sexta-feira, maio 05, 2006
quinta-feira, maio 04, 2006
Reflexos de Outono

"Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
e volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida."
Canção extraordinária
Cecília Meireles
terça-feira, maio 02, 2006
Reel Around the Fountain
It's time the tale was told
Of how you took a child
And you made him old
Reel around the fountain
Slap me on the patioI'll take it now
Fifteen minutes with you
Well, I wouldn't say no
People said
That you were virtually dead
And they were so wrong
Fifteen minutes with you
Well, i wouldn't say no
People said that you were easily led
And they were half-right
I dreamt about you last night
And i fell out of bed twice
You can pin and mount me
Like a butterfly
But take me to the haven of your bed
Was something that you never said
Two lumps, please
You're the bee's knees
But so am I
Meet me at the fountain
Shove me on the patio
I'll take it slowly
Fifteen minutes with you
Oh I wouldn't say no
People see no worth in youOh but I do
Resumo da ópera
"...Aprende a reconhecer o fato de que
é a tua doença emocional que te destrói
minuto a minuto, e não qualquer poder exterior.
Há muito que terias suprimido os tiranos
se estivesse vivo e sadio no teu íntimo.
é a tua doença emocional que te destrói
minuto a minuto, e não qualquer poder exterior.
Há muito que terias suprimido os tiranos
se estivesse vivo e sadio no teu íntimo.
Wilhelm Reich
sexta-feira, abril 28, 2006
PAZ

"Irã diz que "não dá a mínima" para resolução da ONU"
"Acusados negam atentados fracassados de Londres"
"Bombardeio americano perto de Faluja mata dois
Em Bagdá, nem toda morte vira notícia"
"Ataques deixam 31 iraquianos mortos ao nordeste de Bagdá"
"Detentos de Franco da Rocha mantêm 30 reféns
Estudante é agredido por ladrão em escola no RS"
"PMs são presos por extorsão contra turistas no Rio"
"Violência no Brasil pode sair do controle, diz general Alberto Cardoso"
quinta-feira, abril 27, 2006
terça-feira, abril 25, 2006
Memórias do Gabo
Iceberg

" ...coisas assim fazem a gente se sentir menores que grãos
de areia"
Esta foto foi enviada por um mergulhador ao Rig Manager for Global MarineDrilling in St. Johns, Newfoundland, England. Só foi possível a obtençãodesta preciosidade fotográfica porque o mar estava absolutamente calmo, não havia partículas em suspensão na água e o sol incidia diretamente sobre oIceberg. Embora visto da superfície parecesse de tamanho normal, técnicosavaliaram que deveria ter cerca de 500 metros abaixo da linha d'água,pesando cerca de 300 000 000 toneladas.
segunda-feira, abril 24, 2006
Baader-Meinhof Blues

Legião Urbana
Composição: Dado Villa-lobos/ Renato Russo / Marcelo Bonfá
A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa dia e noite e sempre
Vê apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também
Andando nas ruas pensei que podia ouvir
Alguém me chamando, dizendo meu nome
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o proximo é tão demodê
Essa justiça desafinada é tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também, qual é a diferença?
Não estatize meus sentimentos pra seu governo
O meu estado é independente
Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o proximo é tão demodê
quinta-feira, abril 20, 2006
quarta-feira, abril 19, 2006
Leitura dinâmica (com humor)

Giuseppe Arcimboldo - Bibliotecário
Bem sei que a vida moderna não deixa tempo para a leitura de bons livros.
Assim, envio-lhe o resumo de clássicos da literatura que muito ajudarão a engrandecê-lo(a) culturalmente.
Leon Tolstoi: Guerra e Paz
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade a Rússia. A mocinha casa-se com outro. Fim.
Marcel Proust: Em Busca do Tempo Perdido
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto. Fim.
Luís de Camões: Os Lusíadas.
Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Fim.
Gustave Flaubert: Madame Bovary
Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Fim.
William Shakespeare: Romeo e Julieta
Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Fim
William Shakespeare: Hamlet
Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Fim.
Sófocles: Édipo Rei
Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Fim.
William Shakespeare: Othelo
Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Fim.
Você economizou a leitura de pelo menos 7.000 páginas e R$ 500,00 em livros !!!
Cortesia de Andrea Rollemberg
Não resisti e "roubei" do Leonardo blog "Espirito de porco"
Os signos e as lâmpadas
P: Quantos Arianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Só um. Por quê? Qual o problema?
R2: Nenhum. Arianos não têm medo do escuro.
R3: Só um, mas com um monte de lâmpadas. (*crash*)
P: Quantos Taurinos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Só um, mas só se depois puder celebrar com um jantar complete e muito sexo.
R2: Nenhum. Taurinos não trocam nada.
R3: Um, mas tente convencê-lo de que a lâmpada queimada é inútil e deve ser jogada fora?
P: Quantos Geminianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Dois. Mais um telefone sem fio, uma conexão com a Internet e um cópia do Guia Completo da Troca de Lâmpadas
R2: Dois (é claro) mas vai levar uma semana inteira e, no fim, a lâmpada vai fazer seu trabalho de casa, falar francês e brilhar na cor que você quiser.
