terça-feira, março 06, 2007

Lição do Bambu Chinês


Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo. Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas... Uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Um escritor de nome Covey escreveu: “Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava...”


O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos... Em nosso trabalho especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização, devemos sempre lembrar do bambu chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!!!



“É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão."



(Desconheço a autoria)

sexta-feira, março 02, 2007

My TIME AFTER AWHILE (LIVE)

Buddy's Baddest:


The Best Of Buddy Guy


é MÚSICA.

best blues

Carlos Santana Presents - Blues at Montreux 2004

Em uma noite mágica do Montreux Jazz Festival em julho de 2004, Santana teve a oportunidade de se apresentar com três de seus bluesmen preferidos: Buddy Guy, Clarence "Gatemouth" Brown e Bobby Parker. Cada um fez um show com a participação do guitarrista e de outros convidados especiais como Nile Rodgers e Barbara Morrison. Esta edição especial com 3 DVDs traz as apresentações na íntegra, e é item indispensável para todo fã de blues.
É show!

Eu queria ser um grande artista...



Uma sátira muito inteligente sobre o mundo das artes plásticas.

Café da manhã em Plutão



Filme: Café da manhã em Plutão

Um história forte e tocante.

Com uma trilha sonora impecável!

Maravilhoso.

quinta-feira, março 01, 2007

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei


Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
E nunca despertar.



(Fernando Pessoa)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O som do meu jardim


Canto

Canto quando o sol me aquece
Ou quando nada faz sentido
Quando encontro o meu caminho
Ou quando me sinto perdido

Quando estou amando
Quando o amor me esquece
Quando sonho tanto
E nada me acontece

Quando estou no fundo
Quando me salva a sorte
Quando me perco no mundo
Pra não pensar na morte

Canto e nem sei porque canto
Entre lágrimas e risos
Canto de tanto espanto
Pra não perder o juízo

Silvio Ribeiro de Castro

Ordem do Tempo

Come gather round people wherever you roam
And admit that the waters around you have grown
And accept it that soon you'll be drenched to the bone
If your time to you is worth saving
Then you'd better start swimming or you'll sink like a stone
For the times, they are a changing

Come writers and critics who prophesize with your pens
And keep your eyes open, the chance won't come again
And don't speak too soon, the wheel's still in spin
And there's no telling who that it's naming
Oh the loser will be later to win
For the times, they are a changing

Come senators, congressmen, please head the call
Don't stand in the doorway, don't block up the hall
For he that gets hurt will be her that has stalled
The battle outside ragging will soon shake your windowsAnd rattle your hall
For the times, they are a changing

Come mothers and fathers all over this land
And don't criticize what you can't understand
Hour sons and your daughter are beyond your command
Your old role is rapidly aging
Please get out of the new one if you can't lend a hand
For the times they are a changing

The line, it is drawn, the curse, it is cast
The slow one will later be fast
And the present now will soon be the past
The order is rapidly fading
The first one now will later be last
For the times, they are a changing

Times They Are A Changing
Bob Dylan
Arte de Salvador Dalí

Solidão


quinta-feira, fevereiro 22, 2007

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Shooting Star


Seen a shooting star tonight
And I thought of you.
You were trying to break into another world
A world I never knew.
I always kind of wondered
If you ever made it through.
Seen a shooting star tonight
And I thought of you.
Seen a shooting star tonight
And I thought of me.
If I was still the same
If I ever became what you wanted me to be
Did I miss the mark or
Over-step the line
That only you could see?
Seen a shooting star tonight
And I thought of me.
Listen to the engine,
listen to the bell
As the last fire truck
from hellGoes rolling by,
all good people are praying,
It's the last temptation
The last account
The last time you might hear the sermon on the mount,
The last radio is playing.
Seen a shooting star tonight
Slip Away.
Tomorrow will be another day.
Guess it's too late to say the things to you
That you needed to hear me say.
Seen a shooting star tonight
Slip away.
Shooting star
Bob Dylan

