras como a Bíblia até teses de mestrado. Até o primeiro capítulo do novo livro de Paulo Coelho, o O Demônio e a Srta. Prym já está disponível gratuitamente.O Virtual Books, como outras livrarias online, oferece várias formas de leitura. O usuário pode ler a obra através de páginas na web (enquanto está conectado à rede) ou ainda pode "baixar" em seu computador um arquivo com o livro completo e, depois, imprimir e ler offline.

Virtual Books: livros grátis para todos os gostos

Há ainda a possibilidade de fazer download do arquivo direto para um Rocket e-Book, um aparelho de leitura lançado há dois anos durante a Feira de Frankfurt. A maquineta não assusta as vovós: possui poucos e óbvios botões, como o de avançar ou de voltar página, e o recurso de fazer anotações, marcar trechos e pesquisar palavras. Além de apresentar fontes que podem ser ampliadas. O Rocket e-Book é leve (pesa 600 gramas e tem formato de livro de bolso) e pode armazenar até 4 mil páginas de textos e imagens em um formato parecido com o dos livros convencionais de 250 páginas. Isso possibilita a existência vários livros no mesmo aparelho. Vale lembrar seu preço: quase US$ 300. Se está curioso para ver se consegue se adaptar ao dispositivo sem traumas é possível fazer um teste através de um software disponível na Internet que possui a mesma aparência e funcionalidade do equipamento disponível nos EUA. O original, por enquanto, só pode ser comprado, no Brasil, através da Amazon. Uma versão mais moderna ainda do dispositivo vem pipocando no mercado yankee a modesta quantia de $ 700: a novidade fica por conta da tela de cristal líquido e a possibilidade do uso de cores no display. Existem também os livros eletrônicos pagos, que podem ser lidos de formas semelhantes. O leitor localiza sua escolha pela Internet, pede uma cópia e lê um número limitado de páginas (no computador ou Rocket e-Book). Se gostar confirma a compra e recebe uma senha para download, após o pagamento da obra. "Riding The Bullet", de Stephen King, foi o primeiro livro eletrônico de que se tem notícia. Trata-se de um folhetim cujos capítulos são baixados mensalmente. Quem gostar do que leu, paga, quem não gostar, não paga. Logo de cara a "invenção" vendeu 500 mil cópias. O autor se gabava orgulhoso de que caso mais de 70% dos leitores não pagasse, a obra pararia de ser produzida. A parte engraçada é que a possibilidade remota virou fato e, até agora, Stephen King não se pronunciou sobre o assunto. Made in Brasil
Prata:"O livroé meu"No Brasil, o escritor Mário Prata, autor de O Diário de um Magro e 100 Crônicas, entre outros, tem um site (no Terra) onde os internautas podem vê-lo escrevendo linha por linha, de seu e-book, "Os Anjos de Badaró", em tempo real, e de graça. O escritor esclarece no site: "O livro é meu. Não é um Você Decide". Observado de forma indireta, pela tela do computador, o autor escreve um capítulo por dia, até o dia 5 de novembro, data em que o site sai do ar. A brincadeira rendeu até a criação de um outro site por apaixonados por literatura que acompanham todos os capítulos de Os Anjos... e quando o Prata acaba de escrever se reúnem para debater, num espaço do site chamado "palpite". São os "Anjos do Prata": pessoas com idades variadas mas uma paixão em comum: o escritor mineiro. A experiência cibernética não impediu Prata de causar polêmica ao defender sua opinião sobre o futuro do livro e anunciar outra morte: "o livro eletrônico acabou. Não deu certo. Fez parte de uma experiência que não vingou. Quem você conhece que lê esse tipo de livro? Foi uma coisa de momento. Um experimento de quando a Internet era jovem". Prata explica que a rede é rica em outras coisas, até mesmo na literatura, mas não em se tratando dos e-books. Mas mesmo assim afirma Ter sido uma experiência fenomenal: "quero fazer um livro contando a experiência de ter escrito Os Anjos... e publicar junto as 35 crônicas que venceram o concurso do site". Prata diverte-se com a diferença de idade entre os escolhidos: "tem uma senhora de 65 anos e um menino de 16". O melhor de tudo isso foi ser um estímulo para o pessoal: "as pessoas puderam ver que eu sou gente. Gente igual a elas. Que vou ao banheiro. Reclamavam que eu escrevia sério coisas engraçadas. É que eu acho amadorismo rir e chorar quando escreve". A diferença é que antes ele não precisava de maquiagem e iluminação para escrever. "Podia ser desleixado. Não precisava fazer a barba", diverte-se. Até o final do ano o livro deve ser lançado em papel e, ao contrário do que se imagina, Prata acha que a Internet vai fazer aumentar as vendas da experiência em papel: "quase 300 mil pessoas passaram pelo site durante a história, mas pouca gente acompanhou tudo", diz. Ele mesmo não tem paciência de ler coisas na Internet. Defende que a literatura exige um certo ócio: repouso físico, satisfação física. "Eles tem um saco de Prata", brinca. E-books prêmiados No último dia 21 de outubro, a Feira de Frankfurt entregou, pela primeira vez, o Prêmio Internacional do Livro Eletrônico, avaliado em US$ 100 mil. A idéia da premiação é destacar autores, agentes literários e editoras que incentivem este novo meio editorial. Os vencedores do "e-book award" foram dois autores americanos: E.M. Schorb e David Maraniss, por seus livros Paradise Square e When Pride Still Mattered. Schorb ganhou na categoria Literatura, enquanto Maraniss, co-editor do Washington Post, foi reconhecido pela obra que ficou por cinco semanas na lista dos best-sellers no New York Times. "Longe do livro de papel a complexidade será deixada de lado"
As vantagens dos livros eletrônicos são muitas. São mais baratos e não representam prejuízo para o editor: não se corre o risco de encalhes e não se tem de pagar distribuidores.
Raul: "O livro de papel nunca vai sumir"O meio que os envolve, a rede, também oferece a possibilidade de encontrar livros raros e fora de catálogo ou ainda descobrir um livro só pelo nome (sem o autor e a editora). Representa um ponto de encontro de editores. Ajuda a comercializar direitos e traduções. Aumenta a velocidade de circulação da informação, apresentando-se como uma forma prática e barata de distribuir o conhecimento. Dá retorno mais rápido. Possui maior alcance: pode chegar aonde não existem livrarias. Democratiza a informação: em um mês 50 mil pessoas visitam pessoalmente as instalações da Biblioteca de Nova York. Pela Internet este número chega a um milhão. Além de privilegiar um conteúdo mais atual e substituir a celulose, muito cara atualmente.