R3: Dois, mas o trabalho nunca termina - eles ficam discutindo quem deve fazer e como deve ser feito.
P: Quantos Cancerianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Só um, mas o terapeuta leva três anos para fazê-los superar o sofrimento.
R2: Só um, e ele vai usar também uma fralda não descartável.
R3: Nenhum: Um Canceriano ia morrer de preocupação com esse problema.
P: Quantos Leoninos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Leoninos não trocam lâmpadas, ainda que às vezes seus empresários contratem um Virginiano para fazer o serviço enquanto eles estão fora.
R2: Um. Ele segura a lâmpada e o mundo gira a sua volta.
R3: Nenhum. Leoninos brilham com luz própria.
P: Quantos Virginianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Virginiano não têm tempo de trocar as próprias lâmpadas. Estão muito ocupados trocando as dos outros.
R2: Aproximadamente 1,000000 com uma margem de erro de of +/- 1 milhonésimo.
R3: Vejamos? Um para ver que a lâmpada queimou, um para marcar o tempo que a lâmpada levou para queimar, um para decidir de quem é a culpa pela lâmpada ter queimado e quem escolheu aquela marca, dez para decidir remodelar a casa assim que trocarem a lâmpada...
P: Quantos Librianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Bem, dois. Ou talvez um. Não? pensando bem, dois. Tá bom pra você?
R2: Por que trocar a lâmpada? O escuro é mais romântico.
R3: Bem? Eu não sei ao certo. Acho que depende da lâmpada e de onde ela queimou. Pode ser um se for uma lâmpada comum, ou talvez dois se a pessoa não souber onde encontrar uma lâmpada nova, ou talvez... ...
P: Quantos Escorpianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Nenhum, eles preferem ficar sentados no escuro.
R2: Quem quer saber? Por que você quer saber? É da polícia?
R3: Essa é uma informação estritamente secreta, partilhada somente pelos Iluminados na Câmara das Estrelas da Antiga Ordem Hierárquica.
P: Quantos Sagitarianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Pergunte quando eu voltar da Índia, ok?
R2: O Sol está brilhando, o dia nasceu, temos a vinda inteira pela frente e você fica aí dentro se preocupando com uma lâmpada queimada idiota?
R3: Um monte. Eu só consigo mantê-los na sala tempo suficiente para que cada um dê um quarto de volta na lâmpada.
P: Quantos Capricornianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Nenhum. Capricornianos não têm como comprar lâmpadas novas, a menos que sejam uma despesa de trabalho legítima.
R2: Eu não perco tempo com piadas infantis.
R3: Nenhum. Por que se preocupar? Provavelmente a nova vai queimar também.
P: Quantos Aquarianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Bem, você tem que lembrar que tudo é energia...
R2: Centenas, mas eles vão brigar para ver com troca a lâmpada e traz luz ao mundo.
R3: Olha, por que você não se manda e para de me pedir pra fazer todo o trabalho? Estou, tipo, de saco cheio de você me perguntar essas coisas.
P: Quantos Piscianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Lâmpada? Que lâmpada?
R2: Ahn? A luz apagou?
R3: Nenhum. O que interessa é a luz interior.
Ninguém se habilita? (0)
Posted 9/20/2005 by Leonardo
R1: Só um. Por quê? Qual o problema?
R2: Nenhum. Arianos não têm medo do escuro.
R3: Só um, mas com um monte de lâmpadas. (*crash*)
P: Quantos Taurinos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Só um, mas só se depois puder celebrar com um jantar complete e muito sexo.
R2: Nenhum. Taurinos não trocam nada.
R3: Um, mas tente convencê-lo de que a lâmpada queimada é inútil e deve ser jogada fora?
P: Quantos Geminianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Dois. Mais um telefone sem fio, uma conexão com a Internet e um cópia do Guia Completo da Troca de Lâmpadas
R2: Dois (é claro) mas vai levar uma semana inteira e, no fim, a lâmpada vai fazer seu trabalho de casa, falar francês e brilhar na cor que você quiser.
R3: Dois, mas o trabalho nunca termina - eles ficam discutindo quem deve fazer e como deve ser feito.
P: Quantos Cancerianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Só um, mas o terapeuta leva três anos para fazê-los superar o sofrimento.
R2: Só um, e ele vai usar também uma fralda não descartável.
R3: Nenhum: Um Canceriano ia morrer de preocupação com esse problema.
P: Quantos Leoninos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Leoninos não trocam lâmpadas, ainda que às vezes seus empresários contratem um Virginiano para fazer o serviço enquanto eles estão fora.
R2: Um. Ele segura a lâmpada e o mundo gira a sua volta.
R3: Nenhum. Leoninos brilham com luz própria.
P: Quantos Virginianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Virginiano não têm tempo de trocar as próprias lâmpadas. Estão muito ocupados trocando as dos outros.
R2: Aproximadamente 1,000000 com uma margem de erro de of +/- 1 milhonésimo.