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

De menos


O que fica por dizer
é sempre mais do que se diz.
Ninguém há-de ser feliz
se não souber
que só disse metade
do que tinha na vontade.
O que fica por fazer
é sempre mais do que se faz.
Ninguém há-de ser capaz
de se entender
se pensa que tudo fez
de vez.
O que dizemos ou fazemos
é sempre de menos.
Torquato da Luz

Stay - U2

Green light, seven eleven
You stop in for a pack of cigarettes
You don?t smoke, don?t even want to
I see you check your change
Dressed up like a car crash
The wheels are turning byt you?re upside down
You say when he hits you, you don?t mind
Because when he hurts you, you feel alive
Is that what it is?
Red lights, grey morning
You stumble out of a hole in the ground
A vampire or a victim
It depend?s on who?s around
You used to stay in to watch the adverts
You could lip synch to the talk shows
And if you look, you look through me
And if you talk it?s not to me
And when I touch you, you don?t feel a thing
If I could stay... then the night would give you up
Stay, and the day would keep it?s trust
Stay, and the night would be enough
Faraway, so close
Up with the static and the radio
With satelite television
You can go anywhere
Miami, new orleans, london, belfast and berlin
And if you listen I can?t call
And if you jump, you just might fall
And if you shout I?ll only hear you
If I could stay... then the night would give you up
Stay then the day would keep it?s trust
Stay with the demons you drowned
Stay with the spirit I found
Stay and the night would be enough
Three o?clock in the morning
It?s quiet and there?s no one around
Just the bang and the clatter
As an angel runs to ground
Just the bang and the clatter
As an angel hits the ground

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

O essencial

(... Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o pequeno príncipe que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- AH! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou presa a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- OH! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com aminha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
(...)
(O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry)

Afeição e doçura



"Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.

Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido"

Charles Chaplin

Perfeição


Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladroes
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
2
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
3
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
4
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
5
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição



PerfeiçãoLetra: Renato RussoMúsica: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O Verão e as Rosas


“...O sol estourou a pintura azul colonial no peitoril da janela. Um prato de louça trincado. Um pára-brisa espatifado (o do meu carro, quando passava por debaixo de um viaduto). No azul do peitoril, velhos rios brancos se reabrem para a luz do sol e ganham corpo pelas rachaduras. A dor do dia nada teve a ver com o azul dos ladrilhos no piso do banheiro. Tem tudo a ver com as dez luas quarto minguantes que brilharam passageiramente no azul dos ladrilhos. A dor do dia nada tem a ver com o azul colonial do céu de janeiro. Tem tudo a ver com os velhos rios brancos que se reabrem para a luz do sol no azul do peitoril. A dor sempre foi boa companheira. Mas em nada por nada boazinha. Ela tem tudo a ver com o sol de verão. O sol a pino racha ao meio o ambiente como um machado afiado, a tora de madeira. Para servir de lenha na fogueira da tarde..."

Silviano Santiago
21 Históris de amor
p.51

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Lembrando Paulo Francis


"Sei que é meio chocante que eu vou dizer, mas eu prefiro a solidão dos livros ao contato com as pessoas. As relações humanas são sempre complicadas, não importa se com homens ou com mulheres. Eu sou um homem muito tímido."


Paulo Francis 1930-1997
Em "O Estado de S.Paulo" e "O Globo", 18/8/96

Mafalda





terça-feira, fevereiro 06, 2007

Side Ways


Comédia interessante sobre amizades e vinho

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Pink Panther




"Já passei por muitas tristezas,
mas no fundo do meu poço tem uma mola."

A.G.

Posted by Picasa

sábado, janeiro 27, 2007

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Caeiro


XIII - Leve


Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.



Não me importo com as rimas
(7-3-1914)

XIV
Não me importo com as rimas.
Raras vezesHá duas árvores iguais,
uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.


Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...


Em: Fernando Pessoa - Poesia completa de Alberto Caeiro


quarta-feira, janeiro 24, 2007

Quando Nietzche chorou


Bom entretenimento...
Este livro tem como pano de fundo o fermento intelectual da Viena do século XIX às vésperas do nascimento da psicanálise. Friedrich Nietzsche, o maior filósofo da Europa... Josef Breuer, um dos pais da psicanálise... um pacto secreto... um jovem médico interno de hospital chamado Sigmund Freud - esses elementos se combinam para criar a saga de um relacionamento imaginário entre um extraordinário paciente e um terapeuta talentoso. Na abertura deste romance, a inatingível Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche mediante sua experimental terapia através da conversa. Ao aceitar relutante a tarefa, o eminente médico realiza uma grande descoberta - somente encarando seus próprios demônios internos poderá começar a ajudar seu paciente. Assim, dois homens brilhantes e enigmáticos mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões românticas e descobrem o poder redentor da amizade.

Adote um gato

Posted by Picasa

Jean-Paul Sartre e A Idade da Razão

Mathieu olhou o relógio. “Dez e quarenta, ela está atrasada.” Não gostava que ela se atrasasse, tinha sempre medo de que se deixasse morrer. Ela esquecia tudo, fugia de si mesma, esquecia-se sempre, esquecia de comer, esquecia-se de dormir. Um dia se esquecia de respirar e pronto. Dois rapazes tinham parado perto dele; olharam uma das mesas com desdém, num desafio.
- Sit down – disse um.
- Eu sit down – respondeu o outro. Riram e sentaram. Tinham as mãos bem tratadas, a fisionomia dura e a carne tenra. “Só dá chato aqui”, pensou Mathieu, irritado. Estudantes ou ginasianos. Jovens machinhos cercados de fêmeas passadas e que pareciam insetos brilhantes e obstinados. “É engraçada a mocidade”, pensou Mathieu, “por fora rutilante, por dentro não se sente nada”. Ivich cheirava a mocidade. Boris também, mas eram exceções. Mártires da juventude. “Eu não sabia que era jovem, nem Brunet, nem Daniel. Depois é que percebemos.”
Lembrou-se sem grande prazer de que ia acompanhar Ivich a uma exposição de Gauguin. Gostava de mostrar-lhe belos quadros, belas fitas, belos objetos, porque ele próprio não era belo e era sua maneira de se desculpar. Ivich não o desculpava. Hoje como das outras vezes olharia os quadros com seu ar selvagem e maníaco. Mathieu ficaria ao seu lado, feio, importuno, esquecido. No entanto não desejava ser belo; nunca ela estava mais só do que diante da beleza. Refletiu: “Não sei o que quero dela”. Viu-a nesse mesmo instante. Descia o bulevar ao lado de um rapaz alto de cabeleira crespa e óculos. Ela erguia o rosto e lhe ofereceria um sorriso luminoso. Falavam animadamente. Quando viu Mathieu seus olhos se apagavam; disse um adeus rápido ao companheiro e atravessou a Rue dês Écoles como que sonolenta. Mathieu levantou-se.
- Salve Ivich!
- Bom dia – disse ele.
Estava com seu rosto dos dias de festa. Puxara os cabelos louros até o nariz e a franja lhe descia até os olhos. No inverno o vento lhe atormentava os cabelos, despia-lhe as bochechas gordas e lívidas e a testa curta que ela costumava chamar “testa de clamuco”. Um rosto largo surgia pálido, infantil e sensual como a lua entre duas nuvens. Atualmente Mathieu via somente um falso rosto, estreito e puro, que ela usava por cima do verdadeiro como uma máscara triangular. Os jovens vizinhos de Mathieu voltaram-se para olhá-la. Pensavam visivelmente: “Boa garota”, Mathieu contemplou-a com ternura. Ele, somente ele sabia que Ivich era feia. Ela sentou calma e taciturna. Não estava pintada porque a pintura estragava a pele. –