As desvantagens são óbvias também. Bill Gates, por exemplo, prefere imprimir tudo que tenha mais de 4 páginas para ler depois. Talvez porque ler na "tela" cansa. Porque fica mais difícil lembrar do que leu. Ou porque é mais complicado se concentrar desta forma. Para o escritor de histórias infantis, Ziraldo, o livro tem que ter cheiro de tinta. Ele afirmou em debate na Academia Brasileira de Letras, sobre o futuro do livro, no dia 29 de agosto, que fez muitos de seus livros pensando em seu formato. Eduardo Portella, presidente da Fundação Biblioteca Nacional e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), apoiou: "longe do livro de papel a complexidade será deixada de lado".

Não se sabe ao certo o número de livros eletrônicos disponíveis no Brasil. Para o presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) essa estatística é irrelevante. "Não há volume suficiente para captar estes dados no Brasil", afirma Raul Wassermann. O que o brasileiro gosta de ler Para apimentar a discussão aparecem as estatísticas das vendas de livros de papel exibindo queda de quase 30% de 1998 para 1999, segundo pesquisa da CBL sobre a indústria editorial brasileira. O número de títulos e exemplares produzidos caiu devido a crises econômicas, à disparidade entre o dólar e o real (fato que congestionou as gráficas nacionais, uma vez que não era mais vantagem imprimir no exterior) e à falta de criatividade para venda. O faturamento também caiu, por causa dos preços mais acessíveis dos livros. A CBL utiliza para pesquisa a divisão do mercado em subsetores: científicos, técnicos e profissionais (o único a aumentar o número de exemplares produzidos), didáticos (apesar de metade do faturamento do setor repousar na venda destes livros, também houve queda em 1999), religiosos (também demonstrando queda nas vendas e na produção), e obras gerais (mais atingidas por causa da queda das vendas para o Programa Nacional de Biblioteca Escolar e dos custos com papel e formato do livro). Em um caminho inverso vêem subindo a ladeira os livros de auto-ajuda e os infantis. Apesar dos primeiros não existirem para o presidente da CBL, pois "trata-se de um conjunto de categorias inventadas pelos americanos, que nós juntamos no mesmo saco e chamamos de auto ajuda", é notável o crescimento de vendas desse tipo de ajuda aos "perdidos".Menos polêmicos os livros infantis existem, sim, e são responsáveis por 14% da produção literária brasileira , considerada uma das mais criativas do mundo: engajada, envolvente e divertida.Os dados da pesquisa deste ano só estarão disponíveis no início do ano que vem, mas não há pretensão de aumento considerável nas vendas: "se recuperarmos os 30% perdidos já está bom", lamenta o presidente. O que impede a desanimação total é o aumento da população, o investimento do governo em educação através do programa do livro didático e o incentivo da utilização de livros não didáticos nas escolas. Mulheres lêem maisAs preferências do leitor ainda são um mistério: sabe-se vagamente que as mulheres, as pessoas com faixa etária entre 20 e 40 anos e com renda entre 3 e 10 salários mínimos lêem mais. O Brasil amarga o número de dois livros lidos ao ano, por habitante, desde os 10 anos de idade. Mas esta é uma média não muito confiável, pois inclui os livros didáticos e os livros de leitura obrigatória para a escola. Se desprezarmos esses dois e considerarmos só os livros escolhidos pelo próprio leitor (sem ameaça de forca) teremos o ridículo resultado de menos de um livro por ano. Uns dizem que é porque os pais não lêem, portanto não repassam esse hábito a seus filhos, outros defendem que as pessoas deste final de