R3: Vejamos? Um para ver que a lâmpada queimou, um para marcar o tempo que a lâmpada levou para queimar, um para decidir de quem é a culpa pela lâmpada ter queimado e quem escolheu aquela marca, dez para decidir remodelar a casa assim que trocarem a lâmpada...
P: Quantos Librianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Bem, dois. Ou talvez um. Não? pensando bem, dois. Tá bom pra você?
R2: Por que trocar a lâmpada? O escuro é mais romântico.
R3: Bem? Eu não sei ao certo. Acho que depende da lâmpada e de onde ela queimou. Pode ser um se for uma lâmpada comum, ou talvez dois se a pessoa não souber onde encontrar uma lâmpada nova, ou talvez... ...
P: Quantos Escorpianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Nenhum, eles preferem ficar sentados no escuro.
R2: Quem quer saber? Por que você quer saber? É da polícia?
R3: Essa é uma informação estritamente secreta, partilhada somente pelos Iluminados na Câmara das Estrelas da Antiga Ordem Hierárquica.
P: Quantos Sagitarianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Pergunte quando eu voltar da Índia, ok?
R2: O Sol está brilhando, o dia nasceu, temos a vinda inteira pela frente e você fica aí dentro se preocupando com uma lâmpada queimada idiota?
R3: Um monte. Eu só consigo mantê-los na sala tempo suficiente para que cada um dê um quarto de volta na lâmpada.
P: Quantos Capricornianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Nenhum. Capricornianos não têm como comprar lâmpadas novas, a menos que sejam uma despesa de trabalho legítima.
R2: Eu não perco tempo com piadas infantis.
R3: Nenhum. Por que se preocupar? Provavelmente a nova vai queimar também.
P: Quantos Aquarianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Bem, você tem que lembrar que tudo é energia...
R2: Centenas, mas eles vão brigar para ver com troca a lâmpada e traz luz ao mundo.
R3: Olha, por que você não se manda e para de me pedir pra fazer todo o trabalho? Estou, tipo, de saco cheio de você me perguntar essas coisas.
P: Quantos Piscianos são necessários para trocar uma lâmpada?
R1: Lâmpada? Que lâmpada?
R2: Ahn? A luz apagou?
R3: Nenhum. O que interessa é a luz interior.
Ninguém se habilita? (0)
Posted 9/20/2005 by Leonardo
quarta-feira, abril 12, 2006
Amizades
sexta-feira, abril 07, 2006
Latinório
A nossa língua de cada dia
por Emir R. Nogueira
Se você escreve textualmente palavras alheias, e não quer deixar dúvidas quanto a isso, convém esclarecer que a citação é “ipsis litteris” ou “ipsis verbis” (com as mesmas letras, com as mesmas palavras, sem tirar nem por). E se há na transcrição termos ou expressões que o leitor possa estranhar, é de bom aviso colocar após eles, entre parênteses, o advérbio “sic” (assim, assim mesmo). Dessa maneira, você ressalva a sua responsabilidade: o erra, impropriedade ou inconveniência do texto que você está reproduzindo devem ser debitados ao autor.
Mas pode ser que você mesmo se engane. Nessas circunstâncias, uma boa desculpa é alegar que você escreve “currente calamo”, ou seja, ao correr da pena – mesmo que você só digite no computador. Cálamo (em português com acento) é o caule das plantas gramineas e outras e, por extensão, a antiga pena de escrever que com ela era feita. De cálamo, temos calamidade, no início, a destruição das colheitas, depois de qualquer desgraça.
Quem escreve “currente calamo” geralmente não tem condições para refletir mais cuidadosamente ou revisar seu texto: “ipso facto” (pelo próprio fato, por esse mesmo fato, por essa razão, por isso mesmo), está sujeito freqüentemente a enganar-se.
Se você acha que deve apontar o erra, polidamente, talvez seja conveniente iniciar suas observações com aquele “data venia” (dada permissão, com a devida vênia), de que a linguagem jurídica parece gostar tanto.
Nas citações, para evitar repetições, é de praxe o uso de “idem” o mesmo, o mesmo autor). “Ibdem” (no mesmo lugar, aí mesmo) indica que se fez mais de uma citação da mesma obra, mesmo capítulo ou mesma página. Quando se faz uma citação indireta, isto é, de segunda mão, colhida em outros autores, a expressão que se impõe é “apud” (em, junto a, junto de).
Em tudo que se aprende, de qualquer forma, é importante evitar a subordinação ao “magister dixit”, o mestre disse, velha fórmula latina que designava opiniões irrespondíveis ou que não admitam réplicas.
por Emir R. Nogueira
Se você escreve textualmente palavras alheias, e não quer deixar dúvidas quanto a isso, convém esclarecer que a citação é “ipsis litteris” ou “ipsis verbis” (com as mesmas letras, com as mesmas palavras, sem tirar nem por). E se há na transcrição termos ou expressões que o leitor possa estranhar, é de bom aviso colocar após eles, entre parênteses, o advérbio “sic” (assim, assim mesmo). Dessa maneira, você ressalva a sua responsabilidade: o erra, impropriedade ou inconveniência do texto que você está reproduzindo devem ser debitados ao autor.