- E para madame? – perguntou o garçom.
Ivich sorriu-lhe. Gostava que a tratassem de madame. Depois virou-se para Mathieu indecisa.
- Tome um Pippermint – disse Mathieu -, você gosta disso.
- Gosto disso? – Divertia-se. – Pois então que vá. Mas que é isso? – Indagou quando o garçom se afastou.
- Menta verde.
- Aquela coisa verde e viscosa que bebi outro dia?
Oh! Não quero não, isso cola na boca. Eu vou deixando que você me conduza, mas não i deveria fazer. Não temos os mesmos gostos.
- Você disse que gosta – atalhou Mathieu contrariado.
- Sim, mas refleti, lembrei-me do gosto. – Estremeceu. – Nunca mais beberei.
- Garçom! – gritou Mathieu.
- Não, não, deixe que ele traga, é bonito. Não beberei eis tudo. Alíás, não estou com sede.
Calou-se, Mathieu não sabia o que dizer. Ivich interessava por tão pouca coisa! E ele não tinha vontade de falar. Marcelle estava ali. Ele não a via, não se referia a ela, mas estava ali. Ivich sim, ela a via, podia chamá-la pelo nome ou tocar-lhe o ombro; mas era inatingível com seu porte frágil e seus belos seios duros. Parecia pintada e envernizada como uma taitiana de Gauguin. Inutilizável. Dentro em pouco Sarah telefonaria. O garçom chamaria: “M. Delarue”. Mathieu ouviria uma voz sombria: “Ele quer dez mil francos, nem um franco a menos”. Hospital cirurgia, cheiro de éter, questões de dinheiro. Mathieu fez um esforço e voltou-se para Ivich. Ela fechara os olhos e passava de leve os dedos sobre as pálpebras. Reabriu os olhos.
- Tenho a impressão de que ficam abertos sozinhos. De vez em quando eu os fecho para que descansem. Estão vermelhos?
- Não.
-É o sol. No verão eles me doem. Em dias como este a gente não deveria sair senão depois de escurecer. Não se sabe onde se enfiar, o sol nos persegue por toda parte. E as pessoas ficam com as mãos úmidas. Olhava Ivich sem se sentir perturbado; achava-se culpado e libertado ao mesmo tempo por querê-la menos.
-Aborreceu-se porque eu a forcei a sair tão cedo?
- De qualquer maneira eu não podia ficar no quarto.
- Por quê? – indagou Mathieu espantado.
Ivich encarou-o com impaciência.
-Você não sabe o que é um Lar do Estudante. Protegem-se as moças de verdade, sobretudo no momento dos exames. E depois a mulherzinha tomou-se de afeição por mim, entra a todo instante no quarto, por qualquer pretexto, me acaricia os cabelos. Tenho horror a que me toquem.
Mathieu mal a ouvia. Sabia que ela não pensava no que dizia. Ivich sacudiu a cabeça irritada.
- Ela gosta de mim porque sou loura. É sempre a mesma coisa. Daqui a três meses vai me detestar. E dirá que eu sou dissimulada.
- você é dissimulada – disse Mathieu.
- Sim... – murmurou ela num tom preguiçoso de voz que induzia a pensar em suas faces lívidas.
- Afinal as pessoas acabam percebendo que você esconde a face e baixa os olhos como uma santinha do pau oco.
- Ora! Você gostaria que soubessem como você é? – acrescentou com certo despreza. – É verdade que não liga para essas coisas. Quando a olhar as pessoas de frente, não posso. Os olhos me ardem logo.