milênio preferem atitudes mais passivas, que não dêem tanto trabalho ao intelecto. Para jogar um pouco de luz neste cenário obscuro está sendo realizada, até o final de dezembro, a primeira grande pesquisa sobre o hábito de consumo de livros no território nacional. A pesquisa levará em conta leitura, aquisição e posse dos livros de papel. Trata-se de um questionário longo distribuído para "leitores" e "não leitores". O resultado será divulgado no começo do ano que vem. Apesar do ministério da cultura ter se recusado a financiar o projeto, como o de Portugal, alegando ser de interesse comercial, a pesquisa está sendo financiada pela CBL e pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Brascelpa). "O que deve nos preocupar é o pensamento único "O fato é que lê-se pouco. O livro, de pano, pedra, papel, ou digital, é só um instrumento. É inútil desperdiçar forças lutando contra o desenvolvimento de novas tecnologias, quando a prioridade deveria ser tornar o livro mais acessível e atraente. Carlos Heitor Cony apoia esse desenvolvimento. Em debate na Academia Brasileira de Letras lembrou que as tábuas em que Moisés gravou os 10 mandamentos não formavam um livro como conhecemos hoje e que o livro de Isaías, guardado no Palácio do Livro em Jerusalém, também não é um livro, mas sim um rolo. "São formas de manter e acumular os textos que o homem criou". Cony acredita ainda que no futuro pode haver um único livro capaz de ler todos os livros. Francisco Delich, dirigente da Biblioteca Nacional e da Universidade Latino-americana de Ciências Sociais, em debate da ABL, pontuou com sabedoria a discussão: "o que deveria preocupar é o pensamento único, esse, sim, é o grande inimigo do livro, ao pôr fim a todos os debates". João Ubaldo Ribeiro, com o seu Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, que levou para casa o troféu de "inédito na terra de Cabral" , declarou em entrevista ao Estado de S. Paulo, em 29 de agosto, que não crê na imortalidade do livro de papel encadernado: "e se acabar, ou eu escrevo no meio, ou não escrevo". A grande maioria defende mesmo a coexistência entre "assassino" e "assassinado", sem o crime chegar as vias de fato. "Os dois formatos vão conviver", defendeu Portella, em entrevista ao Estado de São Paulo, no dia 29 de agosto. Joelmir Beting explica: "micros e livros não são excludentes ou alternativos. Ele são complementares ou aditivos". E o presidente da CBL concorda: "será mais um canal. Vai ajudar. Tem mercado para todos". Principalmente quando se trata de estilo. Segundo o presidente da Associação Alemã de Editoras e Livrarias, Roland Ulmer (durante lançamento da Feira de Frankfurt, na Alemanha, no dia 17 de outubro) certos estilos se adequam ao papel outros à mídia eletrônica: "quando chega-se à ficção, compradores e leitores continuarão a ler nossas novelas e contos em versões impressas". Enterrado ou não, as experiências mais modernas sempre resultam em algo que imite o livro: os dispositivos de armazenamento de e-books (com tamanho de um livreto de 250 páginas), os protótipos de tela flexível (experiência do Media Lab do Massachusetts Institute of Technology - MIT - que permite a leitura como se fosse papel, apenas simulando virar a página). Parece que o velho livro de papel vai nos assombrar ainda por umas boas décadas. Sérgio Rizzo, jornalista colaborador da revistas SET e do site Submarino, entre outros, argumenta: "Enquanto houver gerações que forem alfabetizadas por meio de impressos (livros, jornais, revistas), eles (os produtos impressos) não têm a menor chance de desaparecer. Daqui a 100 anos, não sei. Mas daqui a 100 anos já não estaremos mais por aqui".