Mas pode ser que você mesmo se engane. Nessas circunstâncias, uma boa desculpa é alegar que você escreve “currente calamo”, ou seja, ao correr da pena – mesmo que você só digite no computador. Cálamo (em português com acento) é o caule das plantas gramineas e outras e, por extensão, a antiga pena de escrever que com ela era feita. De cálamo, temos calamidade, no início, a destruição das colheitas, depois de qualquer desgraça.
Quem escreve “currente calamo” geralmente não tem condições para refletir mais cuidadosamente ou revisar seu texto: “ipso facto” (pelo próprio fato, por esse mesmo fato, por essa razão, por isso mesmo), está sujeito freqüentemente a enganar-se.
Se você acha que deve apontar o erra, polidamente, talvez seja conveniente iniciar suas observações com aquele “data venia” (dada permissão, com a devida vênia), de que a linguagem jurídica parece gostar tanto.
Nas citações, para evitar repetições, é de praxe o uso de “idem” o mesmo, o mesmo autor). “Ibdem” (no mesmo lugar, aí mesmo) indica que se fez mais de uma citação da mesma obra, mesmo capítulo ou mesma página. Quando se faz uma citação indireta, isto é, de segunda mão, colhida em outros autores, a expressão que se impõe é “apud” (em, junto a, junto de).
Em tudo que se aprende, de qualquer forma, é importante evitar a subordinação ao “magister dixit”, o mestre disse, velha fórmula latina que designava opiniões irrespondíveis ou que não admitam réplicas.
quinta-feira, abril 06, 2006
alguns dos meus mestres
As raridades de um homem raro
Biblioteca Central abriga acervo de livros doados pelo crítico literário, ensaísta e professor Alexandre Eulálio
Alexandre Eulálio lê obra do colega Brito Broca: perfeccionismo e vasta produção.
Capa de Flos Sanctorium, do século 16, escrita por Frei Rosário sobre a vida de santos.
Embora ainda restem mais de 3 mil volumes para ser catalogados, a Coleção Alexandre Eulálio, instalada no terceiro piso da Biblioteca Central (BC) da Unicamp, já se tornou um dos acervos mais consultados na área de Coleções Especiais pela comunidade interna e pelo público externo. Com mais de 12 mil volumes, trata-se de um dos mais importantes acervos particulares da Universidade.
Desde muito cedo, o livro foi um objeto que sempre fascinou Alexandre Eulálio (1932-1988) – crítico literário, ensaísta e professor de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) –, que se revelou um grande bibliófilo. Ao longo de sua vida, o professor reuniu quase 50 mil volumes, hoje distribuídos em instituições de ensino e em casa de parentes. Muitas das obras depositadas na Unicamp são presentes de amigos, escritores ou foram compradas pelo próprio Alexandre Eulálio, que acabou doando uma parte à Universidade.
Crítico literário era autodidata
Não tinha preferência por uma ou outra obra. Bastava que a publicação lhe despertasse interesse que ele arranjava uma maneira de adquiri-la. E não fazia questão do preço. Foi assim que obteve, por exemplo, obras raríssimas como o Flos Sanctorium, do século 16, escrita por Frei Rosário, da ordem de São Domingos, sobre a vida e a obra de santos. Ou ainda o Memórias do Disctrito Diamantino, de Joaquim Felício dos Santos, de 1868. Outra obra que integra o acervo é Marilia de Dirceu, clássico de Thomas Antonio Gonzaga, datada de 1862.
“É curioso observar que a maioria das obras raras depositadas na BC encontra-se ainda em perfeitas condições, porque na época não se usavam produtos químicos na fabricação de papel, o que vale dizer que isso não atraía insetos”, como explica Marta Regina da Silveira Do Val, bibliotecária do setor de obras raras da BC. Entre os livros mais antigos e interessantes dessa coleção destaca-se o Crônica de Veneta, um conjunto de ensaios de Antonio Pacífico di Pietro, de 1697. No entanto, nenhum volume da Coleção de Obras Raras pode ser emprestado ao interessado.
Segundo Tereza Cristina Carvalho, bibliotecária responsável pela área de Coleções Especiais, uma vez que não há empréstimo, qualquer obra só poderá ser consultada no próprio local – no 3º andar da biblioteca. “Esse cuidado se dá unicamente em virtude da necessidade de se preservar o acervo”, diz Tereza Cristina.
De sua produção reunida em livro, as obras de Eulálio que mais se destacam são A Aventura Brasileira de Blaise Cendrars (1978), o ensaio Os Dois Mundos de Cornélio Penna (1980) e Os melhores poemas de Thomas Antonio Gonzaga (1983). E não é só: durante toda a sua vida sobressaiu-se como organizador de produção, editor e gerador de idéias em permanente articulação.