- Você me incomodava a princípio – disse Mathieu.
- Você me olha em cima da testa, à altura dos cabelos. Eu que tenho tanto medo de ficar calvo. Pensava sempre que você tivesse percebido um lugar mais ralo e não pudesse mais despregar os olhos.
- Olho todo mundo assim.
- Sim, ou de lado: assim...
Ele lhe deitou um ar matreiro e rápido. Ela riu divertida e furiosa.
- Pare! Não gosto que me imitem.
- Bom não era muito maldoso.
- Não, mas fico com medo quando você imita minha expressão!
- Compreendo! – disse Mathieu sorrindo.
- Não é o que você imagina, não. Mesmo que você fosse o mais belo rapaz da terra, eu teria medo.
Acrescentou mudando de voz:
Eu quisera muito que os meus olhos não me doescem tanto.
- Escute – disse Mathieu -, vou a farmácia comprar um comprimido. Mas estou esperando um telefonema, se me chamarem diga ao garçom que volto já. Por favor.
- Não, não vá – disse ela secamente. – agradeço, mas não adianta. É o sol.
Calaram-se. “Estou me chateando”, pensou Mathieu com estranho prazer. Um prazer crispado. Ivich alisava a saia com as palmas das mãos, erguendo ligeiramente os dedos como se fosse tocar piano. Suas mãos estavam sempre avermelhadas porque ela tinha má circulação. Em geral ela as mantinha erguidas e as agitava de vez em quando em vez para que empalidecessem. Não lhe serviam quase para pegar, eram dois idolozinhos gastos nas pontas dos braços; roçavam as coisas com gestos miúdos e inacabados e pareciam menos destinadas a segurar do que a modelar. Mathieu olhou as unhas de Ivich, longas e pontudas, excessivamente pintadas, quase chinesas. Bastava contemplar aqueles adornos frágeis e incômodos para compreender que Ivich não podia fazer coisa alguma com seus dez dedos. De uma feita caíra-lhe uma unha, sozinha, ela guardava num pequenino esquife e de vez em quanto a examinava como uma mistura de prazer e horror. Mathieu a vira. Conservara o verniz e assemelhava-se a um besouro morto. “Que será que a preocupa? Nunca foi mais irritante. Deve ser o exame. A menos que se chateie comigo. Afinal de contas eu sou um adulto.”
- Deve começar assim, por certo, quando a gente fica cega – disse de repente Ivich com um ar neutro.
- Por certo não – respondeu Mathieu, sorrindo, - Você sabe o que lhe disse o médico em Laon: um pouco de conjuntivite.
Falava docemente, sorria docemente, sentia-se melado de doçura. Com Ivich era preciso sorrir sempre, fazer gestos suaves e lentos. “Como Daniel com seus gatos.”
- Os olhos me doem tanto – disse Ivich -, basta uma coisa de nada. – Hesitou. – É bem no fundo dos olhos que dói. Não é assim que começa aquela loucura de que me falava há dias?
- Ah! Aquela história? Escute, Ivich da última vez era o coração, você tinha medo de uma crise cardíaca. Que menina esquisita, parece que tem medo de se atormentar. E de repente você declara que é feita de cimento! Escolha.
Sua voz fixava-lhe um gosto de açúcar na boca.
Ivich olhava para os pés, concentrada.
- Deve estar me acontecendo alguma coisa.
-Eu sei – disse Mathieu -, sua linha da vida interrompida. Mas você disse que não acredita.
- Não, não acredito. Mas é que eu não posso imaginar meu futuro. Há uma barragem na frente.
Calou-se e Mathieu contemplou-a em silêncio. Sem futuro... De repente sentiu um gosto desagradável na boca e percebeu que estava demais preso a Ivich com trinta anos. Ivich com quarenta anos, isso não tinha sentido.

