sexta-feira, junho 29, 2007


como um girassol

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia;
tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama,
nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

quarta-feira, junho 27, 2007

out door


A ESCALA DO CRESCIMENTO EMOCIONAL OU INTERIOR

Nem todas as pessoas se dão conta que o nosso crescimento interior é tão ou talvez até mais importante quanto o nosso crescimento físico.
O crescimento físico você vê. O crescimento interior você sente.
Quanto mais você cresce melhor você se sente, porque crescer resulta na conscientização cada vez melhor do valor de nosso mundo interior. É o sentimento que nos indica se a nossa vida vai bem ou não.
Imagine a escala do crescimento interior como uma escada de muitos degraus. Cada degrau acima representa um tipo de evolução e no topo da escada você encontra a emoção mais apreciada por nos, denominada amor.
Sentindo amor, você se abre para a vida, utiliza todo o seu potencial, sente uma grande harmonia interior, o que tem reflexos positivos sobre o seu trabalho e a sua saúde.
Este sentimento positivo não é algo que aparece e desaparece. Como somos seres vivos e não máquinas, é evidente que temos vacilações de humor, porém o sentimento de bem-estar, harmonia, que pode ser compreendido como a nossa conscientização da descoberta de nossa riqueza interior, permanece.
No topo da escada você é emocionalmente crescido e amadurecido e sente vontade de realizar algo em agradecimento. Quem chegou ao topo da escada compreendeu sua ligação ao infinito e agradece sempre.
A nossa capacidade de compreensão é a chave para o nosso bem-estar e é ela que nos abre o mundo. Compreender o mundo em sua totalidade faz você sentir-se em casa.
Uma coisa da qual você deve conscientizar-se é que quanto mais degraus você sobe, tanto mais recua o sentimento que mantém presos os que estão nos degraus de baixo e que se chama medo.
À medida que o medo recua ou diminui, a confiança em si se desenvolve.

Autora Mirian Khon

Um Novo Tempo

O tempo passa? não passa

no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça

Do amor florida a canção.



O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz

a um só verso e uma rima

de mãos e olhos, na luz.



Não há tempo consumido

Nem tempo a economizar

O tempo é toda vestida,

de amor é tempo de amar.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, junho 25, 2007

enquanto houver amizade


Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximara.
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas, se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos pra sempre.
Há duas formas para viver sua vida:
Uma é acreditar que nao existe milagre.
A outra é acreditar, que todas as coisas são um milagre.
(Albert Einstein 1879-1955)

quinta-feira, junho 21, 2007

quarta-feira, junho 20, 2007

"Ninguém tira do homem o que
ele aprende, a verdade da vida
está nos olhos de quem a vive,
no coração de quem ama e
na cabeça de quem a compreende"

"O homem é feito ou desfeito por si mesmo.
Ao fazer a escolha certa ele ascende,
como criatura dotada de força, inteligência e amor,
e como senhor de seus próprios pensamentos,
ele tem a chave de todas as situações..."
Henfil

terça-feira, junho 12, 2007

Paisagem na neblina



Giant steps are what you take
Walking on the moon
I hope my legs don't break
Walking on the moon
We could walk forever
Walking on the moon
We could live together
Walking on, walking on the moon
Walking back from your house
Walking on the moon
Walking back from your house
Walking on the moon
Feet they hardly touch the ground
Walking on the moon
My feet don't hardly make no sound
Walking on, walking on the moon
Some may say
I'm wishing my days away
No way
And if it's the price
I pay
Some say
Tomorrow's another day
You stay
I may as well play
Giant steps are what you take
Walking on the moon
I hope my legs don't break
Walking on the moon
We could walk forever
Walking on the moon
We could be together
Walking on, walking on the moon
Some may say
I'm wishing my days away
No way
And if it's the price I pay
Some say
Tomorrow's another day
You stay
I may as well play
Keep it up, keep it up…

Walking On The Moon
The Police

Valentine's Day..!!! (significado-clika)


quarta-feira, junho 06, 2007

Desejos

Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos,
e que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo ainda que você seja tolerante;
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem,
não amadureça depressa demais
e sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo também, que você plante uma semente
por mais minúscula que seja,
e que acompanhe o seu crescimento
para que você saiba de quantas muitas vidas
é feita uma árvore.
Desejo por fim que você sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher,
tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
não tenho mais nada a desejar.