Transportando jóia e dinheiro – O acervo de obras raras do professor Alexandre Eulálio conta com aproximadamente 130 livros que datam do período compreendido entre os séculos 16 e 19. O que normalmente caracteriza uma obra rara são os detalhes bibliográficos que emprestam ao livro sua preciosidade, tanto na forma quanto no conteúdo. Ali podem ainda ser encontradas, por exemplo, obras raras como as Obras poéticas, de Pedro Antonio Correa Garção (1778); Macarronea latino-portuguesa, uma obra que, como o próprio nome diz, é um “amontoado” de versos em estilo macarrônico, quer dizer, composições com efeito burlesco ou cômico. No livro, publicado em Lisboa em 1767, não consta o nome do seu autor.
Quem visitar o terceiro andar da Biblioteca Central pode observar uma outra obra no mínimo curiosa: Sermões do Bispo M. Massillon (1633-1742). Trata-se de um livrinho com 10 centímetros por 14,5 centímetros, aproximadamente, que contém somente as 30 primeiras páginas – o seu interior é recortado, possivelmente para esconder ou transportar dinheiro ou jóias. Fechado, o livro tem aspecto e formato de um volume normal. Ainda no setor de livros raros, há um volume de Diálogo del Fausto da Longiano: Del modo de lo tradurre d’uma in altra língua segondo de regole mostrate di Cicerone, publicado em Veneza, no século 16.
Poder observar as obras raras do acervo do professor Eulálio é como viajar no tempo por meio dos livros. Ali está, para citar outros exemplos, Praga, obra de Luiz de Gonzaga Duque Estrada; Sentimentalismo e história, de Camilo Castelo Branco; La retraite de la Lagune (A retirada de Laguna), de Visconde de Taunay (1891). Por outro lado, parte dos volumes da biblioteca do professor Eulálio traça um panorama da criação da própria literária universal, destacando-se as produções que mostram os primórdios das literaturas brasileira, italiana, francesa, inglesa e norte-americana.
Dedicatórias do primeiro time
No acervo há um espaço reservado às obras com dedicatória ao professor Eulálio. São dezenas de livros escritos pelos mais renomados autores, muitos deles já falecidos, como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Deste, há o livro Contos de Aprendiz. Um dia Carlos Drummond de Andrade ofereceu um livro a Alexandre Eulálio – Fala Amendoeira –, com a seguinte dedicatória: “Da amendoeira o galho mais administrativo torna-se cativo de Alexandre Eulálio. Nele vê o grato jeito diamantino raciocínio exato sentimento fino. C.D.A”.
Em Corpo de Baile, de Guimarães Rosa (1960): “Para Alexandre Eulálio – querido amigo, lúcido e límpido, mineiro de toda a lei – com o melhor abraço de G.R. Rio , dez. de 1960”. O professor Antonio Cândido, um dos mais importantes críticos literários do país, por ocasião do lançamento de seu livro de ensaios Tese e Antíteses, escreveu: “De pimenta a pimenta a tese cordata da nossa pacatez no vínculo real através do tempo até ao nascedouro do Velho Alferes ODC”.
Tereza Cristina observa que Alexandre Eulálio tinha um hábito curioso. Muitos dos livros de sua biblioteca continham uma característica: assim que recebia de presente uma determinada obra, Eulálio fazia questão de anotar, na página de rosto ou na contracapa, o local (cidade onde estava quando adquiriu ou ganhou a obra), o nome de quem lhe presenteou, além de dia, mês e ano.
"Um infatigável e desordenado leitor"
Alexandre Eulálio foi “um cara formidável, grande colega e bom amigo”, confessa a professora Marisa Lajolo, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Diz que sempre que o procurava com uma dúvida sobre literatura, “ele escarafunchava a memória, derrubava a biblioteca e vinha com a resposta”. Marisa elogia a Unicamp por cuidar da biblioteca particular de um professor como Alexandre Eulálio. Ali está escrita a biografia intelectual de seu dono. No caso de Alexandre – autodidata – o ecletismo do acervo é o retrato do homem que possuía os livros. “Ou que era possuído por eles?”, pergunta Marisa.
“Era muito amor que guardava por aqueles objetos de papel e tinta que traziam para o alcance de sua mão e de seus olhos. Tanto a tradição mineira de sua bem amada Diamantina, quanto a mais refinada poesia italiana com que evocava seu estágio romano. Assim, folhear os livros de sua biblioteca é um exercício de amor, mas que também pode ser extremamente educativo: anotações à margem, pedacinhos de papel que marcam páginas; de repente, uma manchinha de gordura!”.
Na história das leituras desse “infatigável e desordenado leitor que foi o nosso ex-colega”, de acordo com Marisa, um pouco também da história da formação intelectual de um crítico e de um professor de estilo inconfundível: erudito, divertido, agudo, como a personagem-título de seu livro A aventura brasileira de Blaise Cendrars, o poeta da vanguarda francesa que era simultaneamente apaixonado pela tecnologia e pelo primitivismo do Modernismo brasileiro.