Fonte aqui:

Quinta-feira, Outubro 25, 2007


Em busca do livro perdido

Apenas mais uma manhã na companhia do Sr. Birnbichler, o bibliotecário. Pelo menos, esse era o pensamento de Lisa, uma adolescente apaixonada por literatura que se dirigia para a biblioteca. Mas, esse dia normal estava para mudar. Dois garotos estranhos roubaram, aparentemente sem motivos, o livro que o Sr. Birnbichler estava escrevendo e que tinha a própria garota como personagem principal. Agora Lisa sairá em busca do livro roubado do bibliotecário e terá a grande missão de salvar todos os personagens da imaginação do esquecimento e levá-los para o Reino da Invenção acompanhada por seus novos amigos Tow Sawyer e Huckleberry Finn.
O Livro de Lisa - Uma aventura no mundo da literatura de Wieland Freund com ilustrações de Regina Kehn, é uma viagem no mundo da fantasia. Um portal que suga o leitor para dentro do mundo literário, passando através de diversos clássicos da literatura universal moderna e encontrando personagens famosos, como Robinson Crusoé, Frankenstein, Capitão Ahab de Moby Dick , Sancho Pança e Dom Quixote, O velho choupo de O Senhor dos Anéis, entre outros que irão ajudá-la ou atrapalhá-la em suas aventuras.

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Be happy


Here's a little song I wrote,

you might want to sing it note for note,

dont worry,Be happy,

In every life we have some troubles,

but when you worry you make it double,

dont worry,be happy (don't worry be happy now)

ohhh ooh ooh ohh(don't worry)

oooh oohh oohh(be happy)

ohhh oohh oohh(dont worry,be happy)

ohh oohh ooh (dont worry,be happy)

(don't worry be happy)


And at the place to lay your head,

somebody came and took your bed,

dont worry,be happy,

the landlord say your rent is late,

he may have to wait to get ,

but dont worry...be happy(look at me I'm happy)


ohhh ooh ooh ohh(don't worry)

oooh oohh oohh(be happy)

oooo0h (here I give you my phone number you you worried,

call me I make you happy)

00000oh 00o0o0oh(dont worry)

ooooh oohh (be happyy)

ooooh ohhh


Ain't got no place to lay your head,

somebody came and took your bed,don't worry....be happy.

The landlord saying your rent is late,

He may have to litigate.

but don't worry...be happy (look at me I'm happy)


ohhh ooh ooh ohh(don't worry)

oooh oohh oohh(be happy)

ohhh oohh oohh(dont worry,be happy)

ohh oohh ooh(dont worry)

ohh oohh oohh(be happy)

(don't worry be happy)


ohhh ooh ooh ohh(don't worry,dont do it)

oooh oohh oohh(be happy,

put a smile on your face)

(dont bring everybody down like this)

ohhh oohh oohh(dont worry)

ohh oohhh(it will soon pass,whatever it is)

ohhh oohhh ohhh (dont worry,be happy)

ohhh oohhh oohhh (I'm not worried)
Dont worry, be happy
Bob Marley

à primavera


Quinta-feira, Setembro 06, 2007

sabedoria oriental


Mizaru Kikarazu e Iwazaru
Seus nomes são 'kikazaru' (o que tapa os ouvidos), 'mizaru' (o que cobre os olhos), e 'iwazaru' (o que tapa a boca), que é traduzido como 'não ouça o mal', 'não veja o mal' e 'não fale o mal'. Sua origem é baseada em um trocadilho japonês pois, a palavra 'saru', em japonês, significa 'macaco' e tem o mesmo som da terminação verbal 'zaru'.