Victor Hugo


só um abraçinho.....


...desse tamanho!

terça-feira, junho 05, 2007

domingo, junho 03, 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Reminisção

Vai-se falar da vida de um homem; de cuja morte, portanto. Romão – esposo de Nhemaria, mais propriamente a Drá, dita também a Pintaxa – ímpar o par, uma e outro de extraordem. Escolheram-se, no Cunhãberá, destinado lugar, onde o mal universal cochila e dá o céu um azul do qual emergir a Virgem. Sua história recordada foi longa: de tigela e meia, a peso de horror. O fundo, todavia, de consolo. Esse é um amor que tem assunto. Mas o assunto enriquecido – como do amarelo extraem-se idéias sem matéria. São casos de caipira.
Foi desde. Parece até que iam odiar-se, moço e moça, no então. Divulgue-se a Dra: cor de folha seca escura, estafermiça, abexigada, feia feito fritura queimada, ximbé-ximbeva; primeiro sinisga de magra, depois gorda de odre, sempre própria a figura do feio fora-da-lei. Medonha e má; não enganava pela cara. Olhar muito para ponta de faca, faz mal. Dizia-se: - “Indicada.”
Romão, hem, gostou dela, audaz descobridor. Pois – por querer também os avessos, conforme quem aceita e não confere? Inexplica-o a natureza, em seus efeitos e visíveis objetos; ou como o principal de qualquer pergunta nela quase nunca se contém. Romão, meão, condiçoado, normalote, pudesse achar negócio melhor. Mas ele tinha em si uma certa matemática. E há os súbitos, encobertos acontecimentos, dentro da gente.
De namoro e noivado, soube-se pouco também da sem graça cerimônia ou maneira, de que se casaram, padrinhos Iô Evo e Ia Ó e quiçá os de Romão e Drá anjos entes. Aquilo o povo assistiu com condolência? Tais vezes, a gente ao alheio se acomoda – preto no branco, café na xícara. Cunhãberá via-os não via, sem pensar em poder entender: anotava-os.
Mas o casal morou na Rua-dos-Altos onde Romão estava bom sapateiro. Para fora, deviam de ser moderados habitantes. Era um silêncio quase calado. Comparem-se: o vagalume. , sua luzinha química; fatos misteriosos – a garça e o ninho por ela feito. Iam, consortes, para os anos que tendo de passar.
Se como o nem faro e cão – mas num estado de não e sim, rodavam antas voltas – juntos, pois. A Drá contra a ocasião de querer-bem se tapava, cobreando pelos cabelos, mas mãos um pedaço de pedra. Ela não perdoava a Deus. – “Padece o que é...” – deduzia Ia Ó. Da dor de feiúra, de partir espelho. Iô Evo disse: que tomava culpa, de ter testemunhado.
Romão, hem, se botava de nada? Não o deixava ela, enxerente, trabalhar nem laser; ralhava a brados surdos; afugentou os de sua amizade. Romão amava. Decerto ela também, se sabe hoje, segundo a luz de todos e as sombras individuais. O estudo do mundo.
Todo tempo o atazanava, demais de cenhosa, caveirosa, dele, aquela mulher mandibular.. Vês tu, ou vê você? Romão punha-se devoção, com pelejos de poeta, ou coisa ou outra, um gostar sentido e aprendido, preciso, sincero como o alecrim.