Homem brilhante – Alexandre Eulálio era um autodidata. Não tinha formação universitária. “No entanto, atuando sempre como escritor e pesquisador por gana, por pura vontade, transformou-se num homem brilhante, dotado de uma singularidade no panorama universitário da Unicamp, e por que não dizer no cenário intelectual brasileiro”, diz o professor Paulo Franchetti, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Dono de um saber enciclopédico, Eulálio dominava diversos assuntos com grande habilidade, que iam da literatura às artes plásticas, passando pelo cinema. Além disso, era um especialista em temas relacionados ao século XIX.
“Dentro da Unicamp foi considerado um repositório de informações e orientador, não raro sugerindo ou indicando onde é que poderiam encontrar um tema ou bibliografia que por ventura lhe solicitassem”, conta Franchetti. E arremata: “Eulálio não era um indivíduo comum, mero colecionador, mas um homem que apreciava e conhecia o valor de cada objeto, de cada livro. Transitava com igual desembaraço intelectual dentro e fora do país. Não havia quem não lhe reconhecesse a erudição, pouco comum no mundo de hoje, onde se cultiva mais a especialidade. Altamente perfeccionista, sua produção era intensa e, por isso mesmo, apesar de suas diversas publicações, nem de longe sua quantidade refletia sua efervescência intelectual”.
Para Alcir Pécora, professor de literatura portuguesa, especialista em literatura colonial, uma das características de Alexandre Eulálio é que ele era dotado de uma erudição extraordinária. “Conhecia a fundo tanto a literatura brasileira e a européia”, recorda-se. “Como se não bastasse, possuía informação de toda e qualquer área. Podia-se contar com ele sobre todo tipo de informação, pistas para os temas mais difíceis ou curiosos. Não havia um assunto que não tivesse um mínimo de conhecimento. É curioso que todas as obras das quais precisei, ele tinha em sua biblioteca particular. Obras que não podiam ser encontradas nem mesmo na biblioteca da Unicamp”, diz Alcir.
O professor do IEL revela que Eulálio possuía uma apurada habilidade em tornar coisas diferentes em algo muito próximo. “Às vezes, um obscuro escritor de Minas Gerais se tornava para ele de uma importância extraordinária, um vulto. Conseguia tantas informações sobre esse escritor que era como se fosse um Graciliano Ramos, por exemplo. Era uma característica dele essa voracidade pelo conhecimento”.
Biblioteca Central abriga acervo de livros doados pelo crítico literário, ensaísta e professor Alexandre Eulálio
Alexandre Eulálio lê obra do colega Brito Broca: perfeccionismo e vasta produção.
Capa de Flos Sanctorium, do século 16, escrita por Frei Rosário sobre a vida de santos.
Embora ainda restem mais de 3 mil volumes para ser catalogados, a Coleção Alexandre Eulálio, instalada no terceiro piso da Biblioteca Central (BC) da Unicamp, já se tornou um dos acervos mais consultados na área de Coleções Especiais pela comunidade interna e pelo público externo. Com mais de 12 mil volumes, trata-se de um dos mais importantes acervos particulares da Universidade.
Desde muito cedo, o livro foi um objeto que sempre fascinou Alexandre Eulálio (1932-1988) – crítico literário, ensaísta e professor de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) –, que se revelou um grande bibliófilo. Ao longo de sua vida, o professor reuniu quase 50 mil volumes, hoje distribuídos em instituições de ensino e em casa de parentes. Muitas das obras depositadas na Unicamp são presentes de amigos, escritores ou foram compradas pelo próprio Alexandre Eulálio, que acabou doando uma parte à Universidade.
Crítico literário era autodidata
Não tinha preferência por uma ou outra obra. Bastava que a publicação lhe despertasse interesse que ele arranjava uma maneira de adquiri-la. E não fazia questão do preço. Foi assim que obteve, por exemplo, obras raríssimas como o Flos Sanctorium, do século 16, escrita por Frei Rosário, da ordem de São Domingos, sobre a vida e a obra de santos. Ou ainda o Memórias do Disctrito Diamantino, de Joaquim Felício dos Santos, de 1868. Outra obra que integra o acervo é Marilia de Dirceu, clássico de Thomas Antonio Gonzaga, datada de 1862.
“É curioso observar que a maioria das obras raras depositadas na BC encontra-se ainda em perfeitas condições, porque na época não se usavam produtos químicos na fabricação de papel, o que vale dizer que isso não atraía insetos”, como explica Marta Regina da Silveira Do Val, bibliotecária do setor de obras raras da BC. Entre os livros mais antigos e interessantes dessa coleção destaca-se o Crônica de Veneta, um conjunto de ensaios de Antonio Pacífico di Pietro, de 1697. No entanto, nenhum volume da Coleção de Obras Raras pode ser emprestado ao interessado.
Segundo Tereza Cristina Carvalho, bibliotecária responsável pela área de Coleções Especiais, uma vez que não há empréstimo, qualquer obra só poderá ser consultada no próprio local – no 3º andar da biblioteca. “Esse cuidado se dá unicamente em virtude da necessidade de se preservar o acervo”, diz Tereza Cristina.