KIKAZARU
MIZARU
IWAZARU
SARU

O som das palavras é semelhante e faz referência a um provérbio japonês (kotowaza) que descreve a atitude de alguém que não deseja se envolver em complicações.No Japão, numa cidade chamada Nikko, existem muitos santuários (a cidade é conhecida por isso, inclusive) e, no Santuário Toshogu há imponentes portais e belas construções. Lá, estão os três macaquinhos em madeira. Eles ilustram a porta do Estábulo Sagrado, um templo do século 17.
O folclore japonês diz que, no Século VIII D.C. , um monge budista da China introduziu os três sábios macaquinhos no Japão.
Acredita-se que as poses dos macaquinhos eram a representação de um comando de uma divindade (Vajra) para 'ver nenhum mal, ouvir nenhum mal, falar nenhum mal.'
" Essas informações, porém, não podem ser confirmadas" segundo o professor Dr. Ricardo Mário Gonçalves, da cadeira de História do Oriente da USP.
Fontes: Portal das curiosidades/ Nippo Brasil

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Poesia Matemática


Às folhas tantas do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerávele viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida paralela à dela
até que se encontraram no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.
"E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética correspondea almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar, mais que um lar, um perpendicular.
Convidaram para padrinhoso Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade. Era o triângulo, tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser moralidade
como aliás em qualquer sociedade.
do livro: Trinta Anos de Mim Mesmo - Millôr Fernandes

Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Candle In The Wind

Goodbye England's rose
May you ever grow in our hearts
You were the grace that placed itself
Where lives were torn apart
You called out to our country
And you whispered to those in pain
Now you belong to heaven
And the stars spell out your name
And it seems to me you lived your life
Like a candle in the wind
Never fading with the sunset
When the rain set in
And your footsteps will always fall you
Along England's greenest hills
Your candle's burned out long before
Your legend never will
Loveliness we've lost
These empty days without your smile
This torch we'll always carry
For our nation's golden child
And even though we try
The truth brings us to tears
All our words cannot express
The joy you brought us through the years
And it seems to me you lived your life
Like a candle in the wind
Never fading with the sunset
When the rain set in
And your footsteps will always fall you
Along England's greenest hills
Your candle's burned out long before
Your legend never will
Goodbye England's rose
May you ever grow in our hearts
You were the grace that placed itself
Where lives were torn apart
Goodbye England's rose
From a country lost without your soul
Who'll miss the wings of your compassion
More than you'll ever know
And it seems to me you lived your life
Like a candle in the wind
Never fading with the sunset
When the rain set in
And you footsteps will always fall you
Along England's greenest hills
Your candle's burned out long before
Your legend never will
Elton John - Candle In The Wind (Princess Diana Tribute) lyrics

As flores do Mal


É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a
única questão. Para não sentirem o fardo horrível
do Tempo que verga e inclina para a terra, é
preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a
escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio,
sobre a relva verde de um fosso, na solidão
morna do quarto, a embriaguez diminuir ou
desaparecer quando você acordar, pergunte ao
vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a
tudo que flui, a tudo que geme, a
tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que
horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o
pássaro, o relógio responderão: "É hora de
embriagar-se! Para não serem os escravos
martirizados do Tempo, embriaguem-se;
embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher

Embriaguem-se

(tradução Jorge Pontual)

Charles Baudelaire (1821-1867)

poeta e teórico da arte francês.

É considerado um dos precursores do Simbolismo

"Ninguém me ama/ Ninguém me quer/ Ninguem me chama de Baudelaire"
Antônio Maria

Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Conto das Quatro Estações



Faz parte da série de filmes intitulada:

"Conto das Quatro Estações"
Todos dirigidos por Eric Rohmer.
Conto de Verão (1996) ,
Conto da Primavera (1990)
Conto de Inverno(1992)
Conto de Outono (1998)


Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Let it be

When I find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be.

And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom,
let it be. Let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.

And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer, let it be.
For though they may be parted
There is still a chance that they will see
There will be an answer,
let it be. Let it be, let it be. yeah
There will be an answer, let it be.

And when the night is cloudy,
There is still a light that shines on me,
Shine on until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom,
let it be. Let it be, let it be.
There will be an answer,
let it be. Let it be, let it be,
Whisper words of wisdom, let it be.