Tinhava-se, a Drá. Seus filhos não quiseram nascer. Romão imutava-se coitado. Disso ninguém dava razão: o atamento, o fusco de sua tana cegueira? Sapateiro sempre sabe. Ou num fundo guardasse memória pré-antiquissima. Tudo vem a outro tempo.
Então, quando deles no diário ninguém mais se espantava, de vez, houve. Sortiu-se a Dra, o diabo às artes, égua aluada, e com formigas no umbigo. Em malefaturas, se perdeu, por outro, homem vindiço, mais moço. O povo, vendo, condenava-a; de pena do Romão – a tragar borras. Ele, não, a quem o caso de mais perto tocava. E a Iô Evo disse: que bom era ela crer, que valia, que dela gostavam ...Romão olhava em ponto, pisava curto, tinham receio de sua responsabilidade.
Nem o moço de fora a quis mais. Desrazoável, mesmo assim, a Dra de casa se sumiu, com seus dentes de morder. Romão esperou, sem prazo. Se esforçava, nesse eixar-se, trincafiava, batia sola. Seguro que, por meio de Ia Ó, pediu que ela tornasse.
Drá voltou, empeçonhada, trombuda, feia como os trovões da montanha. Romão respeitava-a, sem ralar-se nem manzelar-se, trocando pesares por prazeres, fazendo-lhe muita fidelidade. Fez-lhe muita festa. De por aí, embora, serena ela se aquietou, em desleixo e relaxo. Nem fazia nada, de cabeça que dói. Só empestava. Vivia e gemia – paralelamente. Chamou-a então Pintaxa o bufo do povo.
Foi, e teve ela uma grande doença, real, de que escapou pelo Romão, com seus carinhos e tratos. Sarou e engordou, desestragadamente, saco de carnes e banhas, caindo-lhe os cabelos da cabeça, nos beiços criado grosso buço, de quase barba. Era bem a Pintaxa, a esta só consideração. Cunhãberá jurou-a por castigada. Romão queria vê-la chupar laranjas, trivial, e se enfeitar sem ira nem desgosto. Ele envelhecia também. Os dois, à tarde, passeavam. Quem espera, está vivendo.
Depois, ele se enfermou, à-toa, de mal de não matar. A Drá alvoroçou o ligar. Ela chorava, adolorada: teve, de de em si, notícia, das que não se dão. Pedia socorro.
O povo e o padre no quarto, o Romão onde se prostava, decente, chocho, em afogo, na cama. Ele estava tão cansado; buscava a Dra com os olhos. Que quis falar, quis, pôde é que foi não. Iá Ó passava um lenço, limpava-lhe a cara, a boca. IÔ Evo mandou o ter coragem, somente.
Dando-se, no Cunhãberá, o fato de inaudimento.
Romão por derradeiro se soergueu, olhou e viu e sorriu, o sorriso mais verossímel. Os outros, otusos, imaginânimes, com olhos emprestados viam também, pedacinho de instante: o esboço, vislumbrança ou transparência, o aflato! Da Drá, num estalar de claridade, nela se assumia toda a luminosidade, alva, belíssima, futuramente... o rosto de Nhemaria.
Romão dormido caiu, hem, inteiro como um triângulo, rompido das amarras. Ele era a morte rodeada de ilhas por todos os lados. Mentiu que morreu. Deu tudo por tudo.
A Drá esperançada se abraçou com o quente cadáver, se afinava, chorando pela vida inteira. Todo fim é exato. Só ficam as flores.