De sua produção reunida em livro, as obras de Eulálio que mais se destacam são A Aventura Brasileira de Blaise Cendrars (1978), o ensaio Os Dois Mundos de Cornélio Penna (1980) e Os melhores poemas de Thomas Antonio Gonzaga (1983). E não é só: durante toda a sua vida sobressaiu-se como organizador de produção, editor e gerador de idéias em permanente articulação.
Transportando jóia e dinheiro – O acervo de obras raras do professor Alexandre Eulálio conta com aproximadamente 130 livros que datam do período compreendido entre os séculos 16 e 19. O que normalmente caracteriza uma obra rara são os detalhes bibliográficos que emprestam ao livro sua preciosidade, tanto na forma quanto no conteúdo. Ali podem ainda ser encontradas, por exemplo, obras raras como as Obras poéticas, de Pedro Antonio Correa Garção (1778); Macarronea latino-portuguesa, uma obra que, como o próprio nome diz, é um “amontoado” de versos em estilo macarrônico, quer dizer, composições com efeito burlesco ou cômico. No livro, publicado em Lisboa em 1767, não consta o nome do seu autor.
Quem visitar o terceiro andar da Biblioteca Central pode observar uma outra obra no mínimo curiosa: Sermões do Bispo M. Massillon (1633-1742). Trata-se de um livrinho com 10 centímetros por 14,5 centímetros, aproximadamente, que contém somente as 30 primeiras páginas – o seu interior é recortado, possivelmente para esconder ou transportar dinheiro ou jóias. Fechado, o livro tem aspecto e formato de um volume normal. Ainda no setor de livros raros, há um volume de Diálogo del Fausto da Longiano: Del modo de lo tradurre d’uma in altra língua segondo de regole mostrate di Cicerone, publicado em Veneza, no século 16.
Poder observar as obras raras do acervo do professor Eulálio é como viajar no tempo por meio dos livros. Ali está, para citar outros exemplos, Praga, obra de Luiz de Gonzaga Duque Estrada; Sentimentalismo e história, de Camilo Castelo Branco; La retraite de la Lagune (A retirada de Laguna), de Visconde de Taunay (1891). Por outro lado, parte dos volumes da biblioteca do professor Eulálio traça um panorama da criação da própria literária universal, destacando-se as produções que mostram os primórdios das literaturas brasileira, italiana, francesa, inglesa e norte-americana.
Dedicatórias do primeiro time
No acervo há um espaço reservado às obras com dedicatória ao professor Eulálio. São dezenas de livros escritos pelos mais renomados autores, muitos deles já falecidos, como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Deste, há o livro Contos de Aprendiz. Um dia Carlos Drummond de Andrade ofereceu um livro a Alexandre Eulálio – Fala Amendoeira –, com a seguinte dedicatória: “Da amendoeira o galho mais administrativo torna-se cativo de Alexandre Eulálio. Nele vê o grato jeito diamantino raciocínio exato sentimento fino. C.D.A”.
Em Corpo de Baile, de Guimarães Rosa (1960): “Para Alexandre Eulálio – querido amigo, lúcido e límpido, mineiro de toda a lei – com o melhor abraço de G.R. Rio , dez. de 1960”. O professor Antonio Cândido, um dos mais importantes críticos literários do país, por ocasião do lançamento de seu livro de ensaios Tese e Antíteses, escreveu: “De pimenta a pimenta a tese cordata da nossa pacatez no vínculo real através do tempo até ao nascedouro do Velho Alferes ODC”.
Tereza Cristina observa que Alexandre Eulálio tinha um hábito curioso. Muitos dos livros de sua biblioteca continham uma característica: assim que recebia de presente uma determinada obra, Eulálio fazia questão de anotar, na página de rosto ou na contracapa, o local (cidade onde estava quando adquiriu ou ganhou a obra), o nome de quem lhe presenteou, além de dia, mês e ano.
"Um infatigável e desordenado leitor"
Alexandre Eulálio foi “um cara formidável, grande colega e bom amigo”, confessa a professora Marisa Lajolo, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Diz que sempre que o procurava com uma dúvida sobre literatura, “ele escarafunchava a memória, derrubava a biblioteca e vinha com a resposta”. Marisa elogia a Unicamp por cuidar da biblioteca particular de um professor como Alexandre Eulálio. Ali está escrita a biografia intelectual de seu dono. No caso de Alexandre – autodidata – o ecletismo do acervo é o retrato do homem que possuía os livros. “Ou que era possuído por eles?”, pergunta Marisa.
“Era muito amor que guardava por aqueles objetos de papel e tinta que traziam para o alcance de sua mão e de seus olhos. Tanto a tradição mineira de sua bem amada Diamantina, quanto a mais refinada poesia italiana com que evocava seu estágio romano. Assim, folhear os livros de sua biblioteca é um exercício de amor, mas que também pode ser extremamente educativo: anotações à margem, pedacinhos de papel que marcam páginas; de repente, uma manchinha de gordura!”.
Na história das leituras desse “infatigável e desordenado leitor que foi o nosso ex-colega”, de acordo com Marisa, um pouco também da história da formação intelectual de um crítico e de um professor de estilo inconfundível: erudito, divertido, agudo, como a personagem-título de seu livro A aventura brasileira de Blaise Cendrars, o poeta da vanguarda francesa que era simultaneamente apaixonado pela tecnologia e pelo primitivismo do Modernismo brasileiro.