Let it be
Beatles

Terça-feira, Agosto 28, 2007


Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Dia do Artista


O Guardião dos Livros

Ai estão os jardins, os templos e a justificação dos templos,
A exata música e as exatas palavras,
Os sessenta e quatro hexagramas,
Os ritos que são a única sabedoria
Que outorga o Firmamento aos homens,
O decoro daquele imperador
Cuja serenidade foi refletida pelo mundo, seu espelho,
De sorte que os campos davam seus frutos
E as torrentes respeitavam suas margens,
O unicórnio ferido que regressa para marcar o fim,
As secretas leis eternas,
O concerto do orbe;
Essas coisas ou sua memória estão nos livros
Que custodio na torre.
Os tártaros vieram do Norte
em crinados potros pequenos;
Aniquilaram os exércitos
Que o Filho do Céu mandou para castigar sua impiedade,
Ergueram pirâmides de fogo e cortaram gargantas,
Mataram o perverso e o justo,
Mataram o escravo acorrentado que vigia a porta,
Usaram e esqueceram as mulheres
E seguiram para o Sul,
Inocentes como animais de presa,
Cruéis como facas.
Na aurora dúbia
O pai de meu pai salvou os livros.
Aqui estão na torre onde jazo,
Recordando os dias que foram de outros,
Os alheios e antigos.
Em meus olhos não há dias.
As prateleiras
Estão muito altas e não as alcançam meus anos.
Léguas de pó e sonho cercam a torre.
Por que enganar-me?
A verdade é que nunca soube ler,
Mas me consolo pensando
Que o imaginado e o passado já são o mesmo
Para um homem que foi
E que contempla o que foi a cidade
E agora volta a se;. o deserto.
Que me impede sonhar que alguma vez
Decifrei a sabedoria
E desenhei com aplicada mão os símbolos?
Meu nome é Hsiang.
Sou o que custodia os livros,
Que talvez sejam os últimos,
Porque nada sabemos do Império
E do Filho do Céu.
Aí estão nas altas estantes,
A um tempo próximos e distantes;
Secretos e visíveis como os astros.
Aí estão os jardins, os templos.
Elogio da Sombra

Jorge Luís Borges
24/08/1889
14/06/1986

Quinta-feira, Agosto 23, 2007

a 7ª Arte de Glauber (aqui)

Poema do Amor

Tudo talvez se defina na
conspiração da poesia e
da infecção,
estou no começo da vida
mas não sei se a saúde resiste
o mundo profetiza guerra global
e corta o mistério da existência
nos projetando nos braços vitais
revolucionando o prazer, essência.
Glauber Rocha

Terça-feira, Agosto 21, 2007

L.I.V.R.O. segundo MILLÔR

Millôr Fernandes: Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação



Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.
O comando "browse" permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.
Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S. Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.
Fonte: Amigos do livro

Do baú do Raul

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez
Beba (Beba)
Pois a água viva ainda tá na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não, não
Tente
Levante a sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar
Não, não, não, não, não, não
Há uma voz que canta, há uma voz que dança
Há uma voz que gira
Bailando no ar
Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo
Vai, tente outra vez
Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

Raul Seixas

28/06/1944

21/08/1979


Sexta-feira, Agosto 17, 2007

No meio do caminho

"Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada."
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
En Revista de Antropofagia, 1928
Incluido en Alguma poesia (1930)
31/10/1902 -17/08/1987

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

O Rei do Rock

Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind
Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
If I made you feel second best
Girl I'm so sorry I was blind
You were always on my mind
You were always on my mind
Tell me, tell me that your sweet love hasn't died
Give me, give me one more chance to keep you satisfied,
satisfied
Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind

Elvis Presley
08/01/1935 - 17/08/1977

tempo da travessia

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

Segunda-feira, Agosto 13, 2007

Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Woman in Art

Quinta-feira, Agosto 09, 2007

Librarian


Terça-feira, Agosto 07, 2007

A Sombra do Vento


“...Não obtive resposta. Pareceu-me escutar uma risada sufocada e fechei o livro de pedidos. Talvez um cliente tivesse ignorado o letreiro de FECHADO. Dispunha-me a atendê-lo quando escutei o som de vários livros caindo das estantes da loja. Engoli em seco. Agarrei uma faca de abrir cartas e me aproximei lentamente da porta do quarto dos fundos. Não me atrevi a chamar de novo. Logo depois escutei novamente os passos, afastando-se. A campainha da porta soou outra vez, e senti um sopro de ar da rua. Entrei depressa na loja. Não havia ninguém. Corri até a porta da rua e fechei com força. Respirei fundo, me sentindo ridículo e covarde. Estava voltando para o quarto dos quartos dos fundos quando vi um pedaço de papel em cima do balcão. Ao aproximar-me, comprovei que se tratava de uma fotografia, uma velha imagem de estúdio das que se costumava imprimir em uma lâmina de papelão grosso. AS bordas estavam queimadas e a imagem enegrecida, parecia riscada pelo rastro de dedos sujos de carvão. Examinei-a sob uma lâmpada. Na fotografia se podia ver um casal de jovens sorrindo para a câmera. Ele não parecia ter mais de 17 ou 18 anos, com cabelos claros e traços aristocráticos, frágeis. Ela