Pg.61
 Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 22, 2007

sentido da vida

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam.

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.

Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram um a eternidade.

A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. "



Texto de Clarice Lispector

domingo, janeiro 21, 2007

sapo cururú....

Posted by Picasa A palavra mágica

Certa palavra
dorme na sombrade um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro,
se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre,
e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Arte do Mundo

Posted by Picasa Apenas um monte de lixo?
Nada disso!Olhe só a sombra projetada na parede!!!!!
Está no museu de Arte de Israel

Idade da Paixão


3

Gado para o curral. Três andares, surdo tropel conhecido.
O bloco de vidro é um viveiro, na animação de começo de ano, antes que, gás letal, a letargia se infiltre por frinchas e portas, se aposse dos corpos derreados sobre as cadeiras duras de pau.
Um boneco mecânico agita-se na nossa frente, rabisca no quadro. Como criança soprando bolhas de sabão, solta no ar pílulas de conhecimento, que engolimos a contragosto. Já no terceiro horário, Matemática, me digo não agüento mais: e é apenas o primeiro dia. Encarcerado há sete anos – sem contar o primário – em regulamentos, horários, deveres de casa, quero cair na vida.
Certo, haverá o fosso, a fossa, do vestibular. Correndo tudo bem, tenho mais quatro anos, cinco anos conforme a opção, de faculdade à frente. Mas a faculdade não é colégio. A faculdade, ou melhor, a universidade – ó nome pomposo – é um centro de alto saber, um congresso de talentos, assembléia de sensíveis humanistas, laboratório de progresso e criatividade. Os compêndios são alentados; as teorias, um desafio intelectual. Na universidade a imaginação teria um lugar; lá, eu frutificaria, ganharia densidade – além, é claro, do indispensável diploma. O dia da formatura – me fora ensinado – era, ao lado do dia do casamento, o mais feliz e importante de nossa existência.
Ansiado canudo, vinde a mim, salvo-conduto para a ação, após o lento gotejar de anos de espera. Desejo viver; não apenas ver, ouvir, a cidade agitando-se no rumor fabril, enquanto contemplo melancólico seu casario dourar-se aos poucos no sol da tarde. Estes janelões convertem-me em testemunha – quando aspiro é a ser agente da vida.
Armadilhas estão plantadas no caminho desse risonho porvir universitário. Aluno medíocre, 6 ou 7 já sendo nota . Não tenho no íntimo essa certeza, não consigo me imaginar feliz entrando no Fórum, gravata, pasta na mão, para comprar briga de meu constituinte, a quem o vizinho, avanboa, não vá uma segunda época atrapalhar minha libertação. Medo agravado pela responsabilidade de não desperdiçar o dinheiro de meu pai, fazendo-o me pagar pensão, quando eu poderia muito bem ter ficado em nossa casa de Santa Maria.
Inquieta-me também a opção pelo Direito, carreira que meu pai proclama belíssima e para qual me destino por gostar de escrever, de livrosçando a cerca, roubou cinco metros do terreno.
A um palmo do nariz, observo as hastes pontiagudas do capim, descubro que o vejo pela primeira vez, na sua limpa geometria de combate. Isso me distrai, até que em meu aniquilamento me advirto, precisas aprender o mundo.


Extraído do livro "A idade da Paixão", p.33
Rubem Mauro Machado

Prêmio Jabuti de melhor romance em 1986


Este livro que ninguém ficará indiferente, nos oferece instantes de reveladora intimidade, secretamente familiar a todos nós. Retrato de uma época (a ação transcorre em 1961), é porém capaz de transcendê-la como a juventude do personagem principal e de caminhar na direção do futuro, como toda e qualquer vida que reage ao que a oprime; e como toda obra de arte de primeira grandeza.


Posted by Picasa

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Uma Arte

Posted by Picasa


















The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.


Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.


Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.


I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.


I lost two cities, lovely ones.
And, vaster,some realms I owned,
two rivers, a continent.

I miss them, but it wasn't a disaster.
---Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied.


It's evident the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
-- Elizabeth Bishop

Momento

 Posted by Picasa

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Quietude

Posted by Picasa
Ainda assim, sou alguém.
Sou o descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele próprio.




Alberto Caeiro
[Obra Poética, 226]