Homem brilhante – Alexandre Eulálio era um autodidata. Não tinha formação universitária. “No entanto, atuando sempre como escritor e pesquisador por gana, por pura vontade, transformou-se num homem brilhante, dotado de uma singularidade no panorama universitário da Unicamp, e por que não dizer no cenário intelectual brasileiro”, diz o professor Paulo Franchetti, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Dono de um saber enciclopédico, Eulálio dominava diversos assuntos com grande habilidade, que iam da literatura às artes plásticas, passando pelo cinema. Além disso, era um especialista em temas relacionados ao século XIX.
“Dentro da Unicamp foi considerado um repositório de informações e orientador, não raro sugerindo ou indicando onde é que poderiam encontrar um tema ou bibliografia que por ventura lhe solicitassem”, conta Franchetti. E arremata: “Eulálio não era um indivíduo comum, mero colecionador, mas um homem que apreciava e conhecia o valor de cada objeto, de cada livro. Transitava com igual desembaraço intelectual dentro e fora do país. Não havia quem não lhe reconhecesse a erudição, pouco comum no mundo de hoje, onde se cultiva mais a especialidade. Altamente perfeccionista, sua produção era intensa e, por isso mesmo, apesar de suas diversas publicações, nem de longe sua quantidade refletia sua efervescência intelectual”.
Para Alcir Pécora, professor de literatura portuguesa, especialista em literatura colonial, uma das características de Alexandre Eulálio é que ele era dotado de uma erudição extraordinária. “Conhecia a fundo tanto a literatura brasileira e a européia”, recorda-se. “Como se não bastasse, possuía informação de toda e qualquer área. Podia-se contar com ele sobre todo tipo de informação, pistas para os temas mais difíceis ou curiosos. Não havia um assunto que não tivesse um mínimo de conhecimento. É curioso que todas as obras das quais precisei, ele tinha em sua biblioteca particular. Obras que não podiam ser encontradas nem mesmo na biblioteca da Unicamp”, diz Alcir.
O professor do IEL revela que Eulálio possuía uma apurada habilidade em tornar coisas diferentes em algo muito próximo. “Às vezes, um obscuro escritor de Minas Gerais se tornava para ele de uma importância extraordinária, um vulto. Conseguia tantas informações sobre esse escritor que era como se fosse um Graciliano Ramos, por exemplo. Era uma característica dele essa voracidade pelo conhecimento”.
terça-feira, abril 04, 2006
Wish You Were Here
Wish You Were Here
Pink Floyd
Composição: Roger Waters e David Gilmour
So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold confort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
Pink Floyd
Composição: Roger Waters e David Gilmour
So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold confort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here
Eclipse

Please, Please, Please, Let Me Get What I Want
Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows, it would be the first time
Lord knows, it would be the first time
by The Smiths
sexta-feira, março 31, 2006
Aline

ALINE 2: TENSÃO PRÉ-MONSTRUAL
Adão Iturrusgarai
Aline é que é mulher de verdade. Trabalha fora de casa, odeia cozinhar e arrumar a casa, e tem DOIS maridos. Ela divide a cama com Otto e Pedro. Os três se amam mas isso não impede que Aline procure diversão fora do lar. Dizem as más línguas que Aline é ninfomaníaca, tarada sexual. Já as boas línguas preferem dizer que ela é uma mulher normal e simplesmente “dá vazão livre aos instintos sexuais”.
A personagem Aline, juntamente com Rocky & Hudson, dois caubóis gays, fazem parte do imaginário politicamente incorreto de Adão Iturrusgarai, cujas tiras são publicadas diariamente no caderno Ilustrada, do jornal Folha de S.Paulo. Juntamente com Angeli, Laerte e Fernando Gonsales, Iturrusgarai é um dos mais conceituados cartunistas e quadrinistas brasileiros da atualidade.
Leia também: Aline 1: Aline e seus dois namorados.
Leituras de cabeceira:
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(*) "Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu. (informação obtida no site Jornal de Poesia)
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Cheshire
- Naquela direção - disse o Gato, apontando com a pata direita - mora um Chapeleiro.E naquela - acrescentou, levantando a outra pata - mora a Lebre de Março. Visite qualquer um dos dois: ambos são loucos.
- Mas, eu não quero me encontrar com gente louca - comentou Alice.
- Ah, você não tem como evitar isso - replicou o Gato. Todos aqui somos loucos.
Lewis Caroll
domingo, fevereiro 19, 2006
William Blake
Blake, William (b. Nov. 28, 1757, London--d. Aug. 12, 1827, London) English poet, painter, engraver; one of the earliest and greatest figures of Romanticism. The most famous of Blake's lyrical poems is Auguries of Innocence, with its memorable opening stanza: To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a Wild Flower,
Hold Infinity in the palm of your hand
And Eternity in an hour.
segunda-feira, novembro 07, 2005
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