João Guimarães Rosa
Tutaméia: terceiras histórias Conto: Reminisção - pg.81

sexta-feira, maio 25, 2007

Biblioteca Nacional

Com um patrimônio superior a 9 milhões de publicações, a Fundação Biblioteca Nacional foi considerada pela Unesco como a 8ª maior biblioteca do mundo

A Fundação Biblioteca Nacional (BN) é uma das mais antigas instituições públicas brasileiras. Foi instalada oficialmente no Rio de Janeiro em 1810, a partir do acervo da Real Biblioteca de Portugal, trazido pela corte do príncipe regente Dom João, em 1808. É hoje a maior fonte de pesquisa em livros, jornais e periódicos do país e tem a função de ser a depositária da memória bibliográfica e documental do Brasil. Toda obra publicada no país precisa ter pelo menos um exemplar arquivado na BN. Com um patrimônio superior a 9 milhões de itens foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como a 8ª maior biblioteca do mundo.


No site da Biblioteca nacional, você pode "folhear" a obra de Alexandre Rodrigues Ferreira.
que possui farta documentação (ilustrada com desenhos aquarelados) sobre a fauna e a flora do país, durante sua expedição pelas capitanias de Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, nos anos de 1783 e 1792.
Além de outras obras.

quarta-feira, maio 23, 2007

Sound of silence


Hello darkness, my old friend,
Ive come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of
A neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one deared
Disturb the sound of silence.

Fools said i,you do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon God they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the signs said, the words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls.
And whisperd in the sounds of silence.
Paul Simon and Garfunkell

quarta-feira, maio 16, 2007

"Justo a mim, me coube ser eu!"


Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço. Minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado. Toda vez que minha avó paterna me dizia que o molde em que fui feita fora quebrado quando nasci, eu achava que ela estava me elogiando.
Acreditava que somente eu era "única" no mundo. Aos poucos, fui percebendo meu engano.Primeiro, porque, em vez de me tornar diferente, o fato de ser uma criatura única era o que me igualava a todos os seres humanos.
Entendi que é parte da nossa condição humana sermos indivíduos exclusivos. Dela ninguém escapa. Em segundo lugar, porque essa exclusividade -recebida com meu nascimento- não me foi dada assim de mão beijada. Nem veio pronta nem tinha um manual. Ela se parece com aquelas massinhas de modelar que, quando a gente ganha, ganha só a massa, não a forma, e o resultado é sempre o fruto de um longo processo de faz e desfaz.Cedo percebi que jamais teria sossego e que teria muito trabalho. Típico presente de grego, uma armadilha. Encontrei eco para o meu espanto nas palavras da Mafalda, a famosa personagem de Quino, o cartunista argentino, no momento em que ela diz: "Justo a mim me coube ser eu!". Ser quem só a gente mesmo pode ser é quase uma desolação. Quem eu sou e deverei ser? Minha individualidade é um mistério.
Quantas vezes eu não preferi ser outra pessoa! Se não, pelo menos pensei se não seria melhor ter nascido em outra família, em outra época, com outra situação financeira, outra cara, outro corpo, outro temperamento. Ainda mais porque, aparentemente, sempre soube resolver a vida dos outros muito melhor do que a minha própria.
Para ser sincera, quando penso que o meu "eu" está aberto, o que sinto mesmo é um grande alívio. Se eu tivesse nascido pronta, não teria conserto. E se não houvesse remédio para os meus erros e uma chance para os meus fracassos? E se eu não pudesse mudar de ponto de vista, de gosto, de planos, de opinião? E se eu não tivesse escolhas nem alternativas?Mas também vejo um lado sombrio em ser um projeto aberto: o de nunca ter certeza, sobretudo de antemão, de ter tomado a atitude certa, de ter feito a escolha mais apropriada -aquela em que não me traio. Quando percebo que um gesto qualquer vai afetar o meu destino, sinto medo, angústia, suo frio, tenho vertigens, adoeço.
Aí, a tentação de pegar carona na escolha dos outros ou no estilo de vida deles é grande, mas minha alma grita que não vai dar certo e me lembra que o meu molde foi quebrado, que ele é exclusivo.Levei muito tempo para entender que minha exclusividade não está simplesmente em mim, na minha cor de olhos ou nos meus talentos mais especiais. Ela está sempre lançada adiante de mim como um desafio, como um destino a que tenho de chegar, como uma história que tem de ser vivida. Minha exclusividade -eu mesma- virá apenas quando eu puder afirmar que a história que vim realizando só eu -e ninguém mais- poderia tê-la vivido.É a isso que a personagem Amparo, no filme de Almodóvar "Tudo Sobre Minha Mãe", se refere quando afirma que ela é tanto mais autêntica quanto mais perto estiver daquilo que projetou para si mesma. Fala com orgulho e alegria, revelando, assim, que desvendou o mistério que envolve o problema de ser quem somos: autenticar nossa biografia.
Avaliá-la. Onde estou, senão no rastro da história que venho deixando atrás de mim, naquilo que vim fazendo e dizendo? Onde estou, senão nessa biografia que realizo e atualizo a cada instante por meio das minhas decisões e do meu empenho?
Hoje não importa mais se sou diferente dos outros, mas se faço alguma diferença neste mundo.
Este texto é de autoria de Dulce Critelli, ela é professora de filosofia da PUC-SP, é autora dos livros "Educação e Dominação Cultural" e "Analítica de Sentido" e coordenadora do Existentia -Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana.

terça-feira, maio 15, 2007

sexta-feira, maio 11, 2007

quinta-feira, maio 10, 2007

Era um vez...

Tudo era bem normal lá em Santantônio da Lamparina.
As crianças iam para a escola enquanto os pais trabalhavam. Todos riam, se divertiam e às vezes ficavam bem tristes também. Tomavam banho, soltavam pum e tinham coceira no pé, como toda gente em qualquer parte.
Só tinha um detalhe, mínimo, insignificante, que deixava tudo com cara de esquisito e diferente: lá, o dia era escuro como a noite, e quando era noite era noite também.
Os moradores estavam acostumados. Viviam à sombra da Lua, estudavam à luz de abajur, sabiam brincadeiras de escuro: gato-mia, cabra-cega, detetive....
Os mais velhos diziam que lá sempre foi assim e que, se é assim, assim será até o fim. Sentiam-se cansados de imaginar como seria viver num lugar claro e diferente. Os mais jovens sonhavam e diziam que conhecer o Sol era o maior desejo que tinham no mundo, no universo. Um desejo infinito.
Por que ninguém pensava em se mudar dali? Porque lá havia o mais lindo luar e o mais delicioso banho de mar e um povo com um sonho incomum. Às vezes, coisas assim são suficientes para nos fazer ficar.
Num dia noite, chegou um, chegaram dois e mais três ou cinco equilibristas. Era uma família de artistas! Enquanto uns tocavam, os outros faziam lances incríveis, coisa de especialista!
Há muito tempo o vilarejo não recebia visita tão animada. Os equilibristas estavam acostumados a se apresentar até o Sol raiar e estranharam: já se sentiam cansados e nada de o dia clarear.
- O Sol não vai aparecer?
E foi assim que souberam que em Santantônio da Lamparina o dia era tão escuro como a noite e que já estavam acordados fazia dois dias e meio.
-Daí o nom e da cidade?
-Daí o nome.
-Mas por que é assim?
-Diz meu avô que o avô dele dizia que o seu tataravô ensinou que é assim porque sempre foi assim e assim será até o fim!
Os artistas acharam a aquela explicação meio fraquinha, de quem já cansou de procurar solução.
Avisaram que por cinco dias escuros e quatro noites noites treinariam um novo número exclusivo e então voltariam para o espetáculo de despedida!
Voltaram.
Voltaram com um número arriscado e sensacional de equilíbrio, coragem e precisão já visto em toda história da humanidade!
Precisaram de muita concentração. Foram subindo, um sobre o outro e sobre o outro e sobre o outro e sobre outro ainda... Até que o menino equilibrista mais levinho e muito craque, com o braço bem esticado, atingiu o céu.
Com a ponta do dedo fez um picote. Um pequeno rasgo no céu, por onde passou um facho de luz.
Era mínimo, mas suficiente para iluminar de alegria e expectativa cada santantônio-lamparinense. Podiam saber como era o Sol, a luz e o calor que vinham do céu.
Devagar o rasgo foi aumentando, sozinho, como um furo de meia velha, que vai crescendo até virar um rombo...
E um dia, Santantônio da Lamparina amanheceu toda e completamente iluminada!
Os moradores, que nem tinham venezianas e cortinas, acordaram sobressaltados com tanta luz.
Festejaram até o Sol raiar outra vez.
Até hoje, não se cansam de ver o Sol nascer e depois o Sol se pôr e de novo o Sol nascer e mais uma vez o Sol se pôr. Acham graça, agradecidos.
>:-)

Esse lindinho Conto intitulado “Se assim é, Assim Será?” é de Silvinha Meirelles - revista Nova Escola, ano 13 v.4 Edição Especial, abril de 2007.

Viver não dói????

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido
Uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projeções irrealizadas,
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos,
Por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado,
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque

nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe

é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,

mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,

mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.
Fé é colocar seu sonho à prova!

Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, maio 07, 2007

lembranças

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais...
Hoje me sinto mais forte,
mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei..
Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumpri a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou
conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das
É preciso amor pra poder pulsar
preciso paz pra poder sorrir
preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia,
todo mundo chora
um dia a gente chega
no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
ser feliz...
Conhecer as manhas e as manhãs
sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz

de ser feliz...

Tocando em frente

Almir Sater e Renato Teixeira

sexta-feira, maio 04, 2007

......................................


Poço de sensibilidade

Por entre ruas, entre carros e placas
luzes cheiros e toques
Eu sou um poço de sensibilidadete buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade
Entre veludos e cetins
Fantasias e brinquedos
Desejos e um certo medo
Cheiros e toques
Eu sou um poço de sensibilidade
te buscando na cidade
Eu sou um poço de sensibilidade
O seu sorriso no meu dia-a-dia
A sua palavra em meu vocabulário
minha professora eu aprendi tudo errado
te buscando na cidade
eu sou um poço de felicidade
Com seu nariz furando o vento
Com um certo ar de autoridade
Eu fico louco, louco de saudade
Sou um cara afortunado
perto de ti eu sou um poço de sensibilidade
Poço de sensibilidade
Ira!

quinta-feira, maio 03, 2007

Canção de outono

" Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo sobre o
própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles que não se
levantarão...
Tu és a folha de outono voante pelo
jardim.
Deixo-te a minha saudade- a melhor parte
de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão... "
Cecília Meireles

Here Comes The Sun


Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun,
here comes the sun
And I say it's all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it's all right
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Sun, sun, sun, here it comes...
Little darling, I feel that ice is slowly melting
Little darling, it seems like years since it's been clear
Here comes the sun, here comes the sun,
And I say it's all right
It's all right

Here Comes the Sun
The Beatles

terça-feira, maio 01, 2007

quinta-feira, abril 26, 2007

Reason to believe

If I listened long enough to you
Id find a way to believe that its all true
Knowing that you lied straight-faced while
I cried Still I look to find a reason to believe

Someone like you makes it hard to live without
Somebody else
Someone like you makes it easy to give
Never think about myself

If I gave you time to change my mind
Id find a way just to leave the past behind
Knowing that you lied straight-faced while I cried
Still I look to find a reason to believe

If I listened long enough to you
Id find a way to believe that its all true
Knowing that you lied straight-faced while I cried
Still I look to find a reason to believe

Someone like you makes it hard to live without
Somebody else
Someone like you makes it easy to give
Never think about myself

Reason to believe
Rod Stewart

quarta-feira, abril 25, 2007

terça-feira, abril 24, 2007

Casa cheia


por onde andei, de onde vim
deixei pedaços de mim.
Cada um que entra aqui
esquece um pouco de si.
Todos tecem suas teias
virtuais, de vento, de veias.
Há vários nós entre nós:
jamais estamos sós.
Cairo Trindade

segunda-feira, abril 23, 2007

O poder dos livros

"Não há livro tão mau que não tenha alguma coisa de bom."
Miguel de Cervantes Saavedra de Alcala Henares (1547 - 1616).


"O livro é a mais importante e completa fonte de informação, de conhecimento, de prazer e de fruição intelectuais. É um maravilhoso veículo para a força das idéias, a magia do imaginário, o enlevo do poético, para a transcendência da vida, enfim. E por ser tudo isso ele é certamente o mais poderoso de todos os instrumentos de aperfeiçoamento e promoção humana e de transformação social.”

Trecho do ensaio escrito pelo jornalista A. P. Quartim de Moraes.

Dia Mundial do Livro e dia do Direito do Autor

No dia 23 de abril, mais de 100 países participarão do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, que foi lançado pela UNESCO em 1996. Editores, bibliotecas, escolas centros culturais e organizações de autores estão se preparando em todos os continentes para celebrar o dia, exaltando a importância dos livros para a sociedade moderna.

No Brasil, está em andamento a campanha “Dê um livro: incentive a educação e a leitura”, promovida pelo escritório da UNESCO no Brasil, juntamente com vários parceiros, por meio da Internet, com o objetivo de incentivar a troca de livros estimulando a leitura e o intercâmbio de conhecimento entre as pessoas. A idéia é promover a importância do livro como um instrumento de expressão, educação e comunicação.

Este ano, a UNESCO quer enfatizar o papel vital dos livros não apenas em relação a educação, economia, criação cultural e participação democrática, mas também, como afirmou o Diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, a “importância deles com relação à liberdade de expressão e à salvaguarda e promoção das expressões da diversidade cultural, como principais desafios a serem enfrentados pela Humanidade.” (*)

“Esta ação, que tem uma dimensão ética tanto quanto política”, continua Matsuura, “inscreve-se em uma perspectiva de longo alcance e requer iniciativas concretas e duradouras em favor do livro e da leitura, cujo impacto vai muito além da data simbólica de 23 de abril”. (**)

Entre as iniciativas de promoção do livro que conquistaram sucesso internacional está a “Capital Mundial do Livro”. Madrid foi a primeira cidade a ser proclamada Capital Mundial do Livro, na sexta edição do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Depois vieram Alexandria (Egito, 2002), Nova Deli (Índia, 2003), Antuérpia, 2004), Montreal (Canadá, 2005) e Turim (Itália, 2006). A cidade designada para este ano é Bogotá (Colômbia) . Para 2008, Amsterdam (Holanda) foi anunciada como uma escolha do comitê de seleção, composto por representantes da Associação de Editores Internacionais (IPA), a Federação de Vendedores de Livro Internacional (IBF) e a Federação Internacional de Instituições e Associações de Bibliotecas (IFLA) assim como a UNESCO.

Leia a mensagem Diretor-geral da UNESCO na íntegra (português) (inglês) (francês) (espanhol)

(*) Mensagem do Diretor-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, por ocasião do Dia Mundial do Livro do Direito de Autor. (**) Cervantes, Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega morreram no dia 23 de abril de 1616. Outros escritores proeminentes que nasceram ou morreram em 23 de abril, entre eles Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vellejo.

sábado, abril 21, 2007

“Cada um de nós se define para sempre, num único instante de sua vida - instante esse em que cada qual se encontra para sempre consigo mesmo”.
Jorge Luís Borges

sexta-feira, abril 20, 2007

quinta-feira, abril 19, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

A grandeza de Lobato



"UM PAÍS SE FAZ COM HOMENS E LIVROS"
José Bento Monteiro Lobato
(Taubaté, 18 de abril de 1882— São Paulo, 4 de julho de 1948)
foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX.

Enganos


Recomeça...
se puderes, sem angústia e sem pressa
e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro,
dá-os em liberdade,
enquanto não alcances não descanses,
de nenhum fruto queiras só metade"




Miguel Torga (1907-1995)
Poeta e escritor português

terça-feira, abril 17, 2007


............................


Pode parecer promessa mas eu sinto que você é a pessoa
Mais parecida comigo que eu conheço
Só que do lado do avesso
Pode ser que seja engano, bobagem ou ilusão
De ter você na minha
Mas acho que com você eu me esqueço
E em seguida eu aconteço
Por isso deixo aqui meu endereço
Se você me procurar eu apareço
Se você me encontrar
Te reconheço...

Avesso - Ceumar/Alice Ruiz

domingo, abril 15, 2007

Into White


I built my house
From barley rice.
Green pepper walls
And water ice.
Tables of paper wood,
Windows of light
And everything emptyin
'Into white.
A simple garden,
With acres of sky.
A brown-haired dogmouse
If one dropped by.
Yellow Delanie
Would sleep well at night
With everything emptying
Into white.Ooh..
A sad blue-eyed drummer
Rehearses outside;
A black spider dancin'
On top of his eye.
Red legged chicken
Stands ready to strike
And everything emptying
Into white.
I built my house
From barley rice.
Green pepper walls
And water ice
And everything emptyin
'Into white.



Into White
Cat Stevens

sexta-feira, abril 13, 2007

Sonho impossível

"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a torutura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"

Composição: Chico Buarque e Ruy